Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

Estamos satisfeitos com o stimo lugar

Gaudncio Hamelay, no Lubango - 21 de Julho, 2010

Com mais apoio lutaramos pelo quinto lugar

Fotografia: Arimateia Baptista

Terminou recentemente a época basquetebolística.Que balanço faz da participação do Clube Desportivo da Huíla?O balanço é positivo.O Clube Desportivo da Huíla foi o que maior sangria sofreu. Ficamos apenas com quatro atletas do ano passado. O Desportivo foi a única equipa que venceu o Interclube, o Promede e o ASA, no Grupo B. Por isso, estamos satisfeitos com o trabalho de promoção do basquetebol huílano e  angolano, bem como o lançamento de jovens atletas. Vocês foram a equipa com menor média de idade do campeonato...Apesar disso conseguimos dar destaque a jovens vindos dos escalões de formação do 1º de Agosto e  do nosso clube, como o Luquila, que para mim foi um dos melhores jogadores do campeonato nacional juniores e uma agradável surpresa no escalão principal.A equipa técnica, a médica e a direcção do clube estão satisfeitas. Como avalia as condições postas à vossa disposição?Foram razoáveis, mas era necessário criar condições para mantermos os atletas no clube. Em três anos, a equipa de basquetebol perdeu no primeiro ano nove atletas e igual número no segundo. Neste terceiro ano, pela boa prestação que fizemos, tudo leva a crer que as grandes equipas angolano já repararam que a formação do Desportivo da Huíla é um grande viveiro. Não é à toa que, no primeiro ano, cinco jogadores foram para o Libolo, no ano seguinte foram dois para o Interclube, um para o Promade de Cabinda e outro para o Petro, mas que depois regressou. Se conseguíssemos manter a equipa base e trazer três reforços, poderíamos ambicionar ficar entre os cinco primeiros classificados da tabela geral. Em três jogos que fizemos com o Interclube vencemos um (por oito pontos) e tivemos muito próximo de vencer o segundo. Faltou experiência e peso por parte dos atletas. O Desportivo da Huíla fez a segunda fase sem os quatro postes que tinha, o Ezequiel (por lesão), o Johns que se encontra no exterior, o Ayrton (que faz a posição quatro) nem o base Hermenegildo Candala.  Comparativamente aos dois primeiros anos à frente da equipa, nota evolução no seu plantel?Sim. Era uma equipa muito mais jovem, com apenas quatro atletas do ano passado, que cresceu muito, fruto de muito trabalho, jogando um basquetebol de qualidade. Mesmo o 1º de Agosto, com todo o seu poderio, quando esteve cá, nos jogos da Taça de Angola e do campeonato, pelo resultado e pela qualidade que apresentamos, as pessoas que foram ao pavilhão nos agraciaram. A nossa equipa é constituída por jovens com um futuro promissor no basquetebol nacional. Se olharmos calmamente para as grandes equipas do país, dentro de um ou dois anos haverá necessidade de se renovarem. Tenho a certeza que os olheiros destas equipas estão atentos ao excelente trabalho que fazemos. É de opinião que esta época foi muito competitiva?Foi o ano com mais dificuldades, o que levou a equipa a crescer e ganhar maturidade. Praticamos um basquetebol ao nível das duas melhores equipas inseridas no Grupo B. Se houver aposta num projecto mais sólido, de dois ou três anos, nestes jovens, vamos ter um lugar de destaque no basquetebol nacional, o que para nós, técnicos, é sempre um objectivo. Porquê?Porque acabamos o campeonato e nunca sabemos o que vai ser o futuro, algo que não nos dá segurança. Ainda assim tenho a consciência tranquila.Conseguimos pela primeira vez participar nos campeonatos de cadetes graças ao apoio do"Projecto Logo" e do Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, o General de Exército Francisco Furtado, e do Banco BIC. Tivemos atletas que se destacaram na competição que decorreu me Benguela, apesar de sermos a equipa mais nova da prova. Se houver justiça, um dos nossos jovens tem de estar na Selecção de Sub-20. Isto demonstra o nosso crescimento e que nada temos a provar, pois o nosso trabalho está à vista. Em três anos conseguimos ser uma equipa equilibrada. "Com mais apoio lutaríamos