Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

\"Estive na criao das Federaes\"

Jo?o Francisco - 17 de Julho, 2017

Rogrio Nunes da Silva

Fotografia: Jornal dos Desportos | Edies Novembro

DIRIGENTE
“Estive na presidência da FAX durante 18 anos”

Quais são as modalidades que praticou ao longo da sua carreira desportiva?
No escalão de cadetes e juniores pratiquei oficialmente as modalidades de basquetebol( Clube Ferroviário de Angola), ginástica, xadrez, futebol e futebol de salão ( Sporting Clube de Luanda). No escalão sénior pratiquei as mesmas modalidades apenas no desporto universitário e militar.

A passagem no Xadrez foi um dos momentos mais áureos que teve no dirigismo desportivo?

Não é de descartar esta possibilidade, pois cheguei inclusive à Federação Internacional de Xadrez - “FIDE” , onde participei activamente desde 1980 até à presente data tendo desempenhado os seguintes cargos: 1983 a 1990 - Presidente da Zona 13 ( Egipto, Sudão, Kénia, Uganda, Zâmbia, Zimbabwe, Moçambique, Botswana, Angola, Zaire e Nigéria ) , membro do Comité Central, membro da Comissão para África do Sul . Como membro desta última Comissão fui activista severo contra o regime de apartheid , tendo sido proponente de resoluções que conduziram à expulsão da África do Sul da FIDE em 1988 e a um regime de sanções severas para os jogadores filiados na FIDE que jogassem em território sul-africano.

Como foi o surgimento da Federação Angolana de Xadrez (FAX) ?

Em 1975 com a Independência Nacional de Angola abraço a tarefa de erigir a estruturação da modalidade de Xadrez , tomando parte como membro do Grupo dinamizador da modalidade. Em Fevereiro de 1979, passo a membro fundador da Federação Angolana de Xadrez(FAX) sendo nomeado seu presidente, cargo em que exerci até 31 de Dezembro de 1997 ( 18 anos ). Nestas funções fui mentor do plano de desenvolvimento do Xadrez angolano que conduziu à generalização da prática deste jogo em Angola , tendo produzido seis Mestres Internacionais, dois Mestres FIIDE e à conquista de cinco títulos consecutivos de Campeão Africano de Juniores ( de 1993 a 1997 ). 1990 a 1994 - membro do Comité Central e co-presidente da Comissão de assistência aos países com xadrez em desenvolvimento.

O que lhe apraz dizer sobre a existência de torneios internacionais que escasseiam no país a cada ano que passa?
É importante a realização de torneios internacionais, e isso não só no Xadrez. Nós devíamos ter torneios internacionais aqui. Porque quando vamos no estrangeiro o acesso aos torneios internacionais é limitado a certa elite. No mandato passado na FAX, conduzido pelo presidente Aguinaldo Jaime, existiram vários torneios internacionais, onde teve acesso um número pouco considerável de jogadores, por estes terem sido disputados em sistema fechado ( todos contra todos). Devemos equacionar a possibilidade de no futuro realizarmos mais torneios internacionais no sistema "suíço" ( abertos).

Jornal dos Desportos: Sempre defendeu a aquisição de moldes para fabrico de material de Xadrez em Angola. Mantêm esta ideia?
Rogério Silva: Sim. Essa minha opinião foi emitida numa conjuntura económica completamente diferente da actual. Nessa altura existia uma certa Indústria e uma Indústria de plástico bastante boa, seria possível. Quando a conjuntura económica do País mudou, passou a haver a abertura no mercado para as importações, obviamente que a questão teria de ser equacionada de uma forma diferente, porque ter-se-ia que se avaliar se ficaria mais barato importar ou fabricar as peças aqui.  Penso que será sempre útil termos a possibilidade de fazer as peças de xadrez aqui. Eu penso que será sempre útil ter a possibilidade de fabricar as peças aqui. E neste momento de diversificação da economia, podemos equacionar uma forma de termos peças de xadrez sem gastar divisas: fazermos peças em madeira.

