Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Estamos a trabalhar para o ttulo

Paulo Caculo - 04 de Agosto, 2010

Vice-presidente para o futebol do Interclube peremptriquanto ao ttulo

Fotografia: Paulo Caculo

A 12 jornadas do fim do Girabola’2010, o Interclube dá sinais claros e evidentes de querer materializar o objectivo da conquista do título.Sente que nada poderá atrapalhar esse impulso positivo que a equipa espelha actualmente?Estamos a trabalhar para materializar esse objectivo, para o qual atletas e equipa-técnica estão sensibilizados e ainda que tenhamos cometido alguns deslizes pelo caminho, nada poderá influenciar no nosso desempenho. Vamos empenhar-nos para conseguir atingir os objectivos que preconizamos esta época. Acha que a equipa tem feito uma segunda volta melhor do que aquela perspectivada inicialmente?A equipa tem estado a fazer uma boa segunda volta e acreditamos que o nosso desempenho nos próximos jogos ser melhor e, por conseguinte, vamos somar os pontos necessários à conquista do título. A equipa reforçou-se nesta fase crucial do campeonato com jogadores influentes no ataque e meio-campo. A chegada destes jogadores terá influenciado positivamente no rendimento da equipa?Ainda é muito cedo para avaliar o desempenho desses atletas.Queremos avaliar o grupo no seu colectivo, e é pelo colectivo que temos estado a abordar a qualidade do plantel e da equipa. Penso que só com esse sentido de colectivo e de todos a assumirem as suas responsabilidades dentro do campo vamos ter grandes sucessos.Procuramos sempre destacar o trabalho de grupo feito na equipa. Desde o começo da época que o Interclube se assume como uma nova equipa do século XXI. Qual tem sido a grande estratégia?Este Interclube assumiu-se como o novo clube do século XXI porque os desafios são outros. Pretendemos que o clube, em todas as modalidades e não apenas no futebol, tenha novas conquistas, novos eventos, quer no domínio da gestão como na formação dos seus técnicos, encaminhamento os seus atletas de formação para as escolas. Pretendemos que os jovens talentos, quando terminarem as carreiras, possam integrar-se, com naturalidade, na sociedade, na medida em que têm uma formação que lhes permita uma fácil inserção. A direcção mantém o projecto de promoção de novos talentos dos escalões de formação ao plantel sénior? Nunca nos afastamos desse modelo de trabalho. Estamos preocupados com a formação dos nossos atletas jovens, porque é aí onde está o segredo do futuro do clube. Por essa razão é que temos na equipa principal vários atletas jovens, provenientes dos juniores. Vamos continuar a apostar nessa prática, até porque nos orgulhamos de ter hoje oito atletas na selecção de sub-20, como resultado do trabalho que estamos a fazer na formação. A selecção de sub-17 foi a Moçambique com um quadro do nosso departamento médico e isso ajuda a provar que temos no clube pessoas dotadas de conhecimentos e de capacidades para formar jovens, não apenas no aspecto desportivo, mas também social. O quadro técnico do futebol de formação à disposição da equipa é interno ou advém de outros clubes?Os nossos treinadores de formação são quadros técnicos internos do clube. Temos, a título de exemplo, o professor Raul Kinanga, que prescindiu de outros convites para treinar no Girabola, para ficar com os escalões de formação no Interclube. É o nosso treinador de juniores e estamos também com o professor Mitó, que se ocupa da formação da equipa de juvenis. Temos treinadores de referência e, sempre que possível, a direcção manda-os para o exterior do país, a fim de aumentarem os respectivos conhecimentos. Qualquer projecto deste calibre exige, naturalmente, um suporte financeiro.O Interclube sente-se financeiramente saudável para dar corpo a este projecto?Tenho dito que para o desporto o dinheiro nunca chega. O desporto exige um enorme investimento, obriga muita sabedoria na gestão dos recursos, que são sempre escassos, perante um número vasto de necessidades. Acredito que em nenhum momento algum clube se sinta capaz de dizer que vive folgadamente. Mesmo os grandes clubes na Europa, por vezes, têm saldo negativo no exercício económico, portanto, os recursos que o Inter tem disponível não são suficientes, mas também temos tido a capacidade de gerir esses recursos, que são magros, de forma a que os nossos objectivos sejam atingidos e que o clube tenha visibilidade em função do desempenho e da gestão dos bens e do património colocados à sua disposição. Concorda que a primeira grande conquista da direcção do Interclube reside na capacidade que teve de devolver o conforto ao plantel, melhorando os salários e requalificando o pessoal administrativo. O factor material é muito importante, na medida em que ajuda a resolver problemas e, consequentemente, traz maior conforto. Seguramente que os nossos atletas sentiram esse conforto e esse carinho da direcção, em resposta ao seu trabalho e ao seu empenho.Esperamos, naturalmente, que no final da época, a direcção possa ser recompensada pelo esforço e carinho demonstrados. Estádio 22 de Junhovai ter campo de treinos Um dos grandes projectos direcção, ainda em carteira, passa pela construção de um campo de treinos anexo ao Estádio 22 de Junho. Em que estado de execução está esse plano?Como sabe, qualquer projecto como este precisa de algum recurso.Estamos em busca de recursos financeiros para a sua execução. É urgente termos esse estádio, essa quadra anexa, mesmo porque precisamos também de ter os nossos jogadores dos escalões de formação mais perto de nós.Penso que, se conseguirmos reunir no mesmo espaço condições para que todos os escalões trabalhem, vamos ter melhores resultados.Então, estamos a trabalhar para isso. A intenção é desafogar o Estádio 22 de