Jornal dos Desportos

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Entrevistas

"Espero dignificar o meu Pas"

22 de Dezembro, 2014

Assistente internacional Jerson Emiliano quer mais angolanos nas principais competies

Fotografia: M. Machangongo

O árbitro assistente internacional Jerson Emiliano dos Santos está satisfeito pelo facto de ter sido indicado pela Confederação Africana de Futebol (CAF) para o Campeonato Africano das Nações (CAN), que se disputa no próximo ano, na Guiné Equatorial. O huilano augura honrar a arbitragem e o futebol  angolano na maior competição futebolística continental.

O jovem árbitro assistente, mesmo desconhecendo a média de jogos que vai realizar no CAN 2015, pensa no primeiro, para merecer a confiança da CAF, fazer jus à indicação e procurar subir jogo após jogo com ambição de estar na final da prova. “É uma grande honra para mim e para o meu país estar nesta prova (CAN) de grande dimensão para o futebol africano. Farei tudo para dignificar Angola e o seu futebol no Campeonato Africano das Nações.

Não sei quantos jogos vou fazer. Vou procurar justificar a minha indicação e fazer o melhor, pois ambiciono estar na final”, disse Jerson Emiliano, 31 anos de idade, em entrevista ao Jornal dos Desportos, na cidade do Lubango. O internacional angolano disse que a sua nomeação para fazer parte dos árbitros que vão trabalhar no CAN de 2015, na Guiné Equatorial, “não é casual”, pois é fruto do desempenho que teve na última época.

“A minha nomeação é fruto do trabalho que desenvolvi ao longo deste ano (2014) em que estive em competições de vulto como Jogos Olímpicos da Juventude, em Pequim (China), e na primeira mão da final da Liga dos Clubes Campeões Africanos, entre o Vita Club de Kinshasa e E.S. Argel”, realçou.

O jovem árbitro sustentou que pelos feitos alcançados até agora na carreira, “não me sinto vaidoso” já que, como fez questão de sublinhar, “ainda não atingi 50 por cento daquilo que são as pretensões na minha carreira”. Questionado sobre os objectivos a que se refere, o jovem árbitro de futebol revelou que almeja ser instrutor da CAF ou da FIFA tão logo termine a sua carreira. 

“Só me sentirei realizado quando for instrutor da CAF ou da FIFA e assim poder transmitir a experiência acumulada aos mais jovens e às novas gerações, dando assim o meu contributo para que eles atinjam patamares iguais ou superiores aos que eu tenho atingido”, sustentou. A recente nomeação para estar presente no CAN 2015, na Guiné Equatorial, confere a Jerson Emiliano dos Santos um “sabor muito especial”.

“Posso dizer que já esperava a minha nomeação para o CAN mas, sendo uma competição de alto gabarito em África, fico bastante emocionado e satisfeito”, aludiu. A competição que se disputa de 12 de Janeiro a 11 de Fevereiro de 2015, vai ser para Jerson Emiliano dos Santos uma grande oportunidade na carreira, pois, uma vez mais,  vai procurar vincar o nome de Angola. “Procurarei dar o meu melhor para continuar a merecer a confiança do órgão de arbitragem da CAF”, sublinhou.

CONFISÃO
Assistente por influência de Cândido

“Sou árbitro assistente por influência de Inácio Cândido”. Foi assim, de forma peremptória, que o assistente internacional Jerson Emiliano dos Santos respondeu sobre as razões que o levaram a apostar nessa vertente da arbitragem - assistente. Conta que quando fez o primeiro curso, em 2004, iniciou-se como árbitro principal, tendo nesta posição apitado vários jogos e um ano mais tarde sido promovido a árbitro de primeira categoria nacional.

Após a nomeação como árbitro de primeira categoria nacional, Jerson Emiliano foi indicado várias vezes para apitar jogos da segunda categoria nacional, mas depois, referiu, “por influência de Inácio Cândido, que já era a minha principal referência, preferi enveredar para assistente, onde comecei a sentir que tinha a verdadeira  inclinação”, e em 2006, foi promovido a árbitro assistente nacional. Para ele, Inácio Cândido “é a minha maior referência e com ele aprendi e aprendo muito, sem esquecer outros colegas, que têm sido igualmente importantes na minha trajectória como árbitro”.