Que forma seria equacionada?
É preciso é que os industriais da transformação da madeira possam ter uma avaliação de qual é o potencial do mercado para produzirem as peças de xadrez em madeira e em quantidade que dê rentabilidade.  Como sabe temos seis(6) tipos de peças ( Rei, Rainha, Cavalos, Torres, Bispos e Peões) diferentes, teremos que mudar o comando da máquina pelo menos seis vezes para produzir-mos as peças, sendo que algumas poderão exigir uma certa mestria para produzi-las com perfeição. Mas, poderá ser uma via.

Significa por esta ordem que as peças de plástico estão fora de questão?
As peças de plástico na fase actual serão difíceis, porque teremos de importar matéria prima: Corantes ( para fazer peças mais claras e outras mais escuras), comprar um molde para faze-las, onde se pode ejectar duma só vez as matérias primas. Para isso temos que ter 100% das matérias primas todas importadas, tudo isso teria que ser equacionado . Mas, não há dúvidas que se quisermos continuar a massificar o xadrez temos que ter capacidade para produzir não só as peças mas também os tabuleiros. Os tabuleiros são mais fáceis, pois podem ser feitos de cartolina, serão descartáveis depois de um certo tempo de uso ou em plástico. Portanto, não ponho agora com a mesma acutilância, como anteriormente, a aquisição por parte da Federação Angolana de Xadrez (FAX) de um molde de fabrico de peças de xadrez.

Podíamos já equacionar este processo de fabrico para a médio ou curto prazo?
Neste momento ponho isso de lado. Não é função da FAX ser a produtora de peças. E mesmo para a produção nacional, nós teremos também que nos acautelar, porque ao que eu saiba há muita importação de material que não obedece ao  pagamento de direitos alfandegários. As pessoas viajem, trazem dez/ vinte tabuleiros, peças de xadrez, jogos, relógios, e não pagam direitos. Eu já tive no meu estabelecimento intenção para comercializar material desportivo, peças de xadrez. Mas, cheguei à conclusão que com essa concorrência desleal, pouca possibilidades tenho de vender e fazer uma rotação boa de stocks de importação para venda. Portanto, pus isto de lado.
 
E quanto à existência de núcleos de xadrez um pouco por todo o país que sempre defendeu?
Defendia sempre era a existência de núcleos de xadrez um pouco por todo o país. Apesar do xadrez ser uma modalidade individual, nós (FAX), devíamos estar sempre ligados a um núcleo ou clube. Defendi que cada jogador tinha de estar filiado a uma entidade colectiva, porque é sempre melhor a Federação relacionar-se ou gerir a existência da modalidade com uma instituição do que individualmente com os jogadores. Por outro, um dos objectivos da pratica do desporto é incutir/ produzir nos atletas o sentimento de colectividade, de equipa. Conseguimos manter isso por força dos regulamentos(...).

Esta política se resume apenas aos Xadrez?

Mesmo para as outras modalidades, não só para o xadrez, sempre defendi também a existência de Centros de Aperfeiçoamento. Nesta perspectiva, serão os melhores jogadores que vão para estes Centros corrigir os novos talentos que possam surgir. O Xadrez é um caso particular, obviamente, que se existir um Mestre que possa corrigir algumas interpretações menos boas de jogadores com base nas Novas Tecnologias, que surgiram hoje em dia com a evolução, obviamente vamos melhorar. Seguindo a pirâmide invertida temos que ter um leque de jogadores de top, que coloquem em outros jogadores a fasquia de atingir aquele patamar.

Quanto a esta questão de recurso às Novas Tecnologias que sugestão lhe convém fazer aos agentes da modalidade?

