Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

Estou disponvel para a seleco

24 de Outubro, 2013

A actual melhor referncia do futebol nacional no exterior do pas, confessa no ter digerido, ainda, o afastamento precoce dos Palancas Negras

Fotografia: Jornal dos Desportos

O internacional angolano Mateus Galiano afirmou ontem, em entrevista ao Jornal dos Desportos, faltar quase tudo ao futebol angolano, para que atinja os níveis desejados. O extremo do Nacional da Madeira da I liga portuguesa acredita que a actual realidade exige uma urgente reflexão. A actual melhor referência do futebol nacional no exterior do país, confessa não ter digerido, ainda, o afastamento precoce dos Palancas Negras das eliminatórias de qualificação ao Mundial de 2014, no Brasil.

“Falta quase tudo. Mais ambiente profissional à volta dos jogadores, melhores condições proporcionadas pelos clubes, mais apostas nas Academias que formam novos talentos e, de acordo com as exigências do futebol internacional, maior visibilidade do campeonato angolano”, adianta a enumerar o profissional angolano de 28 anos.

“Precisamos de mais e melhores relvados e ter consciência de que ainda falta muita coisa para nos tornarmos uma referência do futebol africano. Há talento, o que falta é fazer melhor aproveitamento desse talento” acrescentou.Mateus Galiano garante que não tem sido fácil “digerir” o afastamento da Selecção Nacional do grupo de países que vai ao Mundial, porque “existe a sensação de que podíamos ter ido mais longe”. “O futebol em Angola precisa de uma urgente reflexão, porque não estamos a obter os resultados que as pessoas esperavam”, refere o jogador, que sugere ainda uma rápida procura de soluções que permitam inverter o actual quadro desolador.

COMPETIÇÕES
“Temos de assumir os erros”

Mateus Galiano, sem rodeios, frisou que “temos de perceber porque é que isso acontece para não continuar a desiludir. O que mais me custa ver,é a  desilusão que o nosso insucesso provoca nas pessoas. Eu adorava estar no Mundial mas gostava ainda mais pela satisfação que isso ia dar ao povo angolano”. O também “capitão” do Nacional da Madeira acredita que o insucesso dos Palancas “foram os resultados”, embora em alguns casos admita que a Selecção tenha merecido mais do que os resultados que obteve.

“Mas temos de assumir o falhanço e que houve erros que se cometeram e que não pode continuar a serem cometidos. Por isso é que digo que é necessário que as pessoas reflictam no que se tem passado, fazer esse diagnóstico e agir em função do que deve ser o interesse do país e da sua representação”.

CONFISSÃO
Fidelidade
aos Palancas

A Selecção Nacional continua a ser encarada por Mateus Galiano como uma das suas grandes prioridades. O jogador do Nacional da Madeira assegura que sempre vai manter-se fiel aos objectivos da selecção e aos propósitos do país, porque está em primeiro lugar. “Estou sempre disponível para a Selecção Nacional, hoje mais do que nunca”, disse.

O jogador das vezes que já tfoi convocado para estar ao serviço dos palancas Negras trabalhou com vários treinadores, como Oliveira Gonçaves, Lito Vidigal, Mario Calado e Gustavo Ferrín. De seguida o jogador que muitas vezes dá nas vistas no campo e balneários dos Palancas Negras, sustentou que mais do que um desafio pessoal da carreira, representar os Palancas é para si um orgulho. “Quero continuar a ajudar a selecção. Devia ser  mais fácil para mim concentrar-me apenas no meu clube, mas não deixo o meu país e a minha
selecção”.

Quero ajudar o Nacional
nas provas europeias

Os objectivos imediatos de Mateus Galiano na carreira que protagoniza em Portugal confundem-se com os objectivos do clube. O craque angolano considera não haver objectivos individuais que se sobreponham aos desejos do colectivo. “Quero ajudar o Nacional a qualificar-se para uma competição europeia, quero ajudar o clube a manter o seu estatuto de um dos melhores do campeonato. Eu sei que é uma época em que o clube investiu, mas fê-lo de uma forma inteligente, porque manteve a competitividade da equipa”, esclarece o extremo ofensivo, que faz questão ainda de assegurar não ter dúvidas de que o Nacional tem valor para continuar a ser uma das melhores equipas do campeonato português.

“Pessoalmente, espero passar as minhas marcas, sobretudo de golos marcados. Quero marcar entre dez a 15 golos no campeonato. Não é fácil, porque não marco grandes penalidades no clube, porque temos aqui um dos maiores especialistas da liga, o Claudemir”. Embora cumpra o seu penúltimo ano de contrato com o clube madeirense, o internacional dos Palancas acredita que está “estável no Nacional” e disposto a ficar quantas épocas mais forem possíveis.