Para além disso, sustentou que foi como assistente onde teve as maiores oportunidades, desde o início da carreira, mas ainda assim, deixou antever que “talvez um dia possa ser árbitro principal. Ninguém sabe o dia de amanhã, nem aquilo que nos guarda o futuro”. Quanto à aposta da Confederação Africana de Futebol (CAF), principalmente em árbitros assistentes, com realce para Angola, Jerson Emiliano dos Santos disse depender muito da evolução destes e que a mesma varia de país para país. “Depende muito dos critérios valorativos. Há países em que a CAF aposta mais em assistentes e em outros aposta mais nos árbitros principais”, explicou.

A passagem de testemunho, segundo o assistente internacional, é outro factor em que o órgão reitor do futebol africano se baseia muito.
“Eu praticamente fui preenchendo a vaga que Inácio Cândido foi deixando depois de a CAF passar a colocá-lo em segundo plano, talvez pelo factor idade, preferindo eles apostar mais em árbitros jovens, creio que por uma questão de perspectiva”, referiu.
MC

ARBITRAGEM
Inserção na CAF
tem sido normal

A integração do assistente internacional angolano Jerson Emiliano dos Santos no seio da arbitragem da Confederação Africana de Futebol (CAF) tem sido normal, segundo o árbitro em entrevista ao Jornal dos Desportos no Lubango. Jerson Emiliano revelou que no princípio era muito complicado, devido à questão de comunicação, principalmente factores ligados à língua. Mas agora, disse, “este imbróglio tem estado a ser ultrapassado porque domino melhor o inglês e tenho estado a aperfeiçoar o meu francês”.

O árbitro assistente internacional, 31 anos de idade, referiu que por conta das suas boas prestações nas competições africanas e não só, tem tido grande aceitação e granjeado muito respeito e admiração dos seus colegas. “Eles (árbitros) ajudam-me bastante e tenho que admitir que ganho muito com a convivência que considero salutar”, disse. Mas, para isso, segundo Jerson Emiliano, o empenho e a disciplina pessoal “acabam igualmente por ser determinantes”, referiu.

Docente de Matemática, disciplina em que se licenciou no Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED) do Lubango, cidade onde vive, embora trabalhe no município da Chibia, a cerca de 25 quilómetros da capital da província da Huíla, assegurou que tem recebido muito apoio da família, principalmente da esposa, quer em relação à arbitragem, como da docência. “A minha família apoia-me e incentiva-me bastante e, por isso, a maior parte do tempo dedico a ela”. Jerson Emiliano informou que tem feito a sua actualização através das redes sociais, Internet, manuais FIFA, vídeos e outros conteúdos que recebe regularmente do órgão reitor do futebol mundial.
MC

“Temos excelentes árbitros” 

O árbitro assistente internacional Jerson Emiliano dos Santos disse que a arbitragem nacional e o desempenho dos juízes têm evoluído ano após ano. O jovem quadro pertencente ao Conselho Provincial da Huíla assegurou, no Lubango, em entrevista ao Jornal dos Desportos, que o país tem excelentes "homens do apito". 

“A nossa arbitragem está no bom caminho e em constante evolução. É positiva porque temos excelentes árbitros principais e assistentes”, disse.
Jerson Emiliano, que no próximo ano vai estar presente no Campeonato Africano das Nações, na Guiné Equatorial, lamentou, por outro lado, as poucas oportunidades que a Confederação Africana de Futebol (CAF) tem dado aos árbitros nacionais para estarem presentes nas várias competições. “Como disse, temos bons árbitros principais e assistentes, mas é uma pena que sejam poucas as oportunidades a nível das competições africanas”, realçou.

Ainda assim, Jerson Emiliano pediu ponderação sobre o assunto ao recordar que sendo 45 países e mais de mil árbitros a nível de toda a África, “é difícil figurar nos escolhidos se não houver empenho e dedicação”. O assistente internacional angolano mostrou-se confiante em que o país pode ter brevemente uma equipa completa em competições do nível do CAN.  “Caso continuemos a trabalhar como estamos, num futuro muito breve teremos pelo menos uma equipa completa de árbitros angolanos em competições como o CAN”, sustentou.

O jovem árbitro assistente angolano disse que quando é nomeado para as competições internacionais (sob a égide da CAF ou da FIFA) recebe incentivos do presidente do Conselho Central de Árbitros de Futebol (CCAF), Muluta Prata, que o aconselha e o motiva na véspera do cumprimento da missão em prol do país.

“O dr. Muluta Prata, enquanto pessoa e presidente do Conselho Central de Árbitros, bem como outras pessoas ligadas ao futebol, incentivam-me bastante na véspera de uma competição em que sou nomeado. Tenho recebido muito carinho das pessoas que confiam em mim e acreditam no meu trabalho”, disse, tendo acrescentado que “tudo isso me confere maior alento e auto-estima para prosseguir a minha carreira, representando condignamente a Nação”.
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Jerson Emiliano deixou um conselho à nova geração de árbitros. Segundo ele, todos devem empenhar-se muito e serem humildes, pois só assim “vão atingir altos patamares no mundo da arbitragem”.

