Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

É urgente massificar o futsal

27 de Outubro, 2010

José Duque quer apoio para revitalizar o fusal na Huíla

Fotografia: Jornal dos Desportos

Que avaliação faz da actual situação do futsal na Huíla
?O Futsal goza de boa saúde. Há dois anos, estivemos com dificuldades de fazer futsal na província, mas a Associação local mobilizou esforços de todos os membros e conseguiu, no ano corrente, reunir 17 equipas para realizar o campeonato provincial. Neste momento, creio que somos a modalidade desportiva com maior representatividade na Huíla. Não vejo outra modalidade desportiva com mais equipas entre formações de trabalhadores, amadoras e federadas.

Quantas equipas masculinas federadas existem na província?
Temos cinco equipas federadas, as restantes são equipas de trabalhadores.

Que avaliação faz das competições internas?
No tocante a competições internas, estamos bem. Fizemos o torneio de abertura, temos o campeonato provincial a decorrer, agendamos vários torneios, dos quais realizámos três. O quarto torneio vai ser a Taça “Victor Guardado”, em homenagem a um dinamizador e massificador já falecido. Realizámos também a fase provincial da Taça de Angola.

Em que categorias se estão a disputar os torneios e os campeonatos provinciais?
O campeonato provincial está a ser realizado na classe sénior, com a participação de 15 equipas da cidade do Lubango e uma do município da Chibia. Não podemos apostar apenas nos escalões seniores. É premente massificar o futsal a partir das escolas junto das camadas mais jovens.

Quantos praticantes estão inscritos na associação?
Controlamos 327 praticantes nos escalões de seniores masculinos e femininos.

Apoio as mulheres
Qual é a realidade do futsal feminino na Huíla?

É um “Calcanhar de Aquiles”. Como secretário-geral, fiz um trabalho minucioso no ano corrente e mantive contactos com empresas que albergam mulheres, nomeadamente, a Direcção provincial da Educação, Comando Provincial da Polícia Nacional e outros ramos existentes na província. Fizemos documentos e convidámos organismos para patrocinar a classe feminina, mas fomos mal sucedidos.

A Huíla já ostentou o título de campeã nacional…
Em 2008, a Huíla foi campeã em futsal feminino. A referida equipa era patrocinada pela Associação Provincial, mas actualmente não dispomos de verbas para custear as despesas das atletas. O resgate do título passa por encontrar alguns patrocinadores, sem os quais nunca mais iremos em frente. A fase final do I Torneio Zonal em femininos decorreu na Huíla e foi disputado no sistema todos contra todos entre representantes de Benguela, Kwanza-Sul, Namibe, Huambo e Luanda.

A província da Huíla não se fez representar, porque não tem quem apoie a equipa de futsal. Por essa razão, apelamos à Direcção Provincial da Promoção da Mulher da Huíla e empresárias locais para, em conjunto, vermos o que é possível fazer em relação ao futsal feminino.

Qual foi o impacto da realização da fase final do I Torneio Zonal do futsal feminino na Huíla?
Serviu de incentivo. A associação local, em coordenação com a Federação Angolana de Futebol de Salão, trouxe para a Huíla a fase final para dar uma lufada de ar fresco ao futsal feminino. As senhoras viram e sentiram que a prática é possível em Angola.

Existem ou não formações femininas de futsal na província?
Existem três equipas. Actualmente, essas formações estão na iminência de desaparecer, porque inclinaram-se mais para o futebol onze. Estamos a falar, por exemplo, da equipa Estrelas da Huíla, cujas atletas se espalharam pelas demais equipas de futebol onze existentes na cidade do Lubango. O futebol onze feminino superou o futsal. Como não temos apoio, as atletas, que se dedicavam ao futsal, optaram pelo futebol onze.

Pavilhões servem actividades
extra-desportivas no Lubango

Existem recintos suficientes para a prática do futsal?
O Lubango é uma das cidades do país que está melhor servida em termos de pavilhões. Temos quatro pavilhões e 14 campos para a prática de desporto de salão. Em contra-partida, o pavilhão multiusos, anexos nºs 1 e 2, Benfica do Lubango, bem como os campos adjacentes e sob tutela da Administração municipal do Lubango, não correspondem aos anseios das Associações, por não servirem as modalidades para os quais foram concebidos.

Quer explicar melhor?
Os pavilhões são utilizados para tudo e mais alguma coisa. Por exemplo, este ano, já paralisámos a disputa do campeonato provincial por duas vezes, porque o pavilhão esteve ocupado para actividades músico-culturais e religiosas. Afinal, perguntamos a quem de direito, qual é o verdadeiro objectivo dos pavilhões. É premente massificar o futsal a partir das escolas, junto das camadas mais jovens para podermos ir mais além.

Só o futsal encontra dificuldades para realizar os campeonatos?
Quando pretendemos realizar actividades de futsal, hóquei em patins, judo, entre outras modalidades desportivas, encontramos imensas dificuldades para levar avante as nossas actividades.

Ante as dificuldades de espaço e de patrocinadores, o processo de massificação está longe de ser levado avante?
É um outro problema, porque carecemos de material desportivo para a massificação. É nosso objectivo fazer a massificação. Para isso, encetámos contactos com a fábrica da Coca-Cola no sentido de obter apoios em equipamentos, bolas, entre outros. A FAFUSA tentou implementar esse programa de massificação há três anos junto das escolas, mas, infelizmente, foi um projecto que não vingou.

A FAFUSA havia enviado dez pares de equipamento que distribuímos em dez escolas e colégios da urbe, previamente seleccionados. No segundo ano, o projecto caiu em saco roto, porque não havia equipamento nem bolas. Para a massificação, necessitamos do apoio de todos.

A Huíla prepara-se para acolher os nacionais em ambos os sexos. Como está a máquina organizativa?
Os preparativos estão na recta final. Inicialmente, as duas competições nacionais (masculina e feminina) estavam previstas para 30 de Novembro a 7 de Dezembro, mas recebemos um comunicado da FAFUSA a informar que a abertura foi antecipada para 30 de Outubro. Tivemos de acelerar a máquina organizativa para que nada falte durante a competição. Temos tudo preparado para acolher os nacionais e aguardamos pelo dia D. Os alojamentos, restaurantes e pavilhões aguardam pelos visitantes. Temos garantias de alguns patrocínios e aguardamos outros.

Falta de prémios afugenta
árbitros da modalidade

Como estão servidos  na arbitragem?
É de lamentar a posição dos árbitros. Depois de formados pela Associação, fogem para o futebol onze. Tínhamos cinco árbitras femininas no futsal, uma das quais chegou a Assistente Internacional no futebol onze. As nossas árbitras deixaram-nos, porque a modalidade esteve parada durante muito tempo.

Face à situação de fuga, quantos se mantêm fiéis?
O futsal não tem apoio na Huíla e a Associação sobrevive com poucos recursos. Os árbitros de Futsal são formados e depois fogem. Todos os anos, promovemos uma formação antes do início do campeonato provincial com a participação de 15 a 20 árbitros, mas no fim ficam apenas 3 ou 4. Não temos um quadro satisfatório na arbitragem. Contamos com um leque de 11 árbitros, dos quais um internacional, três de categoria nacional, dois provinciais e o resto são estagiários.

O que gostariam de ter para os manter no futsal?
Contamos com esse leque de árbitros, mas acabam por desistir por falta de incentivos, nomeadamente, prémios pecuniários, que incentivam o árbitro a prosseguir a carreira. Estamos de mãos atadas, porque não recebemos apoios.