Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

Estamos limitados em termos de material

Silva Cacuti - 31 de Outubro, 2010

Lobitangas clamam por apoio em material desportos

Fotografia: Jornal dos Desportos

Como é que surge a ideia
do HC do Lobito?
 A ideia do surgimento do HC do Lobito nasce em 2005, quando a Casa do Pessoal do Porto do Lobito decidiu extinguir o escalão de seniores. Na altura eu fazia parte da equipa técnica. Aproximavam-se as festas da cidade do Lobito e um dos meus colegas, o Rainho, veio ter comigo e sugeriu que realizássemos um torneio no âmbito das festas, mas que surgíssemos como amigos do hóquei em patins. Fomos sensibilizando outras pessoas e organizamos o torneio. Depois o Rainho retira-se. Estávamos com dificuldades de representar a província, era preciso representar porque tem história no Hóquei em patins, em 2006 participamos no campeonato nacional, em Luanda, mas como núcleo de Benguela.Depois decidi que tinha que criar um grupo desportivo, porque o núcleo não tinha sustentabilidade nenhuma. As pessoas reuniam-se para uma actividade e depois voltavam a separar-se. Cada um por si.
Então surgiu o HC do lobito que aparece no campeonato de 2007. No entanto, tivemos problemas por causa da documentação, ou seja, legalização. Neste ano dividimos a equipa, em dois, formamos também o União da Catumbela, porque o campeonato foi realizado em Benguela.

Criaram então os estatutos!
Sim. Criamos os estatutos do clube e apresentamos à Direcção Provincial dos Desportos e no dia 8 de Novembro de 2008 organizamos a nossa Assembleia Geral Constituinte, para estudo análise e aprovação dos Estatutos. Cumprimos todos os requisitos.

 O incentivo do seu ex-pupilo Rainho para que Benguela não ficasse sem uma equipa de seniores foi fundamental para o surgimento do HC do Lobito…
 Sim. Depois achei que me deixou uma “batata quente”, porque a dada altura ele retirou-se. Comecei a bater portas, com o Rainho  ajudamos as pessoas, fomos buscar o Tuya, antigo internacional, e outros que constituem o grupo.

Como tem sido a receptividade dos Benguelenses em relação ao HC do Lobito?
Só não vê quem não quer. Porque o HC do lobito nos últimos anos tem estado a dar o seu máximo para a realização do festival de patinagem que é regular. Temos representado a província, tornando os campeonatos de hóquei em patins nacionais.

Com as dificuldades que apontou para desenvolver o vosso trabalho, não pensam desenvolver outra especialidade no âmbito da patinagem?
Nem pensar! Nós, se calhar, somos pioneiros nisso, mas queria dizer que já mobilizamos a disciplina de patins em linha, que é uma especialidade olímpica. Tivemos um número maior, já atingimos 100 praticantes, mas o grupo foi reduzindo, agora temos 54 atletas de patins em linha, com os quais fazemos gincanas, corridas e outras atracções em festivais. Só não fazemos mais porque estamos limitados na aquisição de material.

Como é que está estruturado o vosso clube?
Uma das exigências para a nossa legalização era que a escola arrancasse já. Então arrancamos com a escola de iniciados, primeiro levamos os nossos filhos e depois recrutamos miúdos interessados e metemos a escola a funcionar. Temos iniciados e seniores. A perspectiva é, no próximo ano ver se abrimos o escalão de juvenis.

Em termos de infra-estruturas como estão?
Foi- nos cedido o campo do palácio do Lobito. Reabilitamos, iluminamos, mandamos fazer balizas, o engenheiro Alfredo, antigo praticante, foi quem desenhou as balizas.  Temos uma sede, tive de ceder um dos meus apartamentos onde funciona a mesma.

No que toca a técnicos têm dificuldades?
Tivemos de nos desdobrar. Temos o Correia Jamba que atende às camadas jovens na CPPL como treinador, temos o nosso guarda-redes Carlos Sabino que é o monitor das escolas do HC do Lobito, coadjuvado pelo Bráulio Teixeira. Temos também um ex-jogador nosso, o Orlando, que está a trabalhar com a União da Catumbela. Eu sou presidente de direcção e dada a minha experiência trazida da CPPL, Ferroviário do Namibe, assumi primeiramente o comando técnico da equipa mas depois vimos que precisávamos de ocupar-nos com outras actividades e nomeamos o antigo praticante Tuya. À beira do campeonato nacional começamos a ver que faltava disponibilidade às pessoas que estavam à frente da comissão técnica, aí tive de retomar a actividade, porque, me recordo num dos jogos da Taça de Angola, ficamos à espera do treinador, e ele não apareceu.

Têm alguma formação técnica?
Eu fiz vários “clinics”, com o Augusto Magalhães, tive outro na Casa do Desportista em Luanda com um prelector português e depois fiz  ainda outro com o professor Rolf dos Santos em que participaram todos os monitores com que contamos hoje nas nossas equipas.

Adquiri material no fardo

Como é que vocês fazem para a obtenção de recursos para movimentar a equipa?
 Bem. Entre nós há uma quotização, estabelecemos um mínimo de contribuição para o grupo, parra custear a água no treinamento, medicamentos e materiais de reposição para aguentar a equipa durante os treinos. Temos um limite de contribuições e quem puder dar mais dá, e temos ido assim. Contudo, a dada altura, surgiu a crise e nem todos têm tido oportunidade de dar as quotas e ficamos intercalados, quando o Rainho tem qualquer coisa vai apoiando e quando tenho qualquer coisa também vou dando. Em princípio são esforços pessoais, que têm estado a manter o grupo.

