Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Fabrcio lamenta fracasso

Paulo Caculo - 12 de Janeiro, 2014

A ausncia de empresrios angolanos influentes nas negociaes e transferncias de futebolistas para a Europa

Fotografia: Jornal dos Desportos

A ausência de empresários angolanos influentes nas negociações e transferências de futebolistas para a Europa, influenciou negativamente na entrada do central Fabrício Mufuca, do Interclube, no Lyon da primeira liga francesa, lamentou o atleta em entrevista ao Jornal dos Desportos.

De regresso ao país, proveniente de França, o experiente defesa central dos Palancas não escondeu a forma como viu ‘esfumar’ a tentativa de abraçar o profissionalismo na Europa. 

“O nosso país deve apostar em empresários fortes, que cheguem a Europa e consigam negociar jogadores, porque o que se vê lá fora são futebolistas do Senegal, Ghana, Nigéria e Camarões, aprovados nos testes porque são levados por pessoas influentes”, esclareceu o jogador do Interclube.

O jogador admite que a qualidade nem sempre é fundamental no processo de transferência para o futebol europeu, diz ter experiência do tempo vivido em   França, “os agentes dos futebolistas acabam por exercer também grande peso”, talvez - acrescenta Fabrício – “pelo facto de serem conhecidos dos treinadores ou dos presidentes dos clubes”.

Apesar da tentativa falhada, o central não desiste do sonho de um dia chegar aos grandes relvados da Europa, pois está crente que “a esperança é a última que morre”. Enquanto houver vida, “ vou continuar a acreditar numa próxima oportunidade”, dado que a ‘verdura’ dos anos (24) confere-lhe ainda um bom e considerável espaço de progressão na sua carreira.

“Fico triste por não ter conseguido ficar no Lyon, porque acredito que fiz um bom teste e muita gente acreditava que ia ficar mais algum tempo, mas nem sempre estas experiências dão certo. Sou crente e acredito que o meu dia vai chegar", assegurou o defesa, apelidado no Interclube  ‘Fabregas’, nome do internacional espanhol do Barcelona.

Para a época que se avizinha o central promete manter a mesma entrega para convencer o novo técnico e ajudar a equipa a alcançar a posição que a direcção perspectivou. “ O mundo não pára por aqui, vou levantar a cabeça e continuar a dar o máximo para ajudar a equipa a conquistar a melhor posição no Girabola”.


ÉPOCA
“Quero voltar a ser campeão”


Mal regressou de França, Fabrício apressou-se a reintegrar os trabalhos da equipa, para a época de 2014. O jogador mostra-se feliz por ser recebido pelos colegas de “braços abertos”, pelo que quer retribuir o carinho com uma época em grande estilo.

“Voltei ao trabalho e só penso em fazer uma boa temporada. Temos um novo treinador, mas os objectivos continuam a ser os mesmos. Queremos lutar pelos lugares do topo do campeonato e tudo vamos fazer, para que os nossos objectivos sejam alcançados”, disse o defesa central, algo motivado pelo lugar de destaque que conquistou na equipa da Polícia.

Fabrício enaltece a ambição do novo treinador e dá as boas vindas aos reforços, porque acredita que “todos são poucos para os desafios que a equipa enfrenta em 2014”, cujo principal propósito é a conquista dos lugares que sempre granjeou no Girabola, em que por duas ocasiões (em 2007 e 2010) sagrou-se campeão. “Penso que o Interclube não tem nada a provar a ninguém, aliás é um clube do topo e merece todo o respeito. Estamos aqui para manter o estatuto da equipa e tentar sempre realizar os objectivos a que nos propusemos em cada época. Vamos lutar para ficar entre os três primeiros, mas se podermos ser campeão, muito melhor ainda”, rematou o central.


PREVISÃO
“Luta pelo título vai ser complicada”


O experiente central, peça fundamental na manobra defensiva do Interclube, acredita que os níveis de disputa do campeonato nacional deste ano são muito mais elevados comparativamente aos da época passada.

O jogador assenta o seu discurso no facto do campeão ser o Kabuscorp do Palanca, equipa que atingiu pela primeira vez o topo da classificação, sobretudo por “relegar as equipas habituadas a liderar e a ganhar o campeonato”, casos dos’ papões’ Petro e 1º de Agosto.

“Este ano o Girabola vai ser complicado, pois o Kabuscorp vai querer defender o título e provar que não ganhou em vão a prova, enquanto os petrolíferos e os militares sentem-se ‘feridos de honra’, porque estão há muitos anos sem conquistar o título”, reconheceu.

O atleta reafirma que a temporada vai ser bastante competitiva. “Não vai ser fácil este ano, aliás, o campeonato dos últimos anos tem sido muito complicado, mas isso é bom para as equipas que depois disputam as Afrotaças”, admitiu Fabrício.

Em relação as competições africanas, o central recorda com nostalgia os anos em que o Interclube, de forma consecutiva representou o país nas eliminatórias das provas sob a égide da CAF, e fala do feito inédito na Taça da Confederação de 2011, como se de fotos guardadas numa memória se tratasse.

“Chegamos às meias-finais e só não fomos à final, porque o árbitro não deixou. Os sete minutos à mais de descontos que deu ao jogo com o MAS de Marrocos. Foi duro perder a final daquele jeito”, lamentou o ‘camisola 4’ da equipa da Polícia.  
PC