Jornal dos Desportos

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Entrevistas

"FAB deve decidir já"

Melo Clemente - 07 de Novembro, 2017

Em entrevista ao Jornal dos Desportos, Alberto de Carvalho

Fotografia: Jornal dos Desportos/ Edições Novembro

Estamos a exactamente dezassete dias do início da primeira mão da primeira eliminatória para a Copa do Mundo da China, em 2019. A verdade porém é que até ao momento não se sabe quem vai dirigir a Selecção Nacional nesta empreitada. Justifica-se este silêncio por parte do órgão reitor da modalidade no país?
De maneira alguma. Penso que até cria uma certa ansiedade em todos nós amantes e colaboradores desta modalidade. Estamos todos ansiosos em saber quem será o seleccionador. A FAB já devia anunciar.É urgente.

Já estamos a correr contra o tempo, apesar da primeira mão da primeira da eliminatória acontecer no país?
Lamentavelmente sim. Penso que a direcção da federação já devia ter tudo isso alinhavado, até porque as datas das eliminatórias para a Copa do Mundo de 2019 há anos que foram divulgados pelo organismo que tutela a modalidade no mundo, logo, era escusado a esta altura não se saber exactamente quem será o técnico que vai dirigir o "cinco" nacional nesta empreitada.

Até que ponto este atraso poderá influenciar no trabalho do futuro seleccionador nacional?
Bem, se o seleccionador nacional ainda não está escolhido, como tudo indica, se eventualmente for estrangeiro, ou seja, alguém que não esteja dentro do nosso basquetebol torna-se, naturalmente, extremamente complicado. Aventando-se a possibilidade de ser estrangeiro, tem que obrigatoriamente conhecer a nossa realidade, conhecer bem os nossos jogadores e as suas características. Agora se este treinador está dentro das nossas hostes, estará já certamente a fazer anotações, contactos, enfim, para formar um grupo coeso.

Mas o facto da direcção da federação manter-se até agora no silêncio indicia que nada ainda nada está definido em relação ao futuro seleccionador?
Claro que sim. Se a FAB tivesse já assegurado a contratação de um treinador naturalmente que seria do domínio público, como é evidente.

Mas o facto desta primeira mão da primeira eliminatória de apuramento à Copa do Mundo realizar-se no país, abre boas perspectivas para o "cinco" nacional, independentemente do factor tempo que corre contra nós?
Penso que não. Antes pelo contrário, nós vamos enfrentar nesta primeira mão da primeira eliminatória adversários de peso a nível do continente africano, como são os casos de Marrocos, com quem perdemos na fase final do Campeonato Africano das Nações de 2017, Egipto e República Democrática do Congo que também fez uma boa campanha no Afrobasket do Senegal e da Tunísia. Como vamos acolher esta eliminatória tínhamos a obrigação de estarmos mais organizados, porque o desafio é enorme.

Independentemente destes contratempos acredita que a Selecção Nacional poderá facilmente ultrapassar os seus adversários?
Fácil concerteza não será. Aliás, a última edição do Afrobasket 2017 foi uma prova disso mesmo. Hoje, por hoje, já não existem selecções fracas. Tratando-se das eliminatórias para a Copa do Mundo, as selecções vão procurar trazer os seus melhores jogadores.

Em função dos últimos fracassos, acredita na qualificação da Selecção Nacional para a Copa do Mundo?
Acredito plenamente no apuramento à Copa do Mundo, independentemente, dos últimos resultados da Selecção Nacional não serem nada animadores. Temos um naipe de jogadores bons e se forem escolhidos a dedo vamos poder formar um grupo altamente competitivo para a consumação dos objectivos.


Basquetebol no Progresso Sambizanga
Técnico lamenta a extinção



Mas o que é que a direcção lhe disse exactamente?
Até ao momento que vos falo não tive ainda uma conversa com o presidente do clube, o senhor Paixão Júnior, embora tenha manifestado esta pretensão. Tive apenas um encontro com o director-geral do clube que me informou sobre a decisão da direcção em extinguir a equipa sénior masculina do Progresso Associação do Sambizanga.

Nem mesmo a excelente época no ano passado demoveu a direcção do clube a tomar tal decisão?
Acredito que nem isso. E devo dizer que só não fizemos mais porque tivemos alguns problemas que influenciaram negativamente a nossa prestação na ponta final do campeonato nacional.

