Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

"Enveredarei pelo dirigismo por no ter queda como ciclista"

Joo Francisco -On-line - 04 de Junho, 2013

Considerado um dos

Fotografia: Jornal dos Desportos

É irmão do antigo campeão nacional de ciclismo, Márcio Guevara, mas contrariamente àquele que nos anos de 2000 a 2006 deu cartas nas estradas, José da Conceição Mucanza, 30 anos, ou simplesmente Zéca, como é conhecido nos meios ciclistas, habilitou-se nas matérias técnicas da modalidade que parece ser uma “dádiva familiar”.

   Considerado um dos”pensadores” da Federação Angolana de Ciclismo (FACI), no tocante a concepção de projectos desportivos que é o seu principal forte, José Mucanza, como praticante teve apenas passagem efémera no Karaté - Dó, na extinta Academia Angolana de Karaté (CAK), curta incursão no ciclismo, por influência do seu irmão Márcio Guevara.

“ Como ciclista não tive queda e preferi enveredar pelo dirigismo na mesma modalidade em 2001 no elenco da Associação Provincial de Ciclismo de Luanda (APCIL) liderado por Luís Neves, onde ocupei, sucessivamente, a pasta de presidente do conselho de arbitragem e de Secretário-geral.
 
Posteriormente, ingressei no elenco da Federação Angolana de Ciclismo (FACI), convidado por Diógenes de Oliveira, em 2005, primeiro como Secretário Técnico e actualmente sou o Presidente do Conselho Técnico Desportivo”, começou assim por contar a sua história no ciclismo angolano onde está sempre por dentro de todas as competições que se disputam no país.

José Mucanza, pela sua trajectória pode ser considerado um dos exemplos de convivência salutar no ciclismo angolano, que é fértil em correntes de opiniões diferentes, mas na hora de levar a bom porto o desenvolvimento da modalidade, “a vontade que os une chega a ser mais forte do que os interesses que os separam”.

MOMENTOS
Grandes prémios internacionais realizados em e fora de Angola


José Mucanza, já perdeu a conta dos momentos mais importantes da sua trajectória. Contudo, os grandes prémios internacionais realizados em Angola e vários Tours em que o Pais esteve representado no continente, como os do Gabão, Camarões, Burkina Faso e Senegal, marcaram-no particularmente.

“Estive também a acompanhar a Selecção Nacional no Campeonato do Mundo do Grupo B, disputado em 2007 na África do Sul, bem como os Campeonatos Provinciais e Nacionais organizados com a minha participação efectiva na planificação e execução.

No tocante à formação específica, José Mucanza tem experiência em administração desportiva, curso de treinador de Ciclismo do nível III e de arbitragem. Além disso é comissário de ciclismo da I categoria Nacional.

“Todas as acções formativas foram - me proporcionadas pela Federação Angolana de Ciclismo (FACI)”, reconheceu. O presidente do Conselho Técnico Desportivo da FACI é da geração de Gil Christ Adolfo, actual Vice- Presidente para administração da mesma Federação, José Guedes, Secretário-geral da APCIL, Anselmo Cunha, entre outros.

“Recordo-me um dos momentos que aconteceu comigo em plena actividade internacional de ciclismo quando o pelotão de ciclistas aproximava-se da chegada à Barra do Kuanza, onde quase fui atropelado pelos atletas por termos feito o corte de meta com ligeiro atraso (risos) ”, revelou, dando um exemplo dos riscos a que estão sujeitos os Comissários de provas das modalidades de estrada.

ÍDOLO
Seu irmão Márcio Guevara


Como já referimos, José Mucanza é o terceiro irmão de Márcio Guevara que foi várias vezes campeão nacional de ciclismo pela Casa Caianda e Benfica de Luanda, seu verdadeiro ídolo desportivo.

“Marcio Guevara foi o único ciclista angolano a vencer duas etapas no Tour do Burkina Faso, a representar condignamente a bandeira nacional na edição de 2006, o que independentemente de ter laços familiares, considero-o um exemplo a seguir pelas novas gerações de ciclistas.

PING- PONG
“Este será o mandato
da viragem na FACI”


Como vê o Ciclismo angolano no mandato 2013-2016?

Este será com certeza o mandato da viragem na história do ciclismo. A família do Ciclismo está de facto unida para vencer.

Qual é para si a importância da realização dos Campeonatos Nacionais fora de Luanda?
 No caso particular do Ciclismo, permite mostrar que as estradas estão reabilitadas e, que pode-se ir hoje a muitos pontos do País por via terrestre, facto que em outros tempos não era possível fazer-se.

Quem são para si os principais favoritos para o CNCE 2013?
Penso que pelo que me tem dado a ver, o actual campeão Nacional, Igor Silva tem todas as possibilidades de revalidar o título. Todavia, favoritos são todos aqueles que todos os dias trabalham arduamente, com rigor e disciplina para atingirem os seus objectivos. Estes merecem ganhar.

Realisticamente quais são as possibilidades do Ciclismo angolano no contexto africano?
Actualmente temos um naipe de seis ciclistas, que caso apostem forte na sua formação (colocados em Centros de Alto Rendimento) e, dotados de ritmo competitivo, podemos daqui há dois anos augurar excelentes resultados no contexto africano.

Acha que o País esta a altura de realizar uma volta a Angola em Bicicleta?
A Volta a Angola é um desafio de toda a família do Ciclismo. Com a experiência acumulada das pessoas que trabalham para a modalidade, com o envolvimento do Governo angolano e de toda a sociedade civil com o empenho dos nossos atletas, acredito que ao longo deste mandato a Volta a Angola deve ser uma realidade.

POR DENTRO
Nome completo:
José da Conceição dos Santos Mucanza

Filiação: Joaquim Mucanza e Florinda Rosa Alves

Local e data de Nascimento: Luanda, aos 11 de Março de 1983

Estado civil: Solteiro. Mas tenho noiva

Calçado: 41

Filhos: Nenhum

Irmãos: Quatro

Hobbies: Desporto e Leitura

Prato preferido: Fungi de Carne seca

Bebida: Água

Cidade: Cape Town

Clube preferido
: Sport Lisboa e Benfica e Petro Atlético de Luanda

Perfume: Azzaro

Religião: Católica

Alguma vez mentiu: Sim

País: Angola

Casa própria: Não

Carro Próprio: Sim+