Jornal dos Desportos

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Entrevistas

" nossa obrigao manter o pdio"

27 de Janeiro, 2016

O dirigente aponta 2017, como o ano para relanar as equipas seniores.

Fotografia: Aro Martins

O Atlético do Namibe aposta na formação de talentos. Mais de 300 praticantes, em ambos sexos, estão inseridos nas modalidades de futebol, voleibol, andebol, hóquei em patins, atletismo e ténis. Desde o lançamento do projecto, o clube vê-se recompensado com conquistas de títulos nacionais. A mais recente ocorreu no Lubango com a consagração em juniores masculino, juniores feminino e juvenis feminino. Para o presidente do clube, João Pedro Paxe,"é indescritível a emoção" resultante da "abnegação e trabalho de uma grande equipa". O dirigente aponta 2017, como  o ano para relançar as equipas seniores.

Namibe resgata títulos no voleibol, depois de muitos anos de predominância de Luanda. Que sentimento lhe vem na alma?
O sentimento é o do dever cumprido, de alegria. Os  três títulos nacionais numa assentada justificam a abnegação e o trabalho de uma grande equipa. É indescritível a emoção que comove todos aqueles que se identificam com a nossa equipa. Portanto, erguer o troféu de campeão em juniores masculino, juniores feminino e juvenis feminino implica dedicação e recompensa por tudo que se fez ao longo da época. Não tenho palavras para descrever. Só digo: o saldo é positivo.

Qual é a estratégia para o sucesso do clube nas camadas de formação?
Trabalhamos durante o ano para obter resultados de pódio. Agora, aconteceu no voleibol. Antes, tivemos no andebol e hóquei em patins. Isso pressupõe que o nosso trabalho está a ser reconhecido com os resultados. Namíbe é uma potência no voleibol, desde os tempos idos. Estamos a tentar repor os níveis para que a modalidade volte a conquistar aquilo que fez no passado.

Está a dizer que a preservação de títulos é uma obrigação do clube?
Lógico. No hóquei em patins, por exemplo, conseguimos o primeiro lugar no ano passado e, este ano, conseguimos o segundo. Quem sai em primeiro lugar, tem de mantê-lo. É nossa obrigação manter o pódio.

Que incentivos atribuem aos campeões nacionais dos escalões de formação?
Não existem prémios no clube, mas há incentivos que se consubstanciam na realização de um almoço de confraternização com todos aqueles que conseguiram os lugares de pódio.

Quantos atletas movimenta o clube e no voleibol, em particular?
Neste momento, estamos a movimentar mais de 300 atletas, em ambos sexos, em todos os escalões. O voleibol é praticado por 60 praticantes, distribuídos nos escalões de iniciados, juvenis e juniores, num rácio de 20 atletas por escalão.

O clube tem a intenção de criar uma equipa sénior, depois das conquistas nos escalões de formação? 
Os actuais campeões nacionais vão ser os seniores. Quando atingirem a idade de seniores, o Atlético do Namibe vai contar com eles para o escalão principal. Não podemos pensar noutros.

Qual é a estimativa temporal para o lançamento da equipa sénior?
Vamos ter o escalão sénior em algumas modalidades a partir de 2017. O voleibol pode ser a primeira, em função da idade dos actuais campeões juniores. No próximo ano, muitos vão deixar de pertencer  a essa categoria. Se tivermos um número suficiente de atletas para formar uma equipa sénior passam automaticamente para a equipa principal. Temos como estratégia reforçar o grupo com alguns juniores que vão fazer dupla categoria. Se não houver "coro" para formar a equipa, então só mesmo em 2018.

Caso venha a formar a equipa sénior, em 2017, como pensa potenciá-la para equilibrar os jogos com as equipas de Luanda?
A nossa estratégia reside na cooperação e troca de intercâmbio entre as Associações provinciais do Namibe e da Huila, a partir do ano corrente. As nossas províncias estão carentes de equipas e a saída é realizarmos jogos amistosos nas duas localidades com frequência. Os técnicos vão tratar do programa de intercâmbio.

Há alguma intenção de "fundir" as equipas para fortalecer a região Sul?
Negativo. Para fortificar as nossas equipas, os campeonatos provinciais não são suficientes. Queremos deslocar a Huila aos finais de semana, uma ou duas vezes por mês e recebê-los também em nossa casa  com a mesma frequência. Só assim, vamos elevar os níveis competitivos para equilibrar as partidas nos campeonatos nacionais.

Qual é a situação das infra-estruturas do Namibe para a prática do voleibol?
Namibe tem o pavilhão multiusos Welwitschia Mirabilis, o Atlético tem o seu pavilhão e outros clubes também dispõem dos seus recintos. Portanto, está assegurada a situação de quadras desportivas.

Preocupa a adulteração de idades?
Se quisermos fazer um bom desporto, temos de primar pela legalidade nas idades. O controlo parte das escolas. Os treinadores são os professores de educação física, os primeiros a controlar as idades.

Que modalidades movimenta o clube?
Movimentamos o futebol, voleibol, andebol, hóquei em patins, atletismo e ténis.

Equipa sénior
no próximo ano
Para quando o regresso ao Girabola?

Começámos o projecto há quatro anos e a meta é 2017. À semelhança de outras modalidades, o futebol também vai ter escalão de seniores. Temos os escalões de juniores para este e o próximo ano.

O sobe e desce tem sido uma constante da equipa. Esse vai ser o apanágio em 2017?
Em relação à situação do país, o Atlético do Namíbe, não está de fora. O clube vive carências financeiras há anos. Apesar dessas dificuldades, estamos a fazer o nosso papel. Assumimos um compromisso e estamos a  cumprir.

Há alguma pressão para a província ter uma equipa no Girabola? Isso lhe tira sono?
Enquanto João Pedro Paxe for o presidente do Atlético, não aceito a pressão (risos).