Junho?Sim.Queremos criar condições para os nossos jogadores possam desfrutar de melhores espaços para trabalhar e os nossos técnicos melhores condições para poderem observar jogadores para os escalões de seniores. É bem verdade que com um campo de treinos em anexo teremos mais tempo para conservar o relvado do 22 de Junho e tratar da sua manutenção. "Confiamos nas capacidades do técnico Álvaro Magalhães" O trabalho protagonizado pelo técnico Álvaro Magalhães tem recebido os melhores elogios possíveis. Sente que a direcção que integra fez uma grande aposta?O treinador que ganha é sempre o melhor. Neste momento, temos um treinador que está a ganhar jogos, uns atrás de outros, está à frente do campeonato, apesar de alguns desaires, mas temos plena confiança de que vai conseguir alcançar o objectivo que traçamos, que é a conquista do título. Acredita que o treinador será capaz de devolver aos sócios e adeptos a alegria de voltar a festejar o título?Se nós atingirmos esse objectivo, não haverá razões para questionarmos a sua continuidade à frente do comando técnico da equipa. É o treinador que tem estado a dar glórias para o clube, tem estado a conquistar os pontos. Sabemos que o campeonato tem sido muito difícil, que há outros interesses na prova, mas, ainda assim, com todas essas dificuldades, com todos os artifícios que se vêem por aí, tem conseguido ganhar jogos e acreditamos que tem capacidade de mobilizar os seus atletas e a sua equipa-técnica. Com essas qualidades, acho que é o treinador ideial para continuar a dirigir a nossa equipa, até porque na história do clube nunca tivemos um treinador que estivesse a liderar o Girabola até ao começo da segunda volta. Se ele está a conseguir estes feitos, é por mérito e capacidade. A chegada dos avançados Baptiste e Diop e do médio Jojó fechou o plantel do Interclube na presente época?Para esta época, temos o plantel fechado, estamos a pensar na próxima época. Nós, Interclube, sempre trabalhamos antecipadamente, pelo que já começamos a preparar a próxima época e estamos a ver quais são os sectores que precisam de ser melhorados e estamos a trabalhar nesse sentido. Os jogadores cedidos a outros clubes terão porta aberta para regressar em 2011?Dispensamos alguns jogadores porque entendemos que, nos lugares em que estavam a jogar, a equipa tinham outras mais-valias e para não perderem a época em branco, sem poderem estar em actividade, decidimos cedê-los a título de empréstimo. Naturalmente que vamos analisar o desempenho deles e se convencerem a equipa-técnica, voltarão para integrar novamente o plantel. Parceria com Inter de Milão pode render vários frutos Que vantagens trouxe para o futebol o acordo de cooperação firmado recentemente com a equipa do Inter de Milão?A nossa intenção é que as relações entre o Interclube de Angola e de Milão sejam mais estreitas e haja um fluxo de homens de Luanda para Milão e vice-versa.O processo está em curso e vamos, dentro dos próximos tempos, colher alguns resultados desta boa relação com o Inter de Milão. Que resultado espera colher de concreto o Interclube?- Esperamos mandar os nossos técnicos para Milão, para acções formativas de superação profissional. Pensamos também enviar atletas jovens para os escalões de formação, vamos participar de alguns “clinics” que o Inter de Milão realiza e vamos ter também uma atenção especial por parte dos técnicos do Inter à nossa equipa e quiçá ter a possibilidade de transferir algum jogador nosso, caso desperte o interesse do Inter de Milão. O que determinou a assinatura desse convénio?A dimensão do Inter de Milão e os resultados que tem não só no campeonato italiano, mas também pela grande visibilidade que tem a nível do futebol mundial.É um clube que tem uma estrutura forte em todos os aspectos, visitamos as escolas de formação e vimos que tem uma estrutura organizativa fora-de-série, uma máquina altamente funcional e ficamos impressionados com as condições de treinamento da equipa principal e vimos, de facto, que é uma equipa com quem se pode trabalhar. Pensamos poder colher boas experiências dessa parceria e que poderão contribuir significativamente para o engrandecimento do nosso clube. "Minguito é a estrela deste clube" Esta direcção considera o Minguito, capitão da equipa, um jogador símbolo da equipa?Sentimo-nos muito orgulhosos quando temos um jogador que veio das nossas escolas, cresceu no clube e permanece na equipa. Isso significa algo de grande valia, que prestigia a direcção, o próprio atleta, porque é resultado do reconhecimento muito grande daquilo que o clube contribuiu para a sua formação como atleta e nós também nos sentimos satisfeitos. É dos poucos jogadores com grande regularidade na equipa…Podemos dizer que o Minguito é daqueles exemplos mais brilhantes de todos os esforços que a direcção do clube tem estado a fazer, particularmente nos escalões de formação, do cumprimento das obrigações e oportunidades que dá aos seus jovens e nesse aspecto podemos considerar o jogador como a estrela do clube e esperamos que tenha mais sucesso e que vá mais longe, porque quanto mais longe for o jogador, melhor rendimentos pode dar à equipa. Considera o jogador uma referência inegociável?Não.Hoje já não existem jogadores inegociáveis no futebol.Todos podem ser negociados, importa antes saber se as propostas que nos fazem satisfazem ou não os nossos interesses e do atleta e se pode servir, de facto, para uma melhoria da vida do jogador e para satisfação dos desejos do clube. Não interessa o atleta sair do clube e depois manter o mesmo salário. Queremos que quando o atleta sair do clube, sinta que ganhou outras benesses ou vantagens, regalias e, seguramente, a sua conta bancária esteja melhorada. É isso que queremos que ocorra com os nossos atletas.