pelo quinto lugar" O que lhe diz o sétimo lugar alcançado no Campeonato Nacional de Basquetebol?Em comparação com o ano passado, a juventude da equipa, aliada às condições de trabalho, já que fomos a equipa que começou mais tarde a preparação, considero o sétimo lugar honroso e brilhante, na medida em que haviam seis equipas com orçamentos superiores ao nosso. Ainda assim conseguimos jogar de igual para igual na ponta final contra o Interclube e contra o Promade de Cabinda. É um lugar honroso, mas que nos dá a sensação de que se houvesse um pouco mais de apoio, com os cinco atletas que perdemos, lutaríamos pelo quinto lugar. Que outras dificuldades enfrentaram durante a época? Foi na posição um, visto que, inicialmente, contávamos com um jovem, produto das nossas escolas, que acabou por ingressar na faculdade e o perdemos.Contávamos também com o Tandala e o Adilson. Nos últimos dois meses, o Desportivo da Huíla jogou sem os quatro postes que tinha.A saída do John Pedro, as lesões do Ayrton e do Ezequiel e por ficarmos um mês sem o Gomes, dado o falecimento da mãe, complicou as coisas. Uma equipa jovem que perde durante o campeonato cinco unidades e, consegue fazer os resultados que fez, dá um certo gozo. Com todo o respeito, não é vaidade alguma reconhecer o forte trabalho feito e a aprovação que estes jovens tiveram. Fizemos jogos de grande qualidade. Quer exemplificar?A nossa vitória, no campo do Interclube, foi um momento histórico para o clube e para os atletas. A forma como eles viveram o fim da partida, a alegria que tiveram em vencer uma equipa talhada para estar nos quatro primeiros lugares, não podemos esquecer. Com estas dificuldades todas, os meus atletas foram grandes heróis.   Como avalia o nível competitivo das outras equipas? Houve dois grupos totalmente diferentes:seis equipas bem reforçadas, com jogadores estrangeiros e experientes, que foram as quatro finalistas, o Interclube e o Promade de Cabinda.E havia um grupo, o nosso, com uma equipa jovem, a Lusíadas e as outras quatro que se equiparavam. Veja que o ASA, equipa que fez parte da "final four", apenas nos venceu por três pontos num jogo e por oito noutro. Significa que, apesar de sermos uma equipa jovem e não termos a mesma disponibilidade e qualidade de jogadores, conseguimos jogar a certo nível com equipas como o Interclube, o ASA e o Promade de Cabinda.O Petro de Luanda, o 1º de Agosto e o Recreativo do Libolo são formações com outro andamento. Além dos técnicos, da comunicação social e da população, acredito que a Federação Angolana de Basquetebol sentiu que o trabalho desenvolvido na Huíla teve mérito. Se olharmos para o futuro, não tenho dúvida que os atletas que passaram este ano pela nossa equipa em pouco tempo farão parte de selecções nacionais. "Nada mais tenho a mostrar " A época terminou e não sei o que será o amanhã. É com este espírito que parto brevemente de férias. Foi uma época muito desgastante e é justo que dê um pouco de atenção à minha família. Estou preparado para qualquer projecto, pois nada tenho a mostrar a ninguém! Estou ciente do trabalho que fiz, com muito esforço e dedicação, pela experiência que fui adquirindo quer com técnicos mais experientes quer pelo tempo que passei por Cabo Verde. Fale dos atletas que formou em Cabo Verde...Hoje, vejo o Mário Correia e o Rodrigues Mascarenhas a darem grande contributo ao 1º de Agosto e sinto-me regozijado porque foram jovens que começaram comigo no "Projecto Lar", em Cabo Verde, e vieram comigo a Angola. O trabalho feito anteriormente dá-me força e preparo para assumir qualquer outro. Se me perguntarem se gostaria de continuar na Huíla, diria que adoro esta província e gosto de viver no Lubango. Tenho aqui muitos amigos e um projecto de massificação de grande dimensão. Fale do projecto…Neste momento estamos com 149 jovens, mas é preciso criar condições para trabalharmos e para os atletas. É preciso ter um projecto sólido e não todos os dias viver nesta esperança de querer cada vez fazer as coisas a correr. O que quer dizer?Gosto trabalhar com projectos sólidos e é para isso que