Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

Estamos preparados para as ltimas jornadas do girabola

Gaudncio Hamelay no Lubango - 11 de Outubro, 2010

Mozer, tcnico principal do Desportivo da Hula

Fotografia: Nuno Flash

Faltam três jornadas para o fim do Girabola. Que estratégia gizou para esta fase?
Primeiro passa pela recuperação psicológica e manutenção dos níveis físicos dos atletas, visto que nos encontramos numa situação ainda não cómoda na tabela classificativa. Vamos ver se no jogo que segue, diante do Petro de Luanda, um desafio extremamente complicado para nós, consigamos os três pontos, o único cenário interessante. Os adversários direitos estão muito próximo de nós, pelo que temos de dar o máximo para vencer o jogo com o Petro.

Onde têm estado a falhar?
É mais em termos de discernimento e eficácia dos jogadores. Sabemos que não é fácil preparar o grupo e no fim-de-semana ganhar jogos. Ainda assim estamos preparados, pois temos uma equipa altamente competitiva. Lamentamos que, às vezes, nos momentos derradeiros, os jogadores perdem golos fáceis. Nos treinos recomendamos os atletas a terem cabeça fria nesses momentos. A par da ineficácia, a sorte não tem estado do nosso lado.

Não acha que o excesso de juventude no plantel influencia?
Felizmente a equipa é uma miscelânea. Contamos com o Tuabi (jogador rotulado), o Orlando (há dois anos na equipa e a marca golos), o Letu (também bastante experiente). Acredito que no ataque não há inexperiência. No sector recuado, temos jogadores com três a quatro participações em Girabolas. Entre os reserva há atletas que o corpo técnico deu alguma oportunidade, como é o caso do André, do Rodrigo e do Sidrick, que são novos e temos de os moldar para ver se, com o tempo, se encaixam no modelo de jogo que pretendemos.

A equipa faz bons resultados em casa, mas fora nem tanto. Comente?
Quando uma equipa pretende fazer um campeonato tranquilo e ficar no meio da tabela, primeiro tem que pensar que os jogos em casa são para ganhar e o Desportivo da Huíla tem feito um excelente campeonato em casa. Teve três empates contra o Recreativo da Caála, Aademia do Soyo e, ultimamente, com o Libolo e estamos a pagar uma factura cara. Foram seis pontos perdidos e que nos colocariam numa situação mais cómoda. Quanto aos jogos fora, infelizmente ainda não conseguimos ganhar nenhum, mas tivemos quatro empates. Ainda faltam três jornadas, duas das quis jogaremos fora do nosso reduto. Tenho fé que conseguiremos pelo menos uma vitória.

Como caracteriza o moral do grupo?
Felizmente a direcção do clube faz de tudo para o motivar e, neste sentido, não temos problemas. O corpo técnico faz um trabalho psicológico para ver se, no fim do campeonato, façamos contas e dizemos que valeu a pena o esforço.

Trabalho de recuperação
domina a semana


A equipa treina num campo pelado. Comente…
A região da Palanca é alta. Aproveitamos treinar, no campo adjacente à Casa da Juventude, para dar velocidade à equipa. Temos apenas efectuado trabalho de recreação, na medida em que, nesse fim-de-semana, não houve campeonato.

Que comentário faz sobre o relvado do Estádio da Nossa Senhora do Monte?
Está mal tratado. Não sei como funciona o seu sistema de rega. Falta água e a Direcção de Energia e Águas do Governo Provincial da Huíla não tem capacidade de colocar lá duas cisternas. É bom que as pessoas de direito ataquem este assunto e colaborem com as pessoas que lá se encontram. De contrário, será um descalabro muito grande.

"É difícil mas possível"

Daqui para frente o que será feito?
Estamos a fazer contas. É imperioso para a equipa, nas jornadas que restam, ganhar os jogos e fazer seis pontos. Não é fácil, mas é possível. Temos é que lutar. Dependemos apenas de nós e a atitude dos jogadores vai contar muito. Teremos agora o jogo com o Petro de Luanda e, se pontuarmos, ainda que for um empate, somaremos trinta pontos. Obrigatoriamente teremos de ganhar o jogo a seguir, com o Santos Futebol Clube e depois, na última jornada, enfrentar o Futebol Clube de Cabinda, que é o nosso adversário direito. Ai, se calhar, no jogo com os cabindenses, estará tudo definido.

O esforço dos atletas será fundamental…
Nestes jogos não podemos contar com terceiros, pois as equipas estão extremamente fortes; têm feito um bom campeonato, principalmente o Futebol Clube de Cabinda, em franca recuperação. O Santos, quanto menos esperávamos, foi à Cidadela ganhar o Petro de Luanda, o que espelha como as coisas estão complicadas. Não podemos contar com ninguém, mas sim com o nosso esforço e fazer de tudo para concretizar o nosso objectivo.

Como encara o jogo com o Petro de Luanda?
Temos apenas de fazer a nossa parte. Olhar para a dimensão do Petro não será conveniente. Não se esqueçam que o Futebol Clube de Cabinda foi a Luanda e impõe-se, vencendo a mesma equipa por um zero, o que mostra que nada é impossível. Vamos incutir na mente dos jogadores que defrontar o Petro de Luanda é como se fosse com outra equipa da prova, prepara-los psicologicamente para primeiramente pensarmos na vitória. Acredito na minha rapaziada e que vamos conseguir.

"A direcção apoia-nos em tudo"

Este é o seu primeiro ano no Girabola como treinador principal. Tem sido uma tarefa difícil…
Como adjunto, dava conselhos ao treinador principal. Como principal, recebo-os de algumas pessoas sobre o desempenho da equipa e do trabalho do corpo técnico. Infelizmente, trabalhamos apenas duas pessoas (eu e o Zela, treinador de guarda-redes), pois estou sem um auxiliar. A pressão em termos de preparação é complicadíssima, mas somos profissionais.

Qual é o sector que merece maior atenção nesta fase?
Os três sectores preocupam-me muito, principalmente a defesa. Ainda assim estamos a defender muito bem, tanto mais que no jogo passado não sofremos golos. É necessário caprichar um pouco mais no ataque. Apesar de termos 30 golos marcados, falta ao colectivo o espírito de inter-ajuda e de luta.

Que estratégia utilizar daqui em diante para não descer de divisão?
Já temos praticamente o nosso modelo de jogo delineado. Temos vindo a utilizar a pressão alta. Vamos trabalhar mais em termos de intensidade e um pouco de velocidade. Escusamos de dar volume porque os atletas já não precisam de carga. Eles têm de manter estes níveis para ver se nos três jogos que restam estejam preparados.

Acredita na permanência no Girabola?
Sim. Se fizermos as contas, temos ainda quatro equipas atrás de nós. Vamos fazer tudo para permanecer. A minha rapaziada tem consciência disso e a direcção do clube faz tudo para ficarmos na prova.

Estão na décima segunda posição, com 29 pontos, situação que preocupa os aficionados. Que apelo faz aos sócios e adeptos do clube?
Que continuem a apoiar-nos, não sejam pessimistas, pois tudo é possível. A equipa ainda não entrou na zona vermelha, pelo que não podemos pressionar o grupo. Os sócios e adeptos devem continuam a dar força ao grupo e investir mais.

Como estão no que toca a lesões?
O departamento clínico já nos entregou o Amaphoko, que ficou quase um mês parado, o que constitui uma mais-valia. Vamos igualmente contar com o Orlando, que não jogou a partida passada. Em suma, estamos completos para o jogo com o Petro de Luanda.