Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

Docas promete gesto rigorosa

Manuel Neto - 30 de Setembro, 2016

Presidente maquisarde reconhece o grau de dificuldade no Girabola Zap

Fotografia: Jos Soares

A persistência e a crença da direcção do FC Bravos do Maquis na capacidade da equipa de regressar ao escalão maior do futebol nacional foi coroada com sucesso. Os maquisardes voltam a estar presentes no próximo ano no Girabola e a direcção do clube promete uma gestão rigorosa para evitar a "pouca vergonha" de 2015.

O presidente, Manuel  Kitadica (Docas), garantiu em entrevista ao Jornal dos Desportos estar assegurado o apoio financeiro para um regresso tranquilo ao campeonato nacional, após as peripécias que enfrentou na época passada, culminando com a despromoção para a segunda divisão.

O dirigente anunciou que, em função da desistência da Caixa de Segurança Social os maquisardes têm um novo patrocinador, a SODIAM, empresa que está apostada em voltar a dar alegria aos associados do clube e ao povo do Moxico, em particular.
  
"Temos um novo patrocinador e trata-se da SODIAM, uma empresa do ramo diamantífero. Depois de termos atravessado certos problemas financeiros com a desistência do então  patrocinador oficial, a Caixa Social das FAA, estamos agora com este novo protector que nos vai ser muito útil na disputa do Girabola Zap, onde estaremos inseridos na próxima época", esclareceu.

"Acreditamos que a nossa relação será bastante salutar para podermos devolver a alegria ao povo do Moxico que tanto merece, tendo em conta o apoio moral que prestam ao grupo, quer nos bons momentos como nos maus", revelou.

Docas não precisou o montante cabimentado pelo novo "sponsor", mas adiantou ser um valor que serve para cobertura das principais despesas do clube e para efectuar uma campanha tranquila, sem grandes alaridos financeiros.

"É um montante razoável que vamos procurar geri-lo com muita atenção, uma vez que os valores alocados vão servir, principalmente para transporte, saúde e contratos com os atletas de forma a evitarmos problemas. Tudo está feito no sentido de evitarmos dissabores que possam nos levar à desistência no meio do percurso da prova", destacou.

Manuel Kitadica aponta o quinto lugar no Girabola Zap e a luta pela conquista de mais uma Taça de Angola como os principais objectivos, tendo em conta o estatuto que clube granjeia na arena futebolística nacional.

"O FC Bravos do Maquis é uma equipa com um perfil aceitável no futebol nacional, por isso, não obstante ter sido na época passada relegada à segunda divisão, não significa que perdeu o seu estatuto", realçou reafirmando que as condições estão a ser criadas para recuperar o seu espaço.

"Tudo estamos a fazer no sentido de no Girabola do próximo ano defendermos da melhor maneira o nosso estatuto, que passa pela luta da conquista da Taça de Angola, bem como uma classificação digna no Girabola Zap, em que temos coomo meta a luta pelos lugares cimeiros da prova", declarou.

Reconhece não ser uma tarefa fácil, mas acredita na experiência do elenco directivo que dirige e da equipa técnica que defendem a sua manutenção à frente dos desígnios do clube para os desafios que perseguem.

"Temos consciência que estaremos mais uma vez expostos a grandes desafios, mas atendendo a experiência que reunimos, fruto do tempo do trabalho, vamos procurar associar a nossa experiência à da equipa técnica que pensamos reforçar apenas   e com um preparador físico", afirmou o presidente.


REFORÇOS
«Vamos apostar no mercado local»


Os objectivos que a equipa do FC Bravos do Maquis se propõe seguir na próxima época, obriga que a direcção do clube procure reforçar o plantel nos seus mais variados sectores. No entanto, o presidente não garante grandes contratações.Doca explicou que as empreitadas que têm pela frente exige ter à disposição um grupo cada vez mais coeso e dedicado ao projecto definido. Admitiu que de outra forma seria quase impossível enfrentar uma época desportiva à dimensão do Girabola.

" A tarefa que nos espera é bastante árdua. Por isso, entre outras  questões de índole organizacional, vamos, imprescindivelmente, reforçar o sector defensivo, o meio campo e o ataque, mas recorrendo apenas ao mercado nacional, tendo em atenção a gestão dos parcos recursos que dispomos para o efeito", explicou.

Confirmado o regresso no escalão máximo do futebol nacional afirmou que neste momento a equipa técnica começou já a preparar a próxima época e a encetar contactos com os jogadores que interessam ao plantel maquisarde.

"Temos já o nosso técnico em Luanda a encetar contactos com alguns atletas que achamos importantes para o nosso plantel e  temos certeza que tudo vai correr a contento, uma vez que muitos deles são já conhecidos por nós", acentuou.


SEGUNDONA
Presidente pede reformulação


O presidente do Bravos do Máquis afirmou que, apesar de a sua equipa se ter apurado para o Girabola Zap, acha que a o Campeonato Nacional da Segunda Divisão devia ter uma maior expansão.

Defende que a prova devia ter um pendor mais nacional e com maior número de jogos o que tornaria a prova mais competitiva e permitiria aos primo divisionários a uma maior rodagem, que serviria de antecâmara para os desafios quer teriam pela frente.  

"É a segundona que temos, mas acho que devia ter um pendor mais nacional. Fizemos apenas 10 jogos, o que acho insuficientes para atingirmos um nível competitivo factível ao Girabola Zap, sob pena de sermos as vitimas das habituais equipas do Girabola", lamentou.

Por este facto, o dirigente maquisarde, apela a Federação Angolana de Futebol, (FAF), órgão reitor da modalidade no país no sentido de reformular o campeonato para que as equipas que a disputem lograssem tirar dele maior proveito competitivo para a prova subsequente.

"Penso que a reformulação só vai ajudar as equipas, porque o modelo actual provoca muitos transtornos aos participantes na medida em que as equipas fazem as suas inscrições em Janeiro e a prova começa apenas em Junho", salientou.

Recordou que neste período acontecem muitas coisas que podem influenciar os planteis. "As equipas têm de suportar muitas coisas más como despesas desnecessárias e até mesmo saturação competitiva dos grupos, que a meu ver acabam por prejudicar grandemente o grupo", asseverou.

O dirigente recorda com satisfação os momentos que a sua equipa viveu na competição em 1997 e que ditou o apuramento ao Girabola. "Para mim foi um dos melhores modelos de disputa", felicitou.

"Teve um pendor mais nacional e fizemos muitos bons jogos que nos conferiram um elevado grau de competitividade. Na altura pontificaram as equipas da Chicoil do Cuando Cubango, Académica do Soyo, Andorinha do Cwanza Sul, só para citar estas. E digo mesmo que isso permitiu disputar o Girabola de forma competitiva", realçou.