Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

Director provincial dos desportos no Kwanza-Sul projecta Infra-Estruturas nas Escolas

Avelino Umba e Mrio Eugnio Sumbe - 02 de Outubro, 2010

Manuel da Silva, director da Juventude e Desportos do Kwanza- Sul

Fotografia: Jos Casimiro

Como está o desporto na província?
Passa por dias melhore. Tivemos um longo período em que as nossas actividades estiveram ligeiramente baixas, pelo facto de as associações desportivas e os clubes viverem um período em que não sabiam como se estabelecerem no mercado, pois, antigamente, era o Estado quem dava tudo. Hoje, com a economia de mercado, cada um tem de encontrar formas de se desenvolver e conseguir aquilo que achar conveniente para desenvolver a sua actividade. Temos trabalhado com as associações já existentes e queremos que surjam outras para os clubes terem um órgão que defenda os seus interesses, apresente as suas preocupações em fórum próprio e seja capaz de interagir com os clubes e com a sociedade.
 
Como a província está em infra-estruturas?
Algumas estão a ser reabilitadas e outra construídas. Neste momento, contamos com um estádio de futebol, na cidade de Sumbe, com todas as condições necessárias para a realização de jogos oficiais. Estamos também a trabalhar para a reabilitação do Estádio do Benfica do Sumbe, assim como a criação de condições para o desenvolvimento do desporto no geral. O ministério está a construir campos comunitários, dos quais três estão em fase de acabamento. Vamos construir mais seis. A maior parte das escolas não tem uma quadra desportiva nem campo de futebol para efectuar as aulas de Educação Física, razão pela qual há a necessidade de se construir mais recintos para a prática desportiva.

A escola Rainha da Paz terá uma quadra desportiva. Fale da mesma…
Estamos a trabalhar no sentido de, com os nossos parceiros sociais, conseguirmos construir infra-estruturas nas escolas. Agora mesmo, entrará em fase de edificação, na escola Rainha da Paz, uma quadra desportiva e, paulatinamente, vamos o fazer noutras escolas. É importante que a sociedade civil contribua para a construção e para a preservação das infra-estruturas existentes.  

No Kwanza-Sul despontavam, não via muito tempo, clubes como os Dínamos, o Recreativo do Libolo, o ARA da Gabela e outros. Como entidade máxima do desporto, o que faz para a província volta à ribalta?
Trabalhamos com as associações existentes para o desporto ter o seu lugar. Falando concretamente do futebol, trabalhamos para estar bem representado, sobretudo com o Recreativo do Libolo. Estamos a trabalhar para o Recreativo do Celes atingir o Girabola, dado os bons resultados que tem obtido. 

Como o Governo Provincial se posiciona nesta particular?
O governo tem estado a apoiar. Prova disso é que, no dia 18 de Dezembro de 2009, o senhor Serafim de Prado, governador provincial, ofereceu equipamento e outros materiais desportivos a equipas de futebol e de basquetebol de todos os municípios, na presença dos respectivos administradores. A 22 de Janeiro de 2010 voltamos a fazer uma nova entrega de mesmo material aos municípios, no sentido de potenciar as equipas para amanhã colhermos frutos. Outrossim, temos trabalhado de forma a incentivar os clubes para tudo fazermos no sentido de, no próximo ano, termos mais uma equipa na Segunda Divisão, com perspectivas de ascender à Primeira Divisão.

Governo da Província apoia
sempre que tem disponibilidade”


Que ajuda o governo provincial dá aos clubes e às associações?
É importante realçar que o governo provincial sempre apoia, desde que tenha possibilidade. Aconselhamos os clubes sobre a importância deles irem ao encontro do empresariado local, no sentido de conseguirem um patrocinadores oficiais; mostramos as vantagens que os empresários podem vir a ter ao patrocinar determinado clube e, a partir daí, minimizar as dificuldades. O exemplo disso é o Recreativo do Libolo, que tem patrocinadores e cumprem pontualmente com aquilo que está estabelecido. O Kwanza-Sul é uma potência no atletismo, modalidade em que temos alguns atletas na selecção nacional. Também o somos, apesar de começarmos agora, na ginástica e no xadrez. O futuro é bastante promissor.  
 
