Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

Estamos a pagar a factura sem fazer qualquer compra\"

19 de Março, 2017

Presidente da Atefa manifesta apoio incondicional ao seleccionador Beto Bianchi.

Fotografia: Jornal dos Desportos

Considera que a Atefa tem salvaguardados os interesses dos treinadores nacionais, mesmo na circunstância em que manifesta apoio incondicional ao novo selecionador?
Antes de mais obrigado por nos proporcionar a oportunidade de falar sobre o momento actual do nosso Futebol. Enquanto associação de classe, existimos para servir os treinadores. Assim sendo, qualquer profissional de Futebol que exerça a sua actividade no nosso país, pode ser sócio da Atefa, de acordo com os nossos estatutos. E, ao abrigo de um protocolo que temos assinado com a Federação Angolana de Futebol, o exercício da profissão de treinador, obriga o profissional a ser sócio da Atefa. Por, isso e como a direcção da FAF é soberana, na escolha do treinador para estar ao serviço das selecções nacionais, sendo este um profissional de Futebol, entendemos dar o nosso apoio ao seleccionador nacional, de forma incondicional.

É, ou não, visão da Atefa que esta escolha (de um estrangeiro, vinculado a um clube e que, não vai auferir a um salário, pelo trabalho à frente da Selecção) pode constituir prejuízo para outros profissionais que estivessem em condições de ocupar este cargo?

O que nos preocupa é, fundamentalmente, um aspecto que entendemos que não ficou claro, aquando da apresentação do seleccionador. Trata – se da questão do patriotismo. Tivemos o cuidado de saber, dos nossos sócios, se alguém foi contactado, para trabalhar nas condições em que o professor Bianchi vai estar à frente da Selecção. Porque o exercício de qualquer profissão é remunerado. Não existe exercício de profissão sem remuneração. Daí que, não havendo nenhum sócio nosso contactado para trabalhar nestas condições, pode ficar a transparecer que os treinadores angolanos se tenham negado a trabalhar para a Selecção Nacional, nestas condições. Aí sim, nós associação, entendemos que alguma coisa deverá ser esclarecida, porque estamos a pagar uma factura sem termos efectuado qualquer compra.

Então continua a haver disponibilidade dos treinadores nacionais para treinar as selecções nacionais, nas condições actuais, ou não dá para compatibilizar os interesses dos treinadores, com os das selecções? Sabemos de compromissos salariais por honrar e isso tem sido um problema recorrente. Que soluções a Atefa aponta para estes problemas?

Nós entendemos que sempre houve disponibilidade dos treinadores nacionais para treinar as selecções nacionais e continua a haver. Compreendemos e aceitamos perfeitamente que quem define critérios, perfil dos treinadores a contratar etc, é a direcção da federação. Respeitamos em absoluto as decisões que são tomadas por esta. Pensamos que, internamente, existem algumas soluções que possam enquadrar- se nos perfis. Os gestores do Futebol devem estar a tentar encontrar soluções para que a solução hoje encontrada não seja considerada como normal, porque não é normal, o que está a acontecer. Enquanto parceiro social e membro da assembleia geral da FAF, abordamos alguns assuntos, apenas em foro próprio. Continuamos a acreditar no esforço que a FAF vem encetando no sentido de resolver os problemas do passivo que tem.
    
Relativamente  à qualificação dos treinadores angolanos, quantos treinadores estão licenciados pela Confederação Africana de Futebol, para exercer a profissão?
Temos neste momento cento e quarenta e oito técnicos licenciados pela CAF, sendo oito, com licença A. É importante referir que desses oito, cinco são estrangeiros. Estes adquiriram esta licença por equivalência, para poderem exercer a sua actividade em Angola, fruto das orientações da Confederação Africana de Futebol e da direcção da FAF. Os outros três são nacionais. Temos ainda oito treinadores com licença B e cento e trinta e dois treinadores com a licença C, perfazendo um total de cento e quarenta e oito, como disse inicialmente. É de salientar também que Angola tem três instrutores da Confederação Africana de Futebol. É este o quadro actual do nível dos treinadores que o Futebol angolano tem em termos de qualificação.


CONSTATAÇÃO
“Há treinadores
não licenciados”


Isso pressupõe dizer que todos treinadores principais do Girabola Zap estão licenciados para exercer a profissão de treinador de Futebol?
Infelizmente, não, porque havia sido programada uma formação para o mês de Janeiro, antes do início do Girabola. Acontece que, na altura em que a actual direcção da federação tomou posse, não havia condições para realizar o curso. A FAF fez, então, sair um comunicado, onde dá um prazo para estes treinadores regularizarem a sua situação. Isso pressupõe a realização de um curso, seja para formação em si, como para atribuição de licenças. Pelo controle que temos, sabemos que são neste momento três treinadores principais e alguns adjuntos, que estão no banco de equipas do Girabola, sem estarem licenciados. Este problema deverá ser resolvido com a maior urgência, senão estaremos a incorrer em falhas que podem conduzir a outras situações, até porque, dentro do protocolo que assinamos com a federação, este aspecto está salvaguardado, incluindo as penalizalizações prováveis, pela utulização de treinadores não licenciados.

Em relação a interacção dos treinadores nacionais com alguns treinadores estrangeiros que representem mais valia, ao nível do Futebol que programas tem a Atefa em carteira?

Com a reactivação da associação, temos programados vários fóruns, porque entendemos serem os locais ideiais para os treinadores discutirem todos aspectos inerentes ao futebol, de forma geral, a nível técnico, táctico e outros. A Atefa passa por uma grande dificuldade que é a falta de instalações. Não temos sede própria. Conseguirmos estar juntos, com regularidade, pressupõe ter um espaço, onde o treinador sabe que a qualquer hora nos pode contactar. Um dos nossos grandes objectivos é precisamente a união dos treinadores, cada um respeitando as individualidades, mas pensando futebol.

Estão todos estes aspectos contemplados no nosso programa de acção. Mas não há qualquer problema, no tocante a esta interacção entre técnicos nacionais e estrangeiros a trabalhar em Angola.

Em relação a falta de instalações para funcionamento da Atefa, enquanto parceiro social, a Federação não estaria em condições de ajudar a encontrar soluções, ainda que temporária?

Temos de facto conversado com a Federação. No último encontro com o presidente da Federação voltamos a tocar nesta situação, porque havíamos feito uma solicitação para ajuda na cedência deste espaço. Também fomos recebidos por sua Excelência, senhora Secretária de Estado dos Desportos, porque de facto a inexistência deste espaço tem criado muitos transtornos ao nosso funcionamento.