O projecto que aparentava ser grandioso acabou por ser uma autêntica desilusão...
Completamente. Quando decidi abandonar o Petro de Luanda, onde estive a trabalhar, depois de sair do Cuando Cubango, estava completamente convencido na continuidade do projecto. Por isso, gostaria de aproveitar a oportunidade que o Jornal dos Desportos me dá para mais uma vez endereçar o meu pedido de desculpa à direção do Petro de Luanda, em particular ao seu presidente, o senhor Tomás Faria, pela forma como sai do clube. Já o fiz e volto a fazê-lo hoje (sábado).

Mas até ao momento o presidente do Progresso ainda não o recebeu?

Infelizmente até ao momento ainda não fui recebido, mas tenho mantido contactos com director-geral e existe uma grande vontade do presidente em mantermos este encontro onde ele vai me explicar detalhadamente os motivos que estiveram na base desta decisão brutal, digo eu.

Face à resolução do contrato antes do tempo previsto, pensa recorrer a tribunal?
Acho que nós devemos privilegiar o diálogo para a resolução de qualquer conflito, que não é o caso. Naturalmente que a direcção do Progresso Associação Sambizanga é soberana nas decisões que toma, naturalmente, hoje, infelizmente, a crise financeira assola todas as instituições, mas o que defendo é que tem de haver transparência e sobretudo diálogo franco.

Lamenta o facto de a decisão da extinção da equipa surgir antes do término do contrato?

Fomos apanhados de surpresa pela direcção do clube, coisa que poderia ser evitada, se a direcção tivesse o realismo logo de nos colocar sobre alerta. A escassos dias do arranque da nova época é que fomos informados sobre a extinção da equipa. Como disse, é de lamentar mas não podemos fazer nada.

“Jogos no Kilamba
 são bem vindos


Alberto de Carvalho "Ginguba" que foi um dos convidados vips  sábado último, na abertura da quadragésima edição do Campeonato Nacional de basquetebol em seniores masculinos, prova agora designada Unitel Basket, aplaudiu a decisão da direcção da Federação Angolana de Basquetebol em fazer disputar os jogos do "Nacional" no Pavilhão Arena do Kilamba, infra-estrutura construída em 2013, no âmbito da realização no país da 41ª edição do Campeonato do Mundo de hóquei em patins.
"Não há dúvidas que foi uma decisão acertada por parte da direcção da federação em fazer disputar os jogos do Campeonato Nacional neste recinto que oferece as melhores condições de segurança, comparativamente aos outros campos espalhadas pela capital do país. Se o Progresso Associação Sambizanga estivesse a competir nesta prova aceitaria com todo o prazer efectuar jogos neste pavilhão que oferece todas as condições de acomodação para todos os intervenientes, quer directos, quer indirectos do espectáculo".    
O antigo treinador principal do Progresso Associação Sambizanga lamentou, por outro lado, as equipas que se recusaram a jogar no Pavilhão Arena do Kilamba, casos do 1º de Agosto e do Sport Libolo e Benfica.
"É triste que estás equipas se tenham recusado em jogar no Pavilhão Arena do Kilamba, se calhar, têm as suas razões. Mas se quisermos que a modalidade melhore cada vez mais, então temos que começar a pensar em jogar numa quadra como a do Pavilhão Arena do Kilamba".

AFROBASKET 2017
“Fracasso é do grupo todo e não apenas do treinador”


O Afrobasket 2017 faz parte do passado. Considera Manuel Silva "G" o único responsável do fracasso da Selecção Nacional?
De modo algum. É um lema muito controverso, porque quando se perde, é o treinador, e quando se ganha, ganham todos. Penso que o nosso fracasso no Afrobasket não se pode de maneira alguma atribuir única e exclusivamente ao técnico Manuel Silva "Gi". A responsabilidade do fracasso é do grupo de trabalho, de todo o grupo, onde estão incluídos dirigentes, treinadores e jogadores, como é evidente.

Considera que a Selecção teve uma boa preparação?
Penso que houve certas coisas que foram negligenciadas durante a preparação do "cinco" nacional. Independentemente dos adversários que enfrentámos durante o estágio pré-competitivo na China, o cancelamento do torneio internacional de Luanda retirou a possibilidade da Selecção fazer uma boa campanha.



