Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
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Entrevistas

Espero não decepcionar aqueles que me indicaram

Sardinha Teixeira - 10 de Setembro, 2011

Adérito Barreto (Director técnico das selecções)

Fotografia: Domingos Cadência

Como é o dia-a-dia do director técnico para as selecções nacionais?
Tranquilo. Levo uma vida mais o próximo do natural. Mais próximo porque os compromissos e a pressão pelos resultados, às vezes quebram essa tranqüilidade. É preciso ter uma certa dose de  paciência para administrar tantas situações, em especial os desejos dos adeptos, patrocinadores e também da direcção da Fafusa.

Como foi o início no futsal?
Acho que não foi um início, foi uma transição, tão logo defini encerrar minha carreira como atleta, já me estava a preparar para assumir uma função técnica. Claro que a transição foi difícil e também muito prazerosa pelos desafios que tive de enfrentar.

Como recebeu a indicação para director técnico da Fafusa?
Fiquei feliz. Acho que tenho de provar sempre o meu valor. Agradeço a indicação e  espero não decepcionar aqueles que me indicaram.

Como vê as mudanças operadas no futsal?
É um processo natural. Hoje, todas as equipas procuram visibilidade e as disputas, a nível local e nacional, são cada vez mais fortes.

O futuro das selecções nacionais está assegurado?
Está, como sempre esteve. A Fafusa segue uma política de convocar jogadores federados e não federados. Há jogadores com muita qualidade a actuar nas selecções nacionais. A título de exemplo, os jogadores Ratinho, Sebas, Feijó e Zé Carlos são atletas de craveira internacional.

Fale-nos um pouco da sua carreira antes de chegar ao futsal?
Comecei no futsal, depois passei para o futebol 11, onde joguei na Textang e no 1º de Agosto. A seguir, juntei-me a um grupo de amigos, passando a jogar futebol de salão. O futsal foi sempre a minha paixão desde pequeno, a modalidade em que tive mais alegrias e conquistei as minhas maiores vitórias.

Por que razão as selecções nacionais se apresentam nos jogos quase sempre com os mesmos atletas?
É evidente que não temos quantidade e qualidade ao mais alto nível e isso é visível para muita gente. Agora temos gente nova a aparecer com muita qualidade, mas que ainda não trabalha pelo menos em volume suficiente para aparecer já.

Sente que os jogadores já chegam melhor preparados às selecções em relação há alguns anos atrás?
As coisas têm vindo a melhorar bastante. Há clubes a trabalhar com muita qualidade, apesar de algumas dificuldades estruturais, que existem hoje em dia. Cada vez mais os jovens jogadores têm noção das exigências e mais conhecimentos do jogo.

Os clubes têm campos próprios?
Não. Muitas vezes são obrigados a alugar de campos. E, quando assim não acontece, treinam em sítios impróprios.

Que ideias chave retira para o futuro do futsal angolano?
Nesta fase, o futsal necessita de um associativismo maior, de ideias de toda a gente. E nesse aspecto, acaba por ser muito interessante.

Mas a sensação que dá é de que ainda não chegámos ao nível competitivo de outros países. Concorda?
Temos de ter consciência que neste momento é dificílimo haver um grande leque de equipas a carburar. Sabemos que a maioria das equipas até só treina ao final do dia. Depois, isso também se reflecte ao nível das competições. Temos de nos preocupar em potenciar mais o futsal. Temos de olhar para as competições de formação e dar outra qualidade aos nossos jovens em termos competitivos.

Que mensagem deixa para os apaixonados do futsal ?
Sou apaixonado pelo que faço, tenho amigos de longa data em razão disso e esse é o meu maior prazer. Continuarei a trabalhar muito para honrar a confiança e a amizade das pessoas que acompanham o meu trabalho.

>> por dentro

Nome:
Adérito do Rosário Barreto
Data de nascimento: 13 de Maio de 1961
Natural: Luanda
Nacionalidade: Angolana
Filhos: 7
Peso: 63 Kg
Altura: 1,75cm
Função: Director técnico para as selecções nacionais da Fafusa
Prato preferido: Calulu
Fuma: Não
Droga: Contra
Bebida: Cerveja
Filmes: Românticos
Música: Kizomba
Melhor cidade: Lisboa
Melhor país: Portugal
Casa própria: Não
Carro: Não
Esplana ou discoteca: Esplanada
Campo/Praia: Campo
Cor preferida: Vermelha
Religião: Católica
Tempos livres: Jogar futebol salão