O órgão que dirige tem orçamento próprio?
Não temos um orçamento específico para apoiar os clubes e associações, mas, sempre que haja disponibilidade financeira ou material, damos o que é possível. Muitas vezes, com o pouco que damos, as associações realizam as suas actividades. Aproveito esta oportunidade para parabenizar alguns dirigentes de associações, pois fazem muito para as modalidades que representam não pararem.

Quer exemplificar?
A associação de voleibol participou num torneio que, na altura, nada tínhamos para a apoiar, mas, ainda assim, participou. Da mesma forma outras associações realizam as suas actividades, compreendendo a essência daquilo que temos estado a solicitar. Para nós, neste momento, não é muito importantes os resultados mas a participação em vários certames e o trabalho de base. Se começarmos a trabalhar nos escalões de formação, em pouco a tempo teremos atletas na Altas Competição em todas as modalidades.    
 
Vocês interagem com outras províncias?
Temos intercâmbio com Benguela, Huambo e até mesmo com Luanda. Algumas equipas convidam outras para interagir, sempre que seja possível.

Gestor do Estádio do Sumbe
sairá de concurso público

A cidade de Sumbe conta com um novo estádio de futebol, o qual a Administração Municipal assume a gestão de forma provisória. Um comentário?
Analisamos este caso, muito antes do término das obras, e chegamos à conclusão que era importante fazer a entrega à administração municipal, pois o estádio está localizado no Sumbe. Por estar na capital da província, era importante que a administração local estivesse directamente vinculada a ele para tomar conta do mesmo. Estamos a trabalhar com algumas empresas e acredito que a administração municipal venha a realizar um concurso público para a gestão daquele empreendimento, no sentido de haver maior responsabilidade e conservação, que é o desejo todos.   

A quem esteve adjudicada a obra?
A duas empresas. A primeira fase esteve a cargo da empresa Edifax, que reabilitou o rectângulo do jogo e fez a vedação do muro. A segunda esteve a cargo da empresa Uwerk Cambongo Fox. Ambas as empresas fizeram a adjudicação de alguns serviços a outras empresas, no caso da Urbanop, que fez a pavimentação da parte exterior do estádio. Tivemos também a empresa Sector 7 que fez a montagem das bancadas.  

Quanto tempo durou a obra?
A primeira fase durou mais de dois anos, enquanto a segunda levou três meses.

O mesmo tem garantia de um ano. Não acha curto o tempo?
Este é um tempo que acredito estar em vigor na nossa legislação. Se fosse dado maior período de garantia, seria melhor para nós. Como as empresas são locais, vamos trabalhar com elas no sentido de qualquer situação que surgir depois do período de garantias, haver uma nova negociação entre as partes envolvidas para, harmoniosamente, resolver-se o problema.

Um das bancadas quase foi para baixo, nos jogos que marcaram a inauguração do estádio. Que comentário faz?
Não vi isso. Se por venturas alguma bancada mexeu, rapidamente a empresa responsável pela montagem vai corrigir o erro.

Que mensagem deixa aos potenciais utilizadores?
É importante conservarmos o Estádio Municipal Hoji-ya-Henda, pois a sua relva tem um tempo de vida útil de 15 anos se for devidamente conservada. Se não a conservarmos, nem a metade de tempo fará. Ao nível do governo há a vontade de manter o local sempre novo, precisando que os utentes tenham a mesma consciência. Existe um programa que visa reabilitar as infra-estruturas em toda a província. Vamos trabalhando, quer nos projectos de âmbito provincial quer das administrações municipais, pois todos estão sensibilizados de que as infra-estruturas fazem falta. É verdade que, se as tivermos em condições, vamos ter mais jovens a praticar desporto, pessoas saudáveis, pois todo aquele que pratica desporto e faz exercício físico tem melhor condição de vida.

Perfil
Nome: Manuel do Nascimento Rosa da Silva
Data de nascimento: 3-7-65
Naturalidade: Cassongue (Kwanza-Sul)
Nacionalidade: Angolana
Estado civil: Solteiro
Filhos: Sete
Prato preferido: Calulú de carne seca
Numero de calçado: 40
Peso: 70 Quilogramas
Altura: 1.70 cm
Clube: 1 de Agosto
Desporto predilecto: Andebol
O que faz nos tempos livre? Leio ou escuto música