Jornal dos Desportos

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Entrevistas

necessrio apostar na formao

Hlder Jeremias - 13 de Outubro, 2011

Eduardo Jorge o actual seleccionador nacional de tnis de campo

Fotografia: |Mota Ambrsio

Na sua opinião, o que deve ser feito para que o ténis angolano consiga alcançar os melhores patamares, pelo menos, a nível continental?
É tudo muito simples e acredito que esta tarefa vai ser colocada em prática daqui para frente; é necessário apostar na formação, factor que deve estar intrinsecamente ligado à existência de infra-estruturas. Em Angola existem miúdos de tenra idade a praticar muito bom nível de ténis, relativamente a outros países do continente, mas é necessário que este talento seja preservado para que quando chegarem aos escalões superiores atinjam níveis profissionais, equiparados às grandes potências internacionais. Nas conversas que temos mantido com dirigentes desportivos, esta mensagem é partilhada por todos, por isso não restam dúvidas que a breve trecho o quadro actual vai se alterar.

Está inteirado sobre o trabalho que se desenvolve nas demais províncias do país, tendentes ao desenvolvimento da modalidade?
Estivemos recentemente no Lubango, onde permanecemos 15 dias no âmbito da nossa preparação para os Jogos Africanos de Maputo e, fruto da nossa estadia, podemos depreender que existe boa vontade por parte dos agentes locais. Porém, como é do conhecimento geral, o ténis conheceu uma fase triste nos últimos cinco ou seis anos e só agora é que as coisas tendem a restabelecer. Aquilo que encontramos na Huíla, segundo apuramos, não é diferente do que acontece um pouco por todas as províncias onde a modalidade é praticada. Independentemente da força de vontade, a falta de um programa gizado pelo órgão de tutela condicionou sobre maneira a desenvoltura deste desporto. Além do Lubango, também se realiza algum trabalho em Benguela e na Lunda-Norte, para onde esperamos brevemente nos deslocar para fazermos o levantamento.

Citou apenas estas três províncias, tem alguma informação sobre alguma outra?
Como já referi, residi durante muito tempo fora do país e a única oportunidade que tive foi de conhecer o Lubango. Quanto as informações de que disponho dão conta de que há crianças a praticarem ténis nas províncias que antes referi, mas a falta de monitores e todo o leque de técnicos que intervêm no processo de formação representa o grande entrave. Contudo, é apanágio da federação começar a rever esta importante questão que esperamos vir a ser resolvida a seu tempo.

Acha que existem em Angola técnicos suficientes para suprir a demanda em todo o território?
Tal como não existem técnicos suficientes noutras modalidades, também o ténis vive esta situação. O que queremos dizer é que o processo de formação deve actuar em cadeia; os poucos técnicos vão passar os conhecimentos para determinada franja, que, por sua vez deve transmitir para outros grupos e assim por diante.

Em termos formativos, existe algum intercâmbio com outras instituições do continente, à semelhança do que acontece nos outros países?  
Falando neste aspecto, devo dizer que perdemos muito tempo com a situação que tivemos recentemente, mas tudo indica que aquilo faz parte do passado, tanto é que no próximo mês de Novembro, alguns técnicos nacionais vão estar presentes numa conferência de treinadores a ter lugar no Egipto, na qual estarão presentes os melhores técnicos do Mundo para passarem conhecimento sobre as técnicas mais recentes, num intercâmbio que vai servir para os treinadores de todas regiões absorverem matéria relativa aos mais recentes métodos de trabalho. Quando os técnicos indicados regressarem ao país, marcaremos um colóquio com aqueles que não poderem lá estar para transmitirem os conhecimentos obtidos.

Já teve algum desafio semelhante ao de seleccionador?
Estou no ténis desde que me conheço como pessoa. Trabalhei no país ao serviço de várias equipas, cuja revelação dos nomes carece de rever o meu currículo. Várias vezes fui campeão nacional e aos 19 anos emigrei para Portugal, onde tive uma carreira de três anos no ténis profissional, do qual tirava o meu sustento. Como técnico, fui seleccionador da região centro de Portugal, concretamente em Coimbra. Fui técnico da Associação de Coimbra, onde tive várias jogadoras, que conquistaram o título nacional de Portugal e fiz muitos bons jogadores. Falar de mim, poderia levar uma tarde inteira, mas estes aspectos são apenas aqueles que mais ressaltam numa abordagem superficial.

Quais são, para si, as maiores referência do ténis nacional e internacional?
Fica difícil debruçar-se sobre as melhores referências do ténis angolano, mas o Nelson Almeida, por tudo quanto já fez tanto no país como lá fora merece o meu reconhecimento, ao passo que a nível internacional são aqueles que estão no topo, como os casos de Rafael Nadal, Roger Federer, as irmãs Williams, Maria Sharapova, entre outros.

A situação actual
é lamentável


Esteve muitos anos a viver no exterior do país, concretamente em Portugal. Que comparação faz do nível do ténis praticado actualmente em Angola, relativamente a época que antecedeu a sua emigração?
A situação actual é de lamentar, quando comparamos com aquilo que se fazia num passado recente, pois apesar de se praticar boa qualidade de ténis, peca-se pelo número reduzido de tenistas que actualmente entram para a quadra de jogo. Outro factor lastimável é o facto de termos apenas quatro ou cinco campos em Luanda, para não falar das demais províncias. Só para ter uma ideia, no clube em que realizamos o estágio na África do Sul, haviam 27 campos. Quando deixei o país com destino a Portugal deixei estes campos e fico muito triste porque encontrei a mesma situação em que vemos quatro campos com um pequeno grupo de atletas em que despontam apenas quatro ou cinco atletas.

Tivemos prestação
positiva em Maputo


Esteve recentemente em Moçambique onde levou o Selecção Nacional para competir na X edição dos Jogos Africanos. Que avaliação é que faz do trabalho que lá efectuou?
Tendo em conta que o ténis atravessou uma fase crítica, causada pela ausência de uma direcção do órgão reitor, como consequência do conflito eleitoral entre os concorrentes ao cadeirão, podemos aferir que tivemos uma prestação positiva. Os nossos atletas foram instruídos para competir bem e não nos defraudaram, pois estiveram muito bem diante dos melhores atletas que lá se encontravam.

Fala em boa prestação, em função do tempo que a modalidade esteve parada, mas do ponto de vista prático, Angola não conseguiu resultados palpáveis…
Se nos ativermos ao facto de que o ténis permaneceu perto de meia dúzia de anos inerte e ainda assim conseguimos chegar aos oitavos de final com três dos quatro representantes, que tiveram a pouca sorte de calhar com os cabeça de série, logo no início dos torneios, podemos dizer, sem medo de errar, que tivemos prestação positiva, o que nos permite acreditar que daqui para frente, desde que nos permitam trabalhar, daremos passos significativos.

Perfil

Nome:
Eduardo Jorge

Data de Nascimento: 15 de Abril de 1972

Naturalidade: Luanda

Província: Luanda

Modalidade: Ténis de campo

Nível académico: 12º do sistema português

Altura: 1,81 cm

Peso: 92 kg

Prato preferido: Mufete

Bebida: Sumos

Música: Angolana

Virtude: paciente e compreensivo

Hobbies: Filme e leitura