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Entrevistas

Divaldo deixa Kruoja da Litunia

Paulo Caculo - 11 de Abril, 2016

Tcnico nacional guarda boas recordaes com a passagem pela Indonsia onde foi campeo e a presena na Champions League

Fotografia: Jornal dos Desportos

O treinador Divaldo Alves acaba de rescindir contrato com o FK Kruoja Pakoujis da primeira liga da Lituânia. O técnico angolano assegurou estar de regresso a Portugal, onde tem fixada residência, para reflectir em torno da carreira que cumpre há quase 20 anos no exterior do país.

"De momento estou livre. Estive a trabalhar, mas optei por regressar antes de terminar o contrato, por razões familiares", justificou o angolano graduado com o “Pro-Nível” da UEFA.

"Vou descansar um pouco e ver se penso em abraçar um novo desafio na carreira. A nossa vida de treinador tem destas coisas. Nem sempre somos muito bem sucedidos, mas esperava muito mais do clube onde estava, razão pela qual optei por juntar-me à minha família", disse.

O técnico formado em Portugal e Espanha confessou estar a aguardar por uma proposta para trabalhar em Angola. Garantiu que dos contactos que recebeu, desde que passou a ter visibilidade para o futebol angolano, apenas não passaram de promessas.

“Continuo disponível para abraçar um projecto no meu país. Espero que isso aconteça o mais rápido possível, porque gostava de contribuir no desenvolvimento do futebol angolano. Preferências? Não tenho. Desde que seja para ser campeão", afirmou.

Divaldo Alves considera o campeonato angolano (Girabola Zap) como uma das apostas, depois do percurso pelo futebol europeu e asiático. O jovem treinador, 44 anos, gostava de trabalhar para um clube ambicioso e sedento de títulos.

"Treinar a selecção seria uma experiência agradável. Sabemos que no futebol tudo depende dos dirigentes, se estão dispostos a acreditar num técnico jovem e ambicioso, estarei disponível para colaborar", asseverou.

A passagem pela Indonésia permitiu ao treinador guardar muito boas experiências. Recordou o título alcançado na AFC Cup e a presença, pela primeira vez, na Champions League.

"Não consigo esquecer os estádios cheios, com cerca de 60 mil adeptos por jogos. Os títulos que ganhei na AFC Champions e AFC Cup são alguns dos feitos positivos que fiz por lá. Mas estou focado na evolução da minha carreira, uma vez que pretendo estar no futuro numa final de uma edição da Champions em África, Ásia, América ou até na Europa".

CARREIRA
Divaldo Alves treinou clubes modestos em Portugal. Esteve nas camadas jovens do Algueirão, envolvido numa parceria com os escalões de formação do Benfica. Os responsáveis do PSMS Medan entenderam que era a pessoa indicada para coordenar a Academia do clube, tendo em vista um protocolo com o Manchester United.
Passou depois pela filial do clube, o Medan United, seguiu mais tarde para a Indonésia, onde começou no Persijap Jepara e no Persebaya. Entre os títulos conquistados pelo técnico no futebol indonésio, destacam-se dois torneios da AFC do Unity Cup e Friendship Cup. Ainda sob o seu comando, o Persebaya conquistou o título de equipa revelação em 2011, no ano em que também obteve o troféu de treinador do ano na Indonésia.

Teve a oportunidade de trabalhar com jogadores de renome no futebol na Indonésia, a exemplo do Maurito, que jogou no Petro de Luanda, Zada (ex-Vasco da Gama), Henry Makinwa, (ex-Nigéria), Amaral (ex-Benfica de Lisboa, Fiorentina e Parma de Itália), Mário Karlovic (ex-Torino e Milan), Susak, da selecção da Austrália.


SUGESTÃO
“Precisamos
de mais investimentos”


Divaldo Alves assegurou que tem acompanhado com particular atenção o evoluir do Girabola Zap. O treinador considera que o nível de qualidade baixou um pouco, facto que acredita ter sido consequência de algum fraco investimento.

"Sei que o investimento feito actualmente nos clubes está um pouco diferente de um passado recente, fruto também da situação económica do país e isso reflecte-se na qualidade das equipas e do próprio futebol", constatou.

"O futebol angolano é visto no estrangeiro, tem qualidade, mas apenas precisa de mais trabalho especifico e táctico", acrescentou Divaldo Alves, sublinhando em seguida haver possibilidades de Angola ser potência no futebol, desde que "os dirigentes apostem muito mais na formação e melhorarem as condições de trabalho dos treinadores".

A Lituânia foi o último país onde trabalhou Divaldo Alves. Em 2014, o angolano esteve no comando técnico do Perak FA da Malásia, clube que orientou logo depois da rescisão com o Persebaya da Indonésia. O técnico assumiu o comando do conjunto lituano, na quarta jornada, na altura só obteve vitórias, mérito que ajudou a projectar a equipa para  segundo lugar da classificação, com 11 pontos.

Divaldo Alves encontrou a equipa na quinta posição, com oito pontos. Apesar de ter passado por outras experiências como treinador no futebol europeu, foi no campeonato da Indonésia onde o técnico ganhou enorme visibilidade. Em 2009, esteve na “boca do mundo” ao colocar o PSMS Medan nos quartos - de - final da AFC CUP.

Há quatro anos, o treinador esteve com o Persebaya na AFC 2011, uma competição internacional que  se realiza todos os anos, em Dezembro, com a integração de clubes da Tailândia, Malásia, Singapura e Hong Kong.           
PC