Sobre isso, do recurso dos xadrezistas a programas específicos de Internet para aumentarem os seus conhecimentos, tive uma conversa recente com o actual Presidente da FAX, o Engenheiro Tito Correia Martins, que me garantiu estar no programa da federação a abertura de um Cyber, cuja existência seria para uso exclusivo à pesquisas na modalidade, onde aqueles jogadores que não têm recursos financeiros para ter um computador próprio ou telefones com funções para suportarem várias aplicações, pudessem sempre recorrer para aumentarem os seus conhecimentos.  Será razoável que na FAX  exista uma estrutura que se encarregue do aperfeiçoamento dos jogadores com boa margem de progressão (...).


OBRA
“Contribui na criação das Federações Nacionais”


Fale-nos um pouco das géneses do Desporto Angolano, desde os contactos que deram origem ao reconhecimento das Federações Nacionais nos Organismos Internacionais…
Em 1979 eu e mais outros dirigentes fomos escolhidos para integrar uma delegação de dirigentes desportivos angolanos que se deslocou à Europa para inscrever as cinco(5) primeiras Federações Angolanas nas respectivas Federações Internacionais, a partir das quais se fundou o Comité Olímpico Angolano, de que sou co-fundador.

O que nos pode dizer sobre a sua experiência no olimpismo e em outras instituições Desportivas angolanas….

 Em 1991, sou nomeado Vice - Presidente do Comité Olímpico Angolano. Em 1992 sou designado Chefe de Missão aos Jogos Olímpicos de Barcelona. Em 1993 nas primeiras eleições democráticas para o Comité Olímpico Angolano fui eleito Presidente com o apoio de 16 das 17 Federações Nacionais, tendo sido reeleito em 1997 e 2001. De 2005 a 2003, fui Director da Academia Olímpica Angolana. A partir de 1993 dirigi toda a reestruturação do Movimento Olímpico Angolano, libertando-o da tutela do Estado, fazendo-o participar activamente no Movimento Olímpico Internacional, nomeadamente nas actividades da ACNOA e nos programas da Solidariedade Olímpica e da Academia Olímpica Internacional.


“Sempre estive ao serviço da Indústria angolana”


Soubemos que depois da independência de Angola ocupou cargos relevantes em sectores chaves da Economia Angolana: Esteve na Induve, Fabimor, etç, quer falar-nos um pouco sobre esta fase…

A minha actividade profissional foi naquela altura exercida no domínio da gestão e administração de empresas industriais: Em 1971 iniciei a carreira profissional na FABIMOR - Fabrica de Bicicletas e Motorizadas, SARL, em Luanda, que na altura fazia parte do Grupo Sécil, como chefe do departamento de tratamentos químicos de superfícies, onde permaneci até finais de Julho de 1975. Em 1975, de Agosto a Dezembro      trabalhei na cooperativa de cinema PROMOCINE , tendo colaborado como responsável do laboratório químico na produção do filme do acto solene de proclamação da Independência Nacional de Angola. A partir de 1976 ingresso na INDUVE - Industrias Angolanas de Óleos Vegetais , SARL ( a maior fábrica de óleos e sabões de Angola) iniciando como Chefe de Estudos e Projectos e Chefe da Produção de Sabões, sendo de 1980 a 1984, Director - Geral Adjunto e 1985 a Março de 1990, Director Geral. De Junho de 1986 a Março de 1990, fui Director Geral da Fabimor – Fábrica de Bicicletas e Motorizadas, empresa então em regime de intervenção estatal , em representação do Estado Angolano, ( cargo que desempenhei em acumulação com o de Director Geral da Induve) tendo empreendido a reestruturação da empresa para a montagem de motorizadas Simson e bicicletas. De Abril de 1990 a Março de 1991, fui Director da Divisão Automóvel da Lusolanda ( empresa do grupo LONRHO, representante em Angola da Peugeot, Suzuki, Daihatsu e IVECO). De Abril de 1991 a Junho de 1998 dediquei-me à actividade própria negócios no ramo farmacêutico e no comércio de representações . Em Julho de 1998 inicio a actividade consultoria de administração de Holding Luso -angolana Tecnocarro. Frequentei vários estágios e seminários de gestão e administração de empresas em Angola e em Portugal. Em 2002 estabeleço-me como empresário do ramos de peças auto motivas, criando a empresa GNS – Grupo Nunes da Silva, lda e, em 2013 adiciono às minhas actividades empresariais o ramo de comércio de artigos desportivos estabelecendo com outros sócios a empresa CSZ- Desporto e Lazer, lda.