“Não excluo a possibilidade de terminar a minha carreira aqui. Sou muito bem tratado, as pessoas contam sempre comigo, o presidente é fantástico e é principalmente um amigo que eu tenho no futebol, os adeptos tratam-me com muito carinho e atenção, a minha família adora estar aqui”, admite.
Durante algum tempo, Mateus confessa que alimentou o sonho de transferir-se para o Sporting, Porto ou Benfica, os clubes de referência no campeonato português, mas hoje garante ser já tarde.

“Vou ser completamente honesto: acho que só não termino a carreira aqui se aparecer uma proposta financeira de um clube no estrangeiro, que me permita fazer um grande contrato e que isso resolva a minha vida familiar para sempre”, assegura.

FRUSTRAÇÃO
O Sporting de Portugal foi um dos clubes grandes que estiveram quase a assegurar o passe de Mateus Galiano. O jogador disse que a transferência não se efectivou por pormenores, com o clube lisboeta a tentar a contratação em duas ou três ocasiões. “Isso esteve para acontecer. Houve contactos com o meu representante e principalmente com o Sporting e as coisas chegaram a estar muito desenvolvidas. Mas depois há sempre situações que escapam ao nosso controlo, tem a ver com a negociação entre clubes, outras vezes entre empresários e acabei por ficar no Nacional”, lamenta a actual maior referência do futebol angolano em Portugal.

“Gostava de ter tido a oportunidade de jogar num dos grandes, acho que me destaquei o suficiente, nestes anos todos, na Primeira Liga, para o merecer, mas não aconteceu. E não acredito que vá acontecer”, atirou Mateus, numa clara demonstração de  perda de esperança. Ao contrário deste começo de época, o internacional angolano considera que a temporada passada “não correu muito bem”, apresentou como justificação o facto de o Nacional ter sido “ irregular” e falhado o principal objectivo da temporada, que passava por chegar a uma competição europeia. “Pessoalmente, acabei por ser um dos melhores marcadores do Nacional, mas gosto de olhar para as coisas de uma forma colectiva. A equipa falhou o seu objectivo principal, porque falhámos todos.
Paulo Caculo

COMPETIÇÕES
Tenho boa relação com os golos


Mateus Galiano não se considera um exímio goleador, mas admitiu nesta entrevista ter uma relação muito íntima com os golos. O extremo acredita ser muito difícil lutar pelo título de melhor marcador do campeonato português na posição em que joga e garante que nunca foi seu objectivo conquistar o troféu de goleador, apesar de identificar-se como um jogador habituado a fazer golos. “Os melhores avançados estão nos melhores clubes e com grandes jogadores a servi-los. Além do mais, como disse, não marco as grandes penalidades da equipa e isso era fundamental para um jogador do Nacional destacar-se como melhor marcador do campeonato. Mas o objectivo nunca foi ser o melhor marcador do campeonato, embora tenha desenvolvido uma boa relação com o golo.

SATISFAÇÃO
Estou na história do clube


Mateus Galiano garante ter escrito já com letras de ouro, o percurso na carreira que cumpre ao serviço do Nacional. O jovem crescido na Samba não esconde a enorme satisfação pelo facto de ter chegado à condição de “capitão da equipa” madeirense, feito que considera confortante. “O facto de ser hoje o capitão da equipa significa que estou na história do clube e que isso me enche de satisfação.

É uma grande responsabilidade, porque sinto que estou a representar um grande clube, os seus dirigentes, o seu treinador, mas estou preparado para esse desafio”, sublinha ter maturidade suficiente para saber o que significa uma braçadeira de capitão e as responsabilidades que lhe estão associadas. “É um orgulho enorme e cada vez que a uso penso que não posso desiludir as pessoas que tomaram a decisão de me entregar esta responsabilidade tão grande. Mas gosto  de ser capitão do Nacional”.

O internacional angolano considera ainda estar feliz pelo facto de ter construído uma carreira à custa de “pulso, muito trabalho e sacrifício”. Valoriza o facto de que, desde que chegou ao clube português, ter sido capaz de estabilizar a carreira e tornar-se no jogador diferente. “Acredito que evoluí muito e penso que construí uma carreira de que me orgulho. Se tivesse tido uma oportunidade de jogar num dos clubes grandes de Portugal, podia ter sido um jogador ainda mais reconhecido, mas tenho um orgulho imenso no que já fui capaz de alcançar até hoje”.