Perfil
Clubes:
Nome: Alberto de Carvalho
Data de nascimento: 18/07/1956
Naturalidade: Angolana

2001/05 : Lusitânia de Portugal
2005/09: Petro de Luanda
2010/12: Sporting
de Cabinda
2012/13: Interclube
2016: Progresso
do Sambizanga

Títulos:
Campeão africano em 2007
Vencedor da Taça de Clubes:
Petro 2006
Medalha de prata da Taça
de Clubes com Petro em 2007


NOS HENDECACAMPEÕES
"Ginguba"defende a permanência de "Gi"

Apesar de ter fracassado na fase final da 29ª edição do Campeonato Africano das Nações de 2017, vulgo Afrobasket, competição co-organizada pelo Senegal e Tunísia, onde ocupou o sétimo lugar, num universo de dezesseis (16), Alberto de Carvalho "Ginguba" defende a continuidade de Manuel Silva "Gi" no comando técnico dos hendecacampeões africanos.
"Independentemente do que aconteceu na fase final do Campeonato Africano das Nações de 2017, creio que se deveria dar mais uma oportunidade ao técnico Manuel Silva "Gi". Tenho consciência que a vida de treinador depende muito dos resultados. Quando os resultados não aparecem, normalmente troca-se, muda-se, às vezes até quando conseguimos resultados positivos acabamos por ser afastados, portanto, a vida do treinador é esta. Repito, não sei se isso é que vai acontecer. Como disse, tudo continua no segredo dos deuses, não sabemos o que realmente vai acontecer, mas até ao momento o seleccionador apontado é o Gi".

Mas depois do termo do Afrobasket 2017, o presidente da federação fez várias declarações públicas onde deixou claro que não contava mais com Manuel Silva "Gi"...
Infelizmente é verdade, mas também nos últimos dias o discurso do presidente da federação tem mudado sistematicamente, deixando no ar a possibilidade de Manuel Silva "Gi" continuar no comando técnico dos hendecacampeões africanos.

 E se eventualmente apostar-se mesmo na vinda de um treinador estrangeiro?
Honestamente devo lhe dizer que será mau para a nossa selecção que procura o apuramento à Copa do Mundo de 2019.

Mas estas mudanças sistemáticas de discurso do homem forte da FAB acabam por criar ainda mais confusão no seio da família basquetebolista?

Concerteza. Estas contradições no discurso, ainda por cima, vindas do presidente, acabam por criar uma certa instabilidade ao grupo. Portanto, este fica não fica, vem não vem, acaba por dar aso a especulações que não é bom para a nossa modalidade e sobretudo para a própria estabilidade emocional da própria selecção.

CONFISSÃO
Regresso à Selecção esteve próximo


Alberto de Carvalho "Ginguba", de 61 anos de idade, foi campeão africano de 2007 e vencedor da prestigiada Taça Borislav Stankovic, isto em 2008. Esteve próximo de regressar ao comando técnico dos hendecacampeões africanos.
Dono da melhor classificação de todos os tempos, em fases finais de um Campeonato do Mundo, isto em 2006, competição disputada no Japão, onde a Selecção Nacional quedou-se no nono lugar, Alberto de Carvalho tinha tudo acertado com a direcção cessante do órgão reitor da modalidade, liderada na altura por Paulo Madeira, para conduzir o "cinco" nacional no Afrobasket de 2013, prova disputada em Abidjan.
Com o plano de estágio elaborado e alguns nomes de jogadores indicados, assim como a nomeação dos seus adjuntos (Raúl Duarte e Jaime Covilhã), Alberto de Carvalho "Ginguba" viu a menos de 24 horas da sua apresentação, o seu nome a ser afastado em detrimento de Paulo Macedo, que veria a reconquistar o título africano.
Entretanto, do actual elenco "Ginguba" nunca recebeu qualquer convite, mas ainda assim mostra-se receptível a um eventual "casamento".
"Falou-se muitas vezes do meu regresso à Selecção Nacional, mas do actual elenco nunca recebi convite nenhum. A direcção cessante contactou-me, chegamos inclusive a tratar assuntos relacionados com estágio, contactamos possíveis seleccionáveis, depois de várias reuniões, e por altura da minha apresentação a direcção optou em colocar o técnico Paulo Macedo. A partir daí, nunca mais fui contactado".

Sente de alguma forma que houve falta de lealdade por parte do presidente cessante?
Claramente que sim. Estava o meu nome na baila e tratamos da preparação da Selecção, marcação do estágio, lista dos pré-seleccionados, treinadores adjuntos escolhidos, portanto, estava tudo preparado e só faltava o anúncio público e de repente surgiu o nome de um outro treinador. Portanto, o que senti foi o que tem sido frequente entre os nossos dirigentes, que é a falta de convicção dos mesmos, pensam hoje uma coisa e amanhã fazem exactamente o oposto.

Em relação ao novo elenco nunca recebeu convite?

Nuca recebi qualquer convite neste sentido, falo muitíssimo bem com presidente Helder Martins da Cruz, trocamos muitas vezes ideias mas nunca recebi qualquer convite para treinar a Selecção.

Se eventualmente for convidado estará disposto a abraçar este desafio?

Eu estou sempre disposto em abraçar desafios.