Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Estamos preparados para a nova temporada

Pedro Augusto - 23 de Fevereiro, 2012

Dione reafirma desejo da Direco sambila em melhorar o 12 lugar de 2011

Fotografia: Jornal dos Desportos

A equipa do Progresso, que desde 26 de Janeiro trabalhou em Belo Horizonte, regressa hoje ao país confiante em fazer uma boa temporada. A convicção é do capitão Diogo Serafim Pedro “Dione”. O médio-trinco, que falou em entrevista ao Jornal dos Desportos a partir do Brasil, elogiou a postura do grupo às ordens de David Dias e prometeu muito trabalho, para que consigam atingir os objectivos traçados para 2012.Os resultados obtidos no estágio (cinco vitórias, dois empates e uma derrota) foram, na opinião do capitão sambila, fruto do empenho dos jogadores, que têm sabido assimilar os métodos da nova equipa técnica.

Dione, formado nas escolas do Petro de Luanda, clube com o qual conquistou uma Taça de Angola, e um Campeonato Nacional (Girabola) e uma Supertaça ao serviço do Interclube, rejeita falar na possibilidade da conquista do título pelo Progresso, mas referiu que a equipa entra sempre em campo com o objectivo de somar vitória jogo após jogo.

O Progresso termina amanhã (hoje) o estágio pré-competitivo de quase um mês em Belo Horizonte. Que balanço pode ser feito da última fase da preparação?
A última fase do trabalho decorreu sem sobressaltos, visto que os jogadores empenharam-se ao máximo para atingir a melhor forma possível para disputar o Campeonato Nacional e a Taça de Angola, as duas competições em que estamos envolvidos.

Quando fala em empenho ao máximo para atingir a melhor forma está a querer dizer que a equipa ainda não está no “ponto”?
A cada dia que passa, a cada semana de treino, o grupo ganha algo mais para atingir a melhor forma. Não estamos ainda a 100 por cento, mas atendendo à forma como o grupo trabalha, com certeza estamos prontos para enfrentar a nova temporada que se adivinha nada fácil.
 
A equipa realizou oito jogos no estágio no Brasil e venceu cinco jogos, empatou dois e perdeu um, marcando nove golos e sofrendo um. A que se deve a boa safra?
Penso que estes resultados alcançados no estágio deveram-se mais ao empenho do grupo, apesar de que os resultados obtidos não são o mais importante nesta altura. Mas é sempre bom conciliar a boa exibição com um bom resultado, pois acaba por dar mais confiança à equipa.
 
Pelos resultados obtidos chega-se à fácil conclusão de que a defesa está compacta e o ataque em dia. O meio-campo?
A defesa está muito segura porque tem trabalhado muito bem. Quando falo defesa refiro-me ao sistema defensivo da equipa, que começa no ataque e, claro, os médios ajudam bastante no processo defensivo da equipa, assim como têm participado também no processo ofensivo.

Que avaliação faz dos reforços e dos juniores promovidos este ano? Chegam a ser uma mais-valia?
Quanto aos reforços temos dado o maior apoio para um rápido enquadramento dos mesmos no grupo de trabalho e penso que tem tido o seu efeito. Eles têm dado o seu melhor em prol do grupo. Quanto aos ex-juniores, como não podia deixar de ser, também têm recebido todo o apoio do grupo e têm dado o máximo para merecerem a confiança da equipa técnica. Os quatro, refiro-me ao Ito, Tério, Gria e ao Chipa, são jovens trabalhadores e promissores. 

Com base no trabalho que estão a efectuar e nos resultados do estágio podemos falar num Progresso candidato ao título?
Penso que a equipa tem trabalhado bem e isso para nós é o mais importante, pois só assim conseguimos atingir os nossos objectivos. Como foi dito pela Direcção do clube, na altura da apresentação da equipa, os objectivos do Progresso não passam ainda pela conquista do título, mas sim pela melhoria da classificação da época passada (12º lugar).

Mas pelo trabalho que estão a realizar e conhecendo a realidade das outras equipas não é possível chegar-se ao título?
Penso que todas as equipas começam o campeonato em pé de igualdade. Claro que nós procuramos conquistar o maior número de pontos possível, mas é no final que tudo se vê. Prometemos apenas muito trabalho para cumprirmos os nossos objectivos. Deixem-nos trabalhar, o resto vê-se depois.

O que se pode esperar do Girabola’ 2012?
O próximo Girabola, no meu entender, é muito mais difícil que o do ano passado, atendendo aos investimentos de algumas equipas. Como é sabido, a maioria das direcções dos clubes apostaram muito para este ano. Penso, comparando com a competição de 2011, que esta época as coisas pautam-se muito mais pelo equilíbrio.

Dione almeja selecção

Angola teve uma participação nada agradável no CAN. O que deve ser feito para que a Selecção Nacional tenha participações airosas?
Como angolano que sou, claro que gostava que a nossa selecção fosse mais distante no CAN que terminou há pouco tempo, ou seja, que conseguisse não só igualar os quartos-de-final de 2008 e 2010, como também chegar às meias-finais da competição. Mas isso é futebol e nem sempre as coisas saem como queremos.

O que quer dizer com isso?
Quero dizer com isso que se deve continuar a trabalhar, deve-se corrigir o que foi feito de errado, para que nas próximas competições as coisas possam ser melhor para a nossa selecção.

