Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Enquanto a formao for ignorada o futebol continuar adoentado

Agusto Fernandes e Joo Francisco - 12 de Setembro, 2012

Paulo Dias limitava-se a jogar a nvel do bairro no campo do Acadmica do Ambrizete (hoje Mrio Santiago) no Sambizanga,

Fotografia: Augusto Fernandes

Quando tinha idade de infantil, Paulo Dias limitava-se a jogar a nível do bairro no campo do Académica do Ambrizete (hoje Mário Santiago) no Sambizanga, tendo como colegas Zico, Zezinho, Passarella e outros. Aos 12 anos de idade, começou a jogar futebol oficial nos Caçulinhas do Progresso Sambizanga, que tinha como treinador o Bonducho, antiga glória do clube e encontrou o Luís, Pepe e Pedrito. Paulo Dias jogou durante duas épocas no Progresso e posteriormente passou para os juvenis do mesmo clube, que era treinado por Salviano, outra lenda viva da agremiação mais carismática do Bairro Sambizanga e teve sempre como colegas os mesmos jogadores dos Caçulinhas, incluindo o Cardoso e o André, que já lá estavam.

O Zico, Zezinho e o Passarella jogaram com Paulo Dias na meninice. Em 1988, o Campeonato Provincial de Juvenis era disputado em duas séries. Os vencedores encontravam-se numa final e daí apurava-se o Campeão Provincial, que representava Luanda no Campeonato Nacional. A melhor classificação que teve enquanto juvenil foi um quarto lugar no primeiro ano em que ascendeu a essa categoria. Em 1989, Paulo Dias ascendeu à categoria de juniores, então orientados tecnicamente pelo malogrado Meco, tendo encontrado o Noé, Monhé e Russo.“Em pouco tempo, portanto com 18 anos de idade, comecei a fazer dupla categoria e isto durou uma época”, disse. 

Paulo Dias contou-nos ainda que: “Em 1990, sempre no Progresso, com 19 anos, passei para os seniores, que eram treinados por Napoleão Brandão e faziam parte do plantel jogadores como Santinho, Ndindinho, Ferreira Pinto, Nascimento, Altino, Augusto, Camacho, Navalhada e outros. Sempre com o Zico e Zezinho como companheiros”. As seis temporadas como sénior no Progresso e transferência para o Petro. Nos seniores, que naquela época treinavam no campo da Cimangola, Paulo Dias ajudou o Progresso a subir de Divisão e jogou seis temporadas, ganhando uma Taça de Angola sob o comando técnico de Joaquim Dinis em 1996. Em termos de Girabola, a melhor classificação de Paulo Dias foi o 4º lugar. No clube Sambila teve como treinadores, além de Napoleão e Joaquim Dinis, Arlindo Leitão. Ainda no Progresso, jogou com Mbila, Keep, Cacharamba, Dudu e Langa.

Em 1997, Paulo Dias teve uma contratação de sonho: jogar no grande Petro de Luanda. “Quando cheguei ao clube do Catetão, o treinador era o Mister Jorge Ferreira e faziam parte do plantel grandes nomes do futebol nacional, como Amaral Aleixo, Nelo Bumba, Bodunha, Guedes, Chico Dinis, Betinho, Zico, Cacharamba, Jonas, Marito, Aurélio e Jonas”, conta. “Nas duas épocas que joguei pelo Petro de Luanda, venci um Campeonato Nacional, uma Super Taça e uma Taça de Angola, não esquecendo a final da Taça Africana de Clubes contra o Espérance de Tunis, que terminou com um empate a zero em Luanda e derrota por duas bolas a zero em Tunis”, recordou.

o 1º de Agosto
foi sempre difícil”

No Girabola, disputou três clássicos contra o 1º de Agosto, tendo vencido dois jogos e empatado um. A única vez que perdeu contra os militares foi quando jogou pelo Progresso. Paulo Dias disse que jogar contra o 1º de Agosto enquanto se é jogador do Petro de Luanda é totalmente diferente do que quando se joga noutro clube. A imprensa faz tanto alarido que acaba por mexer com as emoções dos jogadores. Querendo ou não, o nervosismo só passa depois do jogo. Em 1999, regressa a “casa”, ao Progresso e fez mais uma época. Mas naquela altura o clube do bairro do Sambizanga já estava em declínio e acabou por descer de divisão em 2000.

No mesmo ano, antes da queda do Progresso, Paulo Dias mudou de ares. A convite de Napoleão, foi jogar para o Ara da Gabela, já na segunda volta, tendo actuado durante seis meses com Paulão, Manuel Marreta, Jesus, Hino e Antoninho. Em 2001, foi jogar para o Benfica do Lubango, numa altura em que mister Carlos Queirós foi contratado para remodelar o clube. Para isso, levou de Luanda dez jogadores, dentre eles Ângelo, Makambé, Mano, Scura, Joaquim… e naturalmente o Paulo Dias.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Jornal dos Desportos - Quais os seus alvos a médio e longo prazo?
Paulo Dias - Em termos de futebol, que é o que eu mais gosto de fazer, pretendo chegar a treinador principal de uma equipa sénior.

Com o que ganha dá para cobrir as necessidades básicas?
É uma questão de ajustar as necessidades ao que se ganha. É o que me pagam e por isso faço bem as contas para evitar problemas.

Está satisfeito com as condições de trabalho postas à disposição?
Sim. Porque estamos melhor que muitos clubes em termos de condições de trabalho. Fomos uns dos primeiros clubes a ter um campo com relva sintética. Em termos de alimentação, material desportivo e em questões financeiras estamos cada vez melhor.

Está satisfeito com o trabalho do Jornal dos Desportos?
Até certo ponto, sim. Afinal, vocês fazem um esforço para apresentar as melhores notícias ao público. Entretanto, creio que podem melhorar muito mais, porque a imprensa exerce uma grande influência na sociedade. Creio que devem prestar mais atenção ao futebol jovem para ajudar a resolver os graves problemas que afectam o futebol angolano, que é visível na selecção nacional. Enquanto o futebol jovem for ignorado o futebol angolano continua doente.

POR DENTRO

Nome completo: Paulo Francisco de Sousa Dias
Filiação: António Francisco
de Sousa Dias e Maria Francisco
Naturalidade e data de nascimento: Luanda, aos 24.08.71
Estado civil: Solteiro
Filhos: Cinco
Altura: 1,73m
Peso: 81kg
Calçado: 42
Camisola com que habitualmente jogava:
nº 2 Hobby: ver filmes, ler e jogar futebol
Filmes: Acção
Prato preferido: Arroz com feijão
Bebida: Vinho às refeições
Casa própria: Não
Carro: Não
Alguma vez traiu: Não
E o inverso: Que eu saiba não
Mentir:
O que mais detesta: Falsidade
O que mais teme: A morte
Acreditar em Deus: Sim. Porque sem ele era impossível haver vida
Religião: Católica
Clube do coração: Progresso do Sambizanga
Jogador que mais temia: Yandá do ASA
País: Angola
Cidade: Luanda