“Cheguei a ser  sondado para vice-ministro”

O decano do desporto angolano, Rogério Silva, 71 anos, defendeu na sequência da "Grande Entrevista" que nunca foi sondado pelo Executivo angolano para ser Ministro da Juventude e Desportos, mas que foi "piscado" para ser Vice - Ministro, proposta que não se concretizou por ter sido preterido por um outro "candidato"...

Alguma vez foi sondado para ser Ministro da Juventude e Desportos da República de Angola?
Não. Mas, fui sim informado pelo camarada Justiniano Fernandes que ele teria me indicado ao seu sucessor no Ministério da Juventude e Desportos para eu ser Vice-Ministro. Mas o seu sucessor preferiu outra pessoa. São episódios que não passaram depois disso. Não tenho aspirações políticas. Tive uma recomendação do meu pai que me disse uma vez "ó rapaz nunca te metas na política".

Tem "fama" de ser apartidário. É verdade?

Procuro ser apartidário. Mas até fiz uma publicação no faceboock onde escrevo que: "A partir dos 10 anos de idade na minha vida tive sempre a presença do MPLA. Quase todas as pessoas da minha geração. Até os meus colegas do Liceu que emigraram para Portugal, também se reviam no MPLA. Tudo isso teve a influência, mas nunca tive pretensão de me filiar para seguir uma carreira política(...).

Como avalia o contribuição do cidadão José Eduardo Dos Santos, Presidente da Republica, ao desporto angolano?

 O Contributo do Presidente José Eduardo dos Santos ao desporto foi expresso por ele próprio quando um dia disse que: " É um homem do desporto emprestado à politica"(...).  E isso de facto, fez com que nós( desportistas) estivéssemos sempre, mesmo nas horas mais difíceis do país, não só o apoio, mas o carinho especial do Presidente da Republica para a actividade desportiva. Tive ocasião de estar na tribuna principal, onde estava e sobre o desporto falava sempre com muito entusiasmo.

O perfil do cidadão José Manuel Lourenço se enquadra para Presidente da República de Angola….

Acho que sim. Conheço-o bem. E ao longo do tempo acumulou experiência suficiente para o cargo que vai ocupar caso vença as eleições de 23 de Agosto deste ano (2017).... Tudo aquilo que tenho ouvido nas intervenções dos diverso candidatos, pessoalmente, é o candidato favorito. Está mais bem preparado, com maior conteúdo, não só do país, mas sobre aquilo que pretende fazer
Por outro lado, reconheço no candidato João Manuel Lourenço um perfil que terá adquirido bagagem mais que suficiente para vir a ser um bom Presidente da República: Foi Ministro, Governador , esteve como Vice - Presidente da Assembleia Nacional e mesmo no seio do Partido que o indicou também. Ele tem um bom perfil para Presidente da República(...).


XADREZ
ELO condiciona constituição da Selecção Nacional


O que é para si determinante para a constituição de uma Selecção Nacional de Xadrez?
Para mim um dos instrumentos mais fortes que há no Xadrez é a existência do ELO( Pontuação e Classificação dos jogadores) que seja determinante para a formação da Selecção Nacional. E tem que haver uma regularidade ao longo de uma época de torneios que contam para este sistema de classificação e pontuação dos jogadores. E isso não pode estar apenas circunscrito a Luanda. A FAX terá que ter meios para alargar para as outras províncias onde se pratica do Xadrez, e alargar a possibilidade de realizar torneios que contem para o ELO.
 
Qual é a sua sugestão a este propósito?