estou preparado. Vamos esperar calmamente, pois tenho a certeza que os dirigentes do clube, os amantes do basquetebol, a federação e os grandes empresários da província, que ainda não apareceram para nos apoiar, não vão deixar este grande projecto morrer de um dia para outro. Fale dos escalões de formação na província...Temos quinhentos alunos, dos quais 149 são do "Projecto Logo. Com o apoio de várias entidades, com realce para o General Pereira Furtado (que muito nos tem apoiado) e o senhor Fernando Duarte, do banco BIC estamos a trabalhar. Isto dá-nos a certeza de que se a Huíla continuar a trabalhar com força, vai ter dentro de três a quatro anos mais jovens jogadores na primeira equipa.Já pode apontar nomes?Alguns têm proposta para jogar em equipas grandes do nacional de basquetebol, o que é muito bom para nós. Significa que foi um trabalho bem feito. Não podemos esperar apenas que o Governo da Huíla nos dê apoio, apesar que ele pode ter um papel fundamental, puxando as grandes empresas existentes na província.Nesta senda, vou aguardar ansiosamente pelo desenrolar dos acontecimentos e o projecto que me for apresentado.Estou pronto para qualquer desafio que surgir. Arbitragem foi o elo mais fraco Que análise faz da arbitragem do campeonato?A arbitragem é algo que se falou muito durante o campeonato. Segui atentamente o Grupo A e todos os técnicos falaram dela. É, no fundo, uma chamada de atenção à federação. Talvez a arbitragem tenha sido o elo mais fraco da prova, não pelas pessoas que estão na sua comissão, visto darem-nos credibilidade, mas pela forma como certos árbitros conduziram os jogos. Veja, por exemplo, o desafio que tivemos em Cabinda, em que alguns atletas meus foram intimidados por um dos árbitros, algo que não pode acontecer. Há que se criarem boas condições para os juízes terem um salário condigno; para serem observados e castigados porque os treinadores e os jogadores, quando cometem erros ou situações irregulares, são castigados. O mesmo deve acontecer com os árbitros. O que está a sugerir?Tem de haver uma avaliação; saber quem está ou não a apitar bem; se há influência no jogo e quem influencia. Isto cabe à Federação Angolana de Basquetebol, na medida em que possui órgãos competentes para o efeito.Só assim teremos um campeonato cada vez mais competitivo, transparente e ninguém dizer que ficou prejudicado pelo árbitro.Os árbitros são uma componente do jogo mas os grandes obreiros são os jogadores dentro da quadra. É para isso que o público sai das suas casas para os pavilhões assistir aos jogadores. Os espectadores não vão ver os treinadores nem os árbitros.Os árbitros devem deixar que os próprios atletas sejam as estrelas dos campeonatos. Nós, treinadores, comissários, árbitros, fazermos simplesmente parte do espectáculo. Desta forma, estaríamos a dar o nosso contributo para Angola ser cada vez mais forte, em todos os sentidos. Já o é em termos de selecção e também na arbitragem e noutros factores tem de ser.  O título conquistado, antecipadamente, pelo 1º de Agosto era esperado…É um título justo, apesar daquilo que o Recreativo do Libolo, o Petro de Luanda e o ASA estão a fazer. Acho que o 1º de Agosto foi a equipa mais regular do campeonato; teve dificuldades, mas conseguiu as ultrapassar. Ai é que se vêem os grandes campeões. Fale da luta dada pelo Libolo…O Libolo revolucionou o basquetebol angolano, o que é bom. É importante que apareçam mais equipas para haver mais competitividade.Os treinadores e os jogadores vão ganhar muito mais com isso, bem como os órgãos de comunicação social. O Recreativo do Libolo venceu a Taça de Angola. Para ver que o 1º de Agosto, que nos últimos anos ganhava tudo, este ano não conseguiu. O Petro prepara uma equipa competitiva para o próximo ano, na medida em que fez algumas renovações.Destaco ainda o excelente trabalho que o ASA faz. Costumo dizer, em jeito de brincadeira, que o ASA e o Desportivo da Huíla são os grandes fornecedores de jogadores para outras formações. São as equipas que mais sangria sofrem e, mesmo assim, conseguem apresentar a mesma qualidade.