Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Docas aponta metas do Maquis

Daniel Melgas, no Luena - 15 de Abril, 2016

Augusto Manuel Jos Quitadica

Fotografia: Kindala Manuel

O  regresso ao Campeonato   Nacional de Futebol da Primeira Divisão, Girabola Zap, já no próximo ano, competição em que foi despromovido em 2015, é o principal objectivo da recém-eleita direcção do FC Bravos do Maquis. De acordo com o presidente Augusto Manuel José Quitadica “Docas”, que cumpre o segundo mandato à frente dos destinos da agremiação do Moxico, existe um plano em marcha para a materialização da referida meta, que passa pela reestruturação do plantel e a recuperação da imagem do clube.

A reestruturação administrativa e financeira, bem como o reforço da formação de jovens, com vista o fortalecimento a médio prazo da equipa de seniores, consta igualmente do projecto da direcção maquisarde, segundo José Quitadica "Docas", em entrevista ao Jornal dos Desportos.


Jornal dos Desportos - O senhor acaba de ser reconduzido ao cargo de presidente de direcção do FC Bravos do Maquis. Quais as ideias que tem para os próximos quatro anos? Onde pretende iniciar a arrumar a casa?

 José Quitadica  - As prioridades do clube, no nosso segundo mandato, passam pela apresentação de um plano de trabalho e da elaboração do regulamento interno, que vai nos dirigir administrativamente, e depois, o reforço na aposta formação das camadas jovens, os iniciados e juniores do futebol e outras modalidades. Vamos também trabalhar para que a equipa retome à Primeira Divisão em 2017, aliás, o regresso ao Girabola é prioridade das prioridades. Para tal, neste mês (Abril), iremos arrancar com os nossos trabalhos de pré-época, com vista a nossa participação no Campeonato da Segunda Divisão e a Taça de Angola.

O que está a ser feito de concreto nesse inicio de época, uma vez que a equipa se desestruturou após descer de divisão? Têm jogadores à altura e uma equipa técnica formada para os objectivos preconizados?

Sim. Temos jogadores e falta alguns esforços para completar o plantel, atletas esses que virão de Portugal e do Brasil. Também já temos um técnico, com mentalidade jovem e quadro formado no nosso clube (FC Bravos do Maquis) que poderá assegurar este barco até à subida à Primeira Divisão.

Está a referir-se ao treinador João Pintar da Silva…

Sim, trata-se do João Pintar da Silva. É um técnico da casa, que foi formado por este clube, portanto é um quadro do Bravos do Maquis. Queremos evitar buscar técnicos fora do país. Pensou-se neste técnico e que vai trabalhar com o adjunto Mariano Júlio.

 Disse há pouco que têm jogadores capazes para competirem, este ano, no Campeonato da Segunda Divisão. Como fica a situação do Kiloy, Chole e Bruno, ainda com vinculo com o vosso clube, mas que estão a representar outras equipas?

A situação desses atletas (Kiloy, Chole e Bruno) está salvaguardada. No total, temos 13 jogadores que cedemos por empréstimo a outras equipas, como o Desportivo da Huíla, Benfica de Luanda, Kabuscorp do Palanca, Sagrada Esperança e Progresso Sambizanga.


ÉPOCA 2015
“Conquista
da Taça de Angola
foi o momento alto”


  O mandato que terminou foi também caracterizado por momentos altos, quer destacar alguns eles?
Durante os quatros anos, o FC Bravos do Maquis arrebatou mais de 56 troféus em várias modalidades, como no judo, andebol, futebol infanto-juvenil, júnior e sénior. A conquista do terceiro lugar no Girabola 2013, a conquista da Taça de Angola, em 2015, três edições nacionais do Torneio Palanquinhas Super Cuia, Taça 11 de Novembro (2013) frente ao TP Mazembe, torneio da Caixa Social das FAA, em Cabinda, no qual o Maquis derrotou o Kabuscorp. Fizemos história. Consideramos a conquista da Taça de Angola o momento mais alto.

 Neste momento o Maquis começa a projectar a Segundona, quando começam os treinos?

Estamos a pensar, a partir do dia 20 do corrente, na província de Luanda ou mesmo no Luena, iniciar os trabalhos de preparação. Ante, vamos fazer um trabalho selectivo, como sabem, a equipa tem jogadores de formação, que subiram ao escalão de seniores e vão ser integrados na equipa principal. Os que não forem integrados constituirão a equipa B e com as dos outros municípios, promover-se um campeonato provincial e depois regional. O objectivo visa consolidar a existência da prova para dar rotatividade aos jogadores.

