Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Estou satisfeito com o trabalho que fao

On-line = Ado de Sousa - 18 de Julho, 2012

Carlos Quimuanga com uma carreira cheia de orgulho pelo trabalho

Fotografia: Ado de Sousa

Carlos Manuel Quimuanga, 53 anos, mais conhecido pelos seus amigos por “Kota Carlos”, natural de Camabatela (Kwanza-Norte), é um treinador com um percurso cheio de recordações na formação de atletas.

Influenciado por Domingos Inguila, Carlos Quimuanga encheu-se de coragem para começar a trilhar uma carreira cheia de orgulho pelo trabalho efectuado até aqui. Em 1979, começou a treinar os Caculinhas da Bola da Manuato 9. Num ano em que o Governo, através da Secretária de Estado da Educação Física e Desportos, decretou a prática dos desportos escolares, em que o Futebol esteve representado pelos Caculinhas da Bola, muitas empresas estatais aderiram ao programa e houve resultados positivos.

Kota Carlos recorda que a sua primeira passagem por uma equipa de caçulinhas foi pela Manuato 9, durante uma época. Terminado o contrato, passou pela Empresa de Construção de Obras Industriais (ENCOI), tendo feito três épocas. Sempre nos escalões de formação, Carlos Quimuanga passa ainda pela TECNOTUNEL, com a particularidade de ter contribuído na formação de muitos jogadores angolanos que hoje actuam no Girabola e mesmo em equipas estrangeiras, a exemplo de Gilberto, Buco, Mendonça, Kito, Kivota, Twebe e Paulo Sanches.

Depois de terminar o período contratual na TECNOTUNEL, Quimuanga procurou melhores condições de trabalho no ARA da Gabela, onde este durante um ano, também na equipa B daquela agremiação do Kuanza-Sul. Do ARA da Gabela , voltou à capital do País com uma proposta de trabalho de cinco anos  no Núcleo Dinamizador da Escola da FESA, que acabava de ser criado.  Da FESA, passou para a Latiangol, empresa de Lacticínios, onde consegue ocupar o segundo lugar no torneio 28 de Agosto de 1994, organizado por ocasião de mais um aniversário do Presidente da República, José Eduardo dos Santos.

Em 1997, Carlos Quimuanga fez o curso de treinador na escola dos Flaminguinhos  pela mão do  professor e treinador brasileiro Djalma Cavalcanti. Foram companheiros do Kota Carlos, nessa acção formativa vários técnicos, como Ernesto Castanheira, Salviano, Magalhães, Mascarenhas e Chimalanga. A nossa reportagem encontrou-o a trabalhar com os caçulinhas da Secil Marítima. “Sinto-me satisfeito pelo trabalho que tenho vindo a realizar e vejo que os meus conhecimentos têm sido bem transmitidos e bem acatados porque há sinais de melhorias de qualidade nos meus pupilos mais jovens”, disse.

“Faço um apelo a quem de direito para que se continue a apoiar os treinadores das camadas de formação, porque trabalhamos com imensas dificuldades. Um dos meus maiores sonhos é criar uma associação que, no futuro, defenda os interessasses da classe dos treinadores de formação. Espero que este meu apelo sensibilize os demais treinadores”, concluiu.
Adão de Sousa *Com João Francisco

QUIMUANGA RESPONDE

Jornal dos Desportos - Por que razão pede apoio para os treinadores de formação?
Carlos Quimuanga - Porque existe pouco interesse dos responsáveis de clubes e das próprias federações nacionais no acompanhamento integral dos atletas dos escalões de formação, para se inteirarem dos seus problemas, das situações que estão na origem da escassez de novos talentos no país.
Os jogadores, nas classes de formação, merecem cuidados especiais, que os motivem a treinar e a praticar a modalidade, o que não se verifica no país. Falo porque tenho experiência dos anos que ando nesta empreitada.

JD - Que motivos fazem com que o petizes desistam dos treinos?
CQ - O motivo principal é a falta de apoios em todos aspectos. A falta de um campo condigno, onde possam fazer os treinos. Os campos não têm banheiros para, após os treinos, poderem tomar ao banho. Os jovens devem ter, no mínimo, um lanche após os treinos. Tudo isto desmotiva o atleta a voltar aos treinos.

JD - Que apoios têm os atletas na Sécil Marítima ?
CQ - Temos apoio, que apesar de não ser o suficiente, dá para acautelar ou mesmo minimizar, algumas situações correntes do diaç-a-dia.

JD - Como avalia a prestação de Romeu Filomen à frente dos Palancas Negras?
CQ - Gostei de ver . Foi uma excelente exibição. Gostaria de o ver mais vezes à frente da Selecção Nacional. Infelizmente, mais uma vez, um treinador nacional foi preterido por um estrangeiro.

Nome completo: Carlos Manuel Quimuanga (Kota Carlos)
Naturalidade: Município de Camabatela ( Kuanza-Norte)
Estado Civil: Solteiro
Filhos: Quatro
Música: Kizomba
Hooby: Ver jogos
Prato preferido: Funge de bombô com carne seca
Bebida: Cerveja
Casa própria: “ Não tenho.”
Carro: “Não tenho.”
País: Inglaterra
Cidade angolana: Lubango
Calçado: 42
Poligamia: “Sou contra.”

Adão de Sousa *Com João Francisco