Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Experincia de cada pas vai ditar o vencedor do CAN

Manuel Rosa - 11 de Setembro, 2009

O seu país foi um dos concorrentes à organização do CAN do próximo ano, que coube a Angola. Como se sente por terem perdido a organização da prova?
O nosso sentimento de é que Angola ganhou essa possibilidade e isto alegra-nos. A Nigéria está feliz por isso e esperamos que Angola tenha êxitos nesse campeonato que se prevê realizar no próximo ano.

Caso a selecção do seu país se qualifique para a fase final do CAN, vem com a intenção de se desforrar da selecção de Angola? 
Muitos países tinham a intenção de albergar o CAN. Tratou-se de uma competição e quando se encontrou um vencedor, este está de parabéns. Agora, a segunda fase é, concretamente, o da competição futebolística em si. O país que trouxer a selecção mais experiente, em termos competitivos, é quem vencerá este CAN. A título de exemplo, a Nigéria já venceu o Brasil, tida como uma das melhores selecções do Mundo, apesar disso, também tem tido os seus fracassos. Aqui, o que está em causa é a experiência futebolística de cada país.

A Nigéria pode ser tida como um potencial candidato à conquista do título continental, caso seja apurada?
Como sabe, a Nigéria tem uma selecção muito experiente e isso confere-lhe a possibilidade de vir a conquistar o CAN, o que não constituiria  surpresa alguma. Além da Nigéria, outros países podem conquistar o CAN e tudo isso é para o bem do desporto no continente.

Em sua opinião, que selecção está em melhores condições de conquistar a prova?      
É muito difícil ter-se a convicção que este ou aquele país virá a conquistá-lo, mas se nos atermos ao ranking da FIFA, podemos formular uma ideia de que os países melhor posicionados possam estar mais próximas da conquista do título continental. Na África do Oeste, temos o Senegal, Mali, Guiné, Cote d’Ivoire, Ghana e Nigéria, que podem ser apontados como possíveis vencedores, mas, no seu todo, apenas um deles pode ganhar. No Norte de África, destacam-se o Egipto, Tunísia e Marrocos - embora não se tenha a certeza que este último possa estar presente-, que também possuem boas perspectivas de vencer, mas tudo isso depende de vários factores, entre os quais de uma boa preparação técnico-combativa, assim como de um pouco de sorte. Na África Central, realçamos os Camarões e na Austral temos a África do Sul e Angola, que também podem ser apontados como potenciais candidatos, mas isso não significa, já, que possam vencer o CAN.

Angola chegou aos quartos-de-final no CAN de 2008, disputado no Ghana. Sente algum temor pela selecção angolana?
Na qualidade de embaixador, não estou a falar de equipa alguma, tanto da minha, quanto das de outros países. Entretanto, é necessário que elas se preparem bem e, no caso de Angola, qualquer país que albergue o CAN já leva consigo alguma vantagem, pois tem uma preparação mais cuidada, o Governo dá-lhe um apoio maior, assim como todo o povo lhe  presta um melhor apoio, daí que tem alguma vantagem em puder chegar à final do CAN.

Que as selecções podem constituir um obstáculo difícil de transpor pela selecção do seu país? 
É um pouco difícil fazer-se um prognóstico sobre o desempenho de uma selecção, porque o futebol não é como a matemática. O futebol joga-se em campo e os resultados apenas se vêem no fim. Temos países, como a Nigéria, Tunísia, Sudão, Egipto, Ghana, Camarões, os quais acreditamos que, em campo, possam ter um desempenho equilibrado, ou seja, com 50 por cento de favoritismo para cada um e isso depende do programa de preparação de cada selecção. Portanto, para se avaliar o nível competitivo de uma selecção podemos, também, ater-nos ao ranking da FIFA, assim como a qualidade individual dos jogadores. A título de exemplo, a Nigéria é dos países que possui mais jogadores a actuarem na Europa, assim como a África do Sul e, numa disputam entre ambos, pode haver um equilíbrio entre os mesmos, ou seja, os níveis competitivos entre eles repartem-se em 50 por cento para cada lado.  

O facto de a Nigéria ter muitos futebolistas a actuarem na Europa, confere-lhe algum favoritismo à conquista do título?
Não, não. O facto de termos muitos jogadores na Europa não nos leva a crer, já, que vamos ganhar este CAN. Temos bons jogadores no país, ainda não conhecidos no continente, jovens com muito talento, mas para se conquistar um CAN, não basta esses talentos individuais, senão uma boa organização e preparação colectiva da selecção, além de uma grande experiência. Os jogadores que jogam na Europa possuem maior experiência e preparação técnica e isso, por si só, é uma mais valia para uma selecção. Ainda assim, não posso aventar já a possibilidade de podermos ganhar o CAN.

O Governo do seu país está bastante empenhado na preparação da vossa selecção com o objectivo de ganharem este CAN?
Como venho dizendo, não posso já dizer que a nossa selecção ganhe este CAN, pois tudo isso depende da forma como se está a preparar. É certo que temos muitos bons jogadores na Europa, mas a falta de um treinamento conjunto da selecção pode constituir um obstáculo para que esse objectivo se concretize. Por isso, é necessário que os jogadores tenham um espírito futebolístico de jogar pela colectividade. Respondendo à sua pergunta, devo dizer que o meu Governo sempre investiu no desporto e no futebol, particularmente, havendo ou não CAN. De igual modo, os empresários do meu país têm patrocinado a nossa equipa, porque a Nigéria é um país desportivo e todo o mundo gosta de desporto. Assim, temos tido esses passos que nos levam longe, ao nível do continente.

Na previsão do senhor embaixador, muitos concidadãos seus vêm a Angola apoiar a vossa selecção?
A Nigéria está aberta para este CAN e tudo vai depender dos arranjos que o COCAN está a fazer. Ainda não tive contacto algum com os responsáveis do COCAN para saber do seu programa, pois nós vamos depender dos arranjos que se estão a fazer e só depois poderei, junto do meu Governo, adiantar sobre algumas necessidades de Angola, assim como o vosso país pode, também, fazer alguma solicitação ao Governo do meu país para aquilo que precisa, pois já albergámos dois CANs e temos alguma experiência nessa matéria. Há duas semanas, o ministro dos Depostos (da Nigéria) esteve em Angola e está a estudar as necessidades de Angola, por isso, estaremos de portas abertas para qualquer necessidade de ajuda que Angola tiver. Em termos de números, não posso dizer se vêm muitos cidadãos do meu país, mas creio que muitos nigerianos vão estar em Angola como apoiantes. Nós já estivemos em vários CANs e sempre levámos muita gente como apoiantes.