Não apareceu a nível da província qualquer entidade empresarial que tenha mostrado interesse em, de forma regular, dar-vos patrocínio?
Em princípio estou recordado do campeonato que se realizou em 2007 na cidade de Benguela. Tivemos o apoio da empresa Vagotel, no ano seguinte tivemos o apoio da Wisterpool, o despachante Monteiro e ainda este ano, o Grupo Lemobel (Restaurante Imbala). Quero realçar também o apoio que recebemos da Digicom. Mas ninguém nos veio oferecer um patrocínio permanente. Os apoios surgiram sempre após campanhas de angariação de fundos.

A nível das estruturas governativas têm tido algum apoio?
Quando começamos a imprimir a nossa dinâmica surge o fluxo de actividades em prol do CAN, numa altura em que tínhamos começado a estabelecer relações com a direcção provincial dos desportos, mas como todo o mundo estava imbuído no CAN, mas a mudança de governador, o nosso projecto teve de dar dois passos para trás, mas não desanimamos. Tentamos bater outras portas e hoje sentimos que a administração municipal está solidária connosco e, às vezes não basta só apoiar com meios financeiros. O apoio moral também faz bem. Só para ver que nas últimas jornadas do campeonato tivemos ao lado de nós o chefe de secção municipal que atende pelo desporto no Lobito, o senhor Alberto Ngongo que além de trazer-nos o autocarro da administração para nos apoiar no regresso da caravana, trouxe-nos a mensagem do administrador Amaro Ricardo a transmitir-nos a solidariedade daquele órgão do governo provincial.

Um grande incentivo!
Naturalmente o grupo está mais motivado. Este gesto é muito importante porque veio encorajar a rapaziada porque muitos deles não estão na modalidade por dinheiro, mas porque gostam do hóquei em patins.

E como fazem para gratificar e incentivar os vossos jogadores?
Nós não damos salários, mas damos alguns subsídios. Quando temos saídas para campeonatos e conseguimos qualquer coisa damos um pouco a cada um só para poder motivá-los e continuarem a praticar, porque hoje quase ninguém faz desporto por amor à camisola.


Mas vocês têm escola! 
O problema da escola. Eu e o Rainho temos estado a tirar dos nossos bolsos para garantir a sua merenda após os treinos, para tentar cativá-los. Na escola, além das merendas e do subsídio aos monitores, agora pagamos também a explicadores para os miúdos. Para além de jogar o hóquei, damos-lhes explicação para ajudar a que tenham, a par da prática desportiva, êxitos escolares. Estamos a pensar introduzir um professor de inglês.

Como é que procedem para terem material desportivo?
Na obtenção de material é que está no nosso “calcanhar de Aquiles”. Muitas vezes quando damos o grito de socorro à Federação não é porque precisamos de dinheiro, o Hc do Lobito precisa que nos digam que o material existe no sítio tal e nós vamos lá buscar. Não há oferta no nosso mercado e temos estado a adquirir de forma ilícita algum material. Estamos abrir precedentes para que o nosso material adquirido assim seja visto no mercado, sem sabermos a sua verdadeira proveniência. Seria bom que houvesse uma loja. Muitas vezes servimo-nos de amigos que vão a Portugal. Na escola, recebemos quatro pares de patins da federação, via núcleo provincial e no início da escola recebemos 10 pares de patins “charracharra” que não duraram devido à demanda. Tive a felicidade de encontrar, uma vez, patins à venda no fardo e adquiri 15 pares que estão a nos dar muita ajuda.

Temos uma palavra a dizer no desenvolvimento da modalidade

Qual é a análise que faz do hóquei em patins em Benguela!
 Vai de mal a pior, porque vejamos: O Sporting do Lobito tem material de massificação cedido pela Federação e parte deste material fomos buscar a título de empréstimo. De igual modo o Inter tem material, todo novo, não vemos o que se faz com este material, não sabemos o que se passa. O HC do Lobito que há três anos tem ajudado os campeonatos de seniores a serem nacionais não tem sido visto nestas acções da Federação. Acho que temos algo a dizer para o desenvolvimento da modalidade. Se do nada surgiu o HC do Lobito, significa dizer que temos capacidade para emprestar o nosso contributo.

O que significa para si o HC do Lobito?
O que eu faço é um esforço pessoal para a manutenção de uma modalidade que pratiquei e aprendi a gostar. Eu sou capaz de sacrificar os meus filhos por causa do hóquei. Aliás tenho todos os meus atletas como meus filhos, sei lá, é algo muito forte... no projecto HC do Lobito já conseguimos tirar dois jovens da delinquência, por exemplo.

Mesa da Assembleia-geral
Presidente
: Hélder José Rainho
Vice-presidente: António de Matos
Vogal: Correia Jamba
Direcção
Presidente: José Lourenço Sakuandela
Vice-presidente: Pedro Wilson da Cruz Pinto
Vice-presidente: Zeca Nani
Conselho Fiscal
Presidente: Rui Mendonça
Conselho de disciplina
Presidente: Adalberto Reis
Conselho Jurisdicional