DEZ ANOS DE ARBRETAGEM
Rica "folha de serviço"

Aos 31 anos de idade e com apenas dez anos nas lides da arbitragem, o assistente internacional Jerson Emiliano dos Santos já tem uma "folha de serviço" bastante recheada de feitos valiosos e de participações em eventos de grande relevância. A sua "aventura" no mundo da arbitragem teve início em 2004. Após terminar o estágio ascendeu a árbitro de primeira categoria provincial no ano seguinte.

Em 2006, foi promovido a árbitro assistente nacional, tendo apitado vários jogos, entre os quais uma meia-final da Taça de Angola, entre o Petro de Luanda e o Benfica de Luanda. Neste mesmo ano, foi nomeado como melhor árbitro assistente do Campeonato Nacional de futebol feminino, realizado na cidade do Lubango.

No ano de 2007, como árbitro assistente nacional, já tinha acumulado 25 jogos, entre os quais, mais uma meia-final da segunda maior competição futebolística do país, que opôs as equipas do Sagrada Esperança da Lunda Norte e da Académica do Soyo. Neste mesmo ano, foi nomeado como melhor árbitro jovem do Girabola.

A "odisseia" para ostentação das insígnias da FIFA teve início em 2008, quando foi convidado a participar nos testes físicos para eleição de árbitro internacional. No ano seguinte, foi promovido à categoria de árbitro assistente internacional e consequentemente convidado a participar no Torneio da Cosafa, na África do Sul, não tendo feito a sua estreia por razões burocráticas. Porém, em 2010 fez parte do grupo de árbitros na competição, já no Botswana, tendo apitado a final entre as selecções da Zâmbia e da Namíbia.

As participações no curso “Young Talent” para árbitros e árbitros assistentes sobre leis de jogo, realizado no Cairo, Egipto, e de Elite “A” da CAF, realizado igualmente na capital egípcia, constam igualmente na "folha de serviço" de Jerson Emiliano. Como assistente internacional marcou presença no CAN 2013, na África do Sul, onde ajuizou três partidas. Foi igualmente convidado a participar, neste mesmo ano, no CAN de Sub-20, na Argélia, e no CAN de Sub-17, que teve lugar em Marrocos. Neste mesmo ano, ajuizou 14 jogos no Girabola. Em 2014, participou no CHAN da África do Sul, ajuizando três jogos. Um dos pontos altos da sua carreira foi ter ajuizado o amistoso entre as selecções da África do Sul e do Brasil, numa época em que fez 16 jogos do Girabola.

Jerson Emiliano dos Santos, em dez anos de carreira de arbitragem, seis dos quais como assistente internacional, já ajuizou 137 jogos nacionais (sete clássicos entre o 1º de Agosto e o Petro de Luanda) e 37 partidas internacionais. Conserva um total de sete medalhas e dois troféus. MC

SUCESSO
Admirado e idolatrado por muitos, a actual referência da arbitragem do futebol angolano em África, Jerson Emiliano dos Santos, 31 anos de idade, referiu na entrevista que concedeu ao Jornal dos Desportos, no Lubango, que o segredo do seu sucesso se deve à humildade, disciplina e ao árduo trabalho que tem desenvolvido ao longo dos anos.

“É necessário haver dedicação, humildade e muita disciplina, principalmente nos testes físicos, testes visuais, domínio de línguas estrangeiras. Enfim, todo esse conjunto de qualidades é que nos faz aquilo que somos hoje a nível da arbitragem africana”, sublinhou. Jerson Emiliano disse que em cada jogo, seja qual for, o árbitro nomeado deve mostrar seriedade e responsabilidade para que tudo corra sem sobressaltos.

“É imperioso que encaremos esta nomeação com seriedade e muita responsabilidade. Ou te sais bem e és promovido ou te sais mal e és despromovido. Há que encarar as oportunidades como autênticas finais que têm de ser vencidas”, realçou. Este, na sua visão, “é o grande segredo para que se possa obter confiança de nomeações sucessivas”.

Como único árbitro angolano na competição africana do próximo ano, a decorrer na Guiné Equatorial, Jerson Emiliano acha que “a responsabilidade é maior”. Ainda assim, disse, “farei tudo para honrar e dignificar o futebol do meu país”.
MC