Chegar à Selecção Nacional faz certamente parte dos seus objectivos…
Como qualquer jogador, chegar à Selecção Nacional é sempre um objectivo e comigo não podia ser diferente. Continuo a trabalhar para também poder merecer a confiança do seleccionador.

Médio sambila prevê
Girabola equilibrado


Os clubes fizeram grandes investimentos para a época futebolística que “arranca” amanhã (hoje). Quem está em melhores condições para conquistar o Campeonato?
Como disse há pouco, as equipas estão mais ou menos equilibradas, isso para não falar dos grandes investimentos que muitos clubes fizeram para este ano. Acho que a formação que menos erros cometer durante a competição, com certeza, sagra-se campeã.

A troca de treinadores, saída de Jan Brouwer e entrada de David Dias, não pode complicar os vossos objectivos?
Não. Cada treinador tem o seu método de trabalho, os atletas que fazem parte do grupo, por certo, já passaram por vários técnicos e, por isso, penso que não atrapalha nada os nossos objectivos, até porque os atletas e a equipa técnica têm feito para que as coisas corram da melhor maneira possível. 

Que comparação pode ser feita entre a equipa do Progresso de 2011 e a actual? Está mais forte ou nem por isso?
A época passada tivemos uma boa equipa, com bons jogadores, apesar de não termos conseguido alcançar o nosso objectivo, que passava pelos oito primeiros lugares da tabela classificativa. Penso que esta época também temos uma boa equipa, que nos permite fazer mais e melhor do que na temporada passada. Os objectivos passam sempre por fazer mais e melhor a cada época.

Qual a equipa base que David Dias utilizou nos jogos no estágio de pré-época?
Vozinha (guarda-redes); Yury, Lawrence, Jaime/Vally e Olívio; Luís, Isaac, Brazuca e Dione (médios) e Luciano e Chico (avançados). Estes são os jogadores que mais foram utilizados na primeira equipa nos jogos de treino que realizámos no estágio efectuado no Brasil.

Quer dizer que estes jogadores estão em melhores condições para serem titulares?
Sim. Mas é bom que saibam que todos os jogadores do plantel do Progresso têm condições para serem titulares. A preparação feita no Brasil, cerca de um mês, deixou claro isso. O que se pede é que todos trabalhem em prol do grupo, pois a vitória dos titulares também é dos suplentes, tal como o inverso.

“Não há muita diferença
entre o Petro e o Interclube”


O Dione foi formado no Petro de Luanda, com o qual venceu a Taça de Angola em 2002. Onde reside a grande diferença entre o Petro e o Progresso e com os outros clubes por que passou?
Falando do Petro de Luanda e do Interclube, que são tidos como os “grandes” do nosso futebol, acho que não há muita diferença. Se calhar, ela (diferença) reside nos títulos conquistados por um e por outro, porque ambos têm óptimas condições de trabalho, tendo o Interclube dado um passo de gigante ao construir o estádio 22 de Junho, passando a fazer os jogos oficiais e treinos em casa própria, o que constituiu uma grande visão da sua Direcção, na altura liderada por Alves Simões.
 
E em relação ao Progresso do Sambizanga, o clube que representa actualmente?
Quanto ao Progresso, é uma equipa que andou alguns anos fora do convívio dos grandes, ou seja, regressou à temporada passada e tem feito alguns investimentos em infra-estruturas, apesar das inúmeras dificuldades que enfrenta. A continuar assim, com certeza que temos nos próximos anos um Progresso do Sambizanga ainda melhor do que este ano. Falando do Petro Atlético do Huambo, outra equipa que representei, depois de ter saído de Luanda, é uma equipa modesta que está a atravessar um período de muitas dificuldades para voltar a ser aquele Petro que batia o pé aos grandes do nosso futebol.

“José Roberto Ávila
acreditou em mim”


Que recordações guarda do primeiro ano como sénior e desde que decidiu abraçar a carreira de futebolista?
Muitas e boas recordações. Por isso, aproveito o Jornal dos Desportos para agradecer aos meus treinadores no Petro Atlético de Luanda, ao professor José Roberto Ávila, pois foi ele que me deu a oportunidade de jogar no Girabola. Estou muito grato por tudo quanto o treinador brasileiro fez por mim, pois ele acreditou, em função também do trabalho que desenvolvia nos juniores, que tinha condições para jogar pela equipa de seniores. Quando o mister Ávila me deu essa oportunidade não deixei escapá-la, ou seja, agarrei-a com duas mãos.

E com os demais treinadores, do Petro do Huambo e Interclube?
Graças a Deus nunca tive problemas. Por isso, estendo igualmente os meus agradecimentos ao professor Agostinho Tramagal, pois foi ele quem me deu a oportunidade de continuar a jogar. Ou seja, depois da minha saída conturbada do Petro de Luanda, mister Tramagal levou-me ao Petro do Huambo.

Que se lhe oferece dizer sobre a sua passagem pelo Interclube?
Foi uma das mais ricas da minha carreira. Se ao serviço do Petro de Luanda ganhei uma Taça de Angola, em 2002, no Interclube conquistei dois troféus. Por isso, agradeço igualmente ao presidente Alves Simões, que me deu a oportunidade de ser campeão nacional em 2007 e de vencer a Supertaça 2008, assim como aos dirigentes do Progresso do Sambizanga, em particular o seu presidente de direcção, Dr. Paixão Júnior, pelo apoio que tem prestado à equipa e que procuramos retribuir da melhor maneira possível. Ou seja, materializar os objectivos traçados pelo seu executivo.