Tenho sugerido a FAX que aproveitando as efemérides das cidades capitais de cada província, com as autoridades locais, possa influenciar as entidades de decisão a organizarem torneios pontuáveis para o ELO Nacional e, que vão formar um "circuito nacional" de provas para assegurar uma certa regularidade de modo a proporcionar aos jogadores das outras provinciais um contacto mais frequente entre os bons jogadores e aqueles que querem ascender.

JD: E como deve ser feita esta simbiose?

Ter torneios internacionais é bom.  Mas, a Federação tem de ter outros mecanismos, e para mim o mecanismo mais forte que há é esta obrigatoriedade da lista ELO, e esta lista ser o critério primeiro para a Selecção Nacional. Quando nós estávamos na FAX( eu e a minha equipa), tinhamos regulamentos escritos. Julgo que um dos males que aconteceu na FAX, depois de nós sairmos de lá, foi terem posto de lado os regulamentos de competições e participantes, onde constava tudo sobre o rigor da aplicação de tudo em termos de competição e dos praticantes: provas e sua respectiva inscrição, etç, etç. Obviamente que estes regulamentos, à luz das novas regras internacionais (partidas rápidas, novos ritmos de jogo que foram surgindo, terá que ser actualizado. Mas, é importante que haja rigor da aplicação dos instrumentos criados. Tem que haver uma regulação de tudo legislado(...).


Academia Olímpica
Cuida de acções formativas do COA


A Academia Olímpica Angolana (AOA), vector importante no apoio ao Comité Olímpico Angolano (COA) tem servido o objecto para o qual foi criado?
Tem. A Academia Olímpica de Angola é o centro de formação do COA. Tudo o que é formação passa pela Academia. Nós temos feito muitas acções formativas ( cursos de dirigentes desportivos), não só em Luanda como noutras provinciais. Temos enviado e recebido bolseiros que se formam no exterior do país em Gestão Desportiva...

O que deve ser melhorado no funcionamento da Academia Olímpica Angolana?

Faltará à Academia Olímpica, centralizar um bocado as suas actividades com núcleos para as outras províncias vocacionados ao ensino do olimpismo, sobretudo. Também carece de uma maior inserção nos meios académicos universitários( junto das universidades) para o ensino do olimpismo ( Estudo mais aprofundado das questões olímpicas: filosofia do olimpismo, historia do olimpismo, A importância do olimpismo na Educação, historia dos jogos etç). Há muitos temas sobre o olimpismo que podem ser abordados a nível académico. Esta será talvez, neste momento, a parte que falta desenvolver na AOA. E em função disso terá que haver maior divulgação do que a Academia faz. E a sua pergunta é reveladora desta falta de informação. A AOA faz muita coisa. Provavelmente há muita que não sabe que há jovens que vão a Academia Olímpica Internacional através da AOA.

Como está o projecto Olimpáfrica?
O projecto vai ter uma reviravolta importante. O COA foi forçado a mudar o âmbito para qual foi criado o Olimpáfrica. O objecto principal era ter a proximidade com a comunidade. Com o aumento ou crescimento do município de Viana onde está localizado o projecto, este objectivo deixou de ter qualquer sentido, agora o projecto está inserido num meio urbano . Remeto os detalhes destes projectos para o actual Presidente da Comissão Executiva do COA, Gustavo da Conceição...


Perfil
Nome completo Rogério Torres Cerveira Nunes da Silva
Data e local de nascimento 28 de Março de 1946 em Ondjiva - Cunene - Angola;
Estado Civil Casado com Esperança Marques Nunes da Silva

Títulos honoríficos 
Xadrez

Membro Honorário da FAX desde 1997;
Membro Honorário da FIDE desde 1998;
Mérito: Diploma de Mérito da Cidade de Luanda em 2002;
CISM: Grau de Cavaleiro do Conselho Internacional do Desporto Militar “CISM”;
COA: Em 19 de Junho de 2015 foi eleito Membro Honorário do COA.