A formação de jovens vai continuar ser uma premissa importante para o Bravos do Maquis?
A formação para nós é premissa mais que fundamental. Queremos continuar a formar para que dentro de dois ou três anos, a nossa equipa sénior possa competir ao mais alto nível com 80 a 90 jogadores da formação. Isso é importante.

Quer com isso dizer que os sócios podem ficar descansados porque, com maior ou menor dificuldades, o FC Bravos do Maquis vai regressar à Primeira Divisão em 2017?

Naturalmente. Penso que os sócios, adeptos e amigos do Bravos do Maquis podem ficar descansados, porque no próximo ano, vamos regressar à Primeira Divisão. Esperemos que estas pessoas também possam apoiar a equipa na subida ao Girabola Zap.


TRANQUILIDADE
Maquisardes procuram patrocínios


Com o corte do patrocínio pela Caixa de Segurança Social das FAA, há um ano, como a direcção do FC Bravos do Maquis pensa sustentar financeiramente a participação da equipa na Segunda Divisão?
Não temos que nos preocupar com esta situação. Tem que se trabalhar para se ter um patrocínio. Pensa-se que dentro de alguns dias, poderemos ter luz verde para que possamos conseguir fazer um campeonato sem sobressaltos. Além disso, estamos a trabalhar, dentro do plano que temos, para conseguirmos arranjar alguns patrocinadores que possam ajudar o clube a desenvolver-se. Vamos promover uma campanha de atracção de mais sócios para contribuírem e fazermos uma campanha tranquila na Segundona.

Mas o clube ainda tem dividas por saldar com alguns atletas e técnicos que representaram na última época....

Confirmo. Por esse motivo, primeiro, estamos a pensar em ter fundos para pagarmos as dívidas contraídas na época passada com os atletas e técnicos. A divida é muito elevada, por isso, se algumas instituições nos ajudarem estaremos gratos, mas temos que pagar, temos esta obrigação.

 São mais de quatrocentos milhões de kwanza. Se não têm patrocínio, como vão pagar esta dívida? Onde encontrar dinheiro?

É claro que uma dívida sempre foi divida e tem que ser paga para honrar os nossos compromissos. Não vamos pagar tudo de uma só vez. Podemos começar neste ano e terminar no outro, o importante é que tem que se pagar as dívidas. Apesar de alguns jogadores já não fazerem parte do clube, mas eles tem o direito e, nós, o dever de liquidar.


PERSPECTIVA
“Vamos corrigir os erros do mandato passado”


A direcção cessante do FC Bravos do Maquis, mas concretamente o presidente Docas, foi acusada, durante o mandato que terminou, de ter havido, em alguns momentos do vosso consulado, uma tentativa de desorganização administrativa.
Como encarou o assunto e qual vai ser a estratégia neste campo para que o clube ganhe uma imagem diferente?

Não houve desorganização administrativa. Numa casa, onde não há pão, todo mundo chora e ninguém tem razão. Houve simplesmente falhas por falta de patrocínio, ou seja, sem dinheiro, cada um procurou dizer o que quis. A direcção do clube trabalhou bem durante o mandato passado, não teve muitos problemas e agora com a nova direcção e a introdução de novos elementos, vai fazer o melhor e corrigir os erros cometidos no passado. Fazer mais para o melhoramento do clube e também para a satisfação da massa associativa.

Qual foi a principal causa que o "sponsor" alegou para retirar o patrocínio ao clube?

 Não nos foi dada nenhuma explicação. Simplesmente, recebemos uma carta do patrocinador a dizer que não podia mais patrocinar por razões da crise financeira e económica que o país atravessa.

Mas fala-se muito em má gestão da vossa parte...
Não teve nada que ver com má gestão.

Ainda assim, de acordo com o que apurámos, o Maquis continua a encetar contactos para o retorno do patrocínio. Confirma? Se sim, como decorrem as negociações?
Não  temos nenhum contacto com o antigo patrocinador, que é a Caixa Social das FAA. Estamos a recorrer a outras pessoas e empresas para ajudar-nos a patrocinar o clube para que o Maquis continue a ser um dos grandes clubes do país. Reafirmamos que até agora a direcção do Maquis não teve nenhum contacto  com o antigo patrocinador.