Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Este girabola será complicado

Avelino Umba - 03 de Fevereiro, 2011

Portela assume que a meta da direcção pode ser alcançada.

Fotografia: João Gomes

O Futebol Clube Bravos do Maquis tem este ano um novo treinador, o português Augusto Portela, que em 2006 foi técnico-adjunto no Interclube. Licenciado em educação física na especialidade de futebol, tem a missão de colocar a equipa entre os cinco primeiros classificados do Girabola de 2011. Os motivos dessa exigência, a realidade que encontrou na equipa e a visão que tem sobre o futebol angolano foram alguns dos assuntos abordados na entrevista que concedeu a este jornal.

Que informações tem sobre o futebol angolano?
Primeiro, é que tenho experiência na formação e, digamos assim, durante o tempo que estou no país, acompanhei o clima de formação e o que me saltou à vista é que é preciso apostar muito nesses escalões. Precisam de muito apoio. Acho que há muitos talentos. No meu ponto de vista, precisam de refinação, mais organização e pensamento táctico no jogo.

Como caracteriza o futebol angolano?
Tem um futebol e um campeonato evoluído e muito competitivo. Dada a minha experiência, adquirida anos atrás, constatei que o futebol aqui cresceu. Não é por acaso que o país construiu novos estádios, não apenas para CAN, mas para que o futebol nacional evoluísse de maneira que pudesse ombrear com qualquer equipa nas competições africanas.

O que espera do Girabola de 2011?
Espero que seja mais competitivo que o do ano passado e até já começo a sentir isso, os clubes estão a contar com bons reforçados. No caso concreto dos clubes que subiram à I Divisão, apesar de algumas dificuldades que vão encontrar, podem entrosar-se na competição. Vai ser, acima de tudo, um campeonato muito complicado. Vamos procurar ganhar todos os jogos contra todas equipas que vamos defrontar. 

O Girabola 2011 vai ser complicado porquê?
Porque toda a gente treina para ganhar. Como disse, todas equipas estão a ser reforçadas e acredito que todas elas estarão no mesmo patamar, embora reconheça que só as equipas que se prepararem melhor é que obterão vitórias e pontos.

Que novidades trás para a equipa esta época?
O clube já estava organizado, mas ajudei a melhorar algo, mais precisamente no trabalho de campo. A minha vinda para o Maquis ajudou a mudar a mentalidade dos jogadores em termos competitivos. Há passos a ser dados para que jogadores tenham outra consciência, do ponto de vista profissional. A vinda de treinadores estrangeiros deve reforçar cada vez mais a consciência dos jogadores. Não estou a dizer que técnicos angolanos não o possam fazer. Conheço alguns deles e sei que trabalham bem. Só que, no meu ponto de vista, nós podemos acrescentar mais um pouco de profissionalismo. Este ano, quero incutir uma outra forma, rigor, disciplinada e organização, de forma a agradar os sócios e adeptos do Maquis. 

O rigor e a disciplina são as palavras de ordem do Maquis este ano?
Se quisermos fazer melhor do que na época passada, temos de lutar pelos lugares cimeiros, o que implica essa actuação.

“Objectivo é colocar
o Maquis numa posição aceitável”

Esteve em Angola, pela primeira vez, em 2006, a trabalhar para o Interclub como técnico-adjunto e agora está como técnico principal do FC Bravos do Maquis. Que razões estão na base da escolha da equipa do Moxico?
O profissionalismo obriga-nos a este tipo de coisas. Sou licenciado em educação física, fiz a opção pelo futebol porque foi a especialidade que estudei na Universidade, sobretudo o futebol de alto rendimento. Depois, saí do meu país, trabalhei dois anos no Koweit. Isso acumulou em mim bastante experiência para trabalhar em qualquer ponto do mundo. Vim a Angola em 2006 e agora estou no Maquis, depois de receber propostas de diversos clubes.

O contrato com o Moxico satisfaz?
Satisfaz. Quem me conhece, sabe que, acima de tudo, ando na vida para melhorar continuamente. O dinheiro leva, muitas vezes, as pessoas a pensarem que o treinador de futebol ganha balúrdios, o que não corresponde à verdade. No meu caso, o contrato satisfaz-me em termos de objectivos propostos pela Direcção do Clube.

Para quantas épocas celebrou o contrato?
Assinei por um ano e mais um de opção. Vamos ver como as coisas vão correr. O objectivo é colocar o Maquis numa posição aceitável e ficar o Girabola durante muitos anos. Na apresentação da equipa, o presidente do Clube disse que o objectivo da equipa é estar nos cinco primeiros lugares. Normalmente, os objectivos têm de ser ambiciosos e atingíveis. Como treinador, acho que é possível chegar a esse objectivo. Tudo vai depender de alguns factores que, por vezes, não dependem de nós, mas de outras coisas, que no meu ponto de vista estão a ser trabalhadas para que os objectivos sejam concretizados. Rezo para não haver muitas lesões nem castigos. Esses factores têm às vezes influenciado no rendimento de uma equipa.

“A primeira
partida é para ganhar”

O Maquis joga na primeira jornada com o Benfica de Luanda. Que informações tem do adversário?
Conheci o Benfica de Luanda o ano passado através do seu treinador. Hoje tem um novo. Não conheço o seu pensamento em termos de jogo. Tem a sua personalidade e os jogadores jogam normalmente com a imaginação e filosofia do seu treinador. Assim sendo, não sei se a equipa vai jogar no mesmo sistema ou não. Os jogadores que lá estão, não sei se são os mesmos que farão a primeira volta, se terão outros reforços. De qualquer forma, ficaremos atentos. Sendo o primeiro jogo, é para ganhar. Os três pontos que sejam levados para casa do Maquis.

O plantel satisfaz?
Sim, mas deve satisfazer mais do que estou a pensar. Deve superar-se colectivamente e individualmente. Principalmente os jogadores que estão desde o início da época passada. Quando se trata de reforços, é mesmo para reforçar. Reforçar é sempre ser melhor que aquele que lá está. Isso acontece só com muito trabalho de campo. Vamos ter um estágio no Brasil e depois disso poderemos caracterizar se os jogadores estão todos em sintonia com a ambição da equipa.

Sendo o Maquis uma equipa do interior e com adeptos exigentes, que relação gostaria que eles tivessem com a equipa?
Aos adeptos normalmente interessa mais dos resultados positivos. É necessário muito trabalho, muito rigor, transparência e apoio. É isso que os adeptos do Maquis precisam de perceber e cultivar, no sentido de motivar a sua equipa quando jogar dentro ou fora de casa.

Perfil
Nome:
 Augusto Daniel Portela da Silva
Naturalidade: Povoa do Varzim
Nacionalidade: Portuguesa
Data de Nascimento: 9.3. 1968
Estado Civil: Solteiro
Filhos: Nenhum 
Desporto ideal: Futebol e ténis
Prato Preferido: Tudo a base de peixe
Bebidas: Agua
Princesa: Minha esposa
Cor preferida: Azul
Moda: Faço a minha
Verão ou Inverno: Verão
Esplanada ou discoteca: Esplanada
Boleia ou volante: Volante
Droga: Um mal por combater