Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Fiz o que estava ao meu alcance

Sardinha Teixeira - 07 de Abril, 2012

O primeiro treino aconteceu a 15 de Janeiro e tudo correu na mxima perfeio

Fotografia: Domingos Cadncia

Sempre frontal e sem medo de ser polémico, José Filomeno Napoleão Guedes, secretário-geral da Associação Provincial de Ciclismo de Luanda (APCL), há dez anos em actividade no desporto, fala sobre o actual estado da modalidade, aponta o dedo ao que considera errado e passa em revista os serviços prestados pela associação e apela a uma mudança de mentalidades. O ciclismo está desde sempre ligado à vida de José Guedes. O seu amigo, Luís Neves, foi um dos grandes impulsionadores da modalidade em Luanda e rapidamente contagiou-o. Hoje, orgulha-se dos bons resultados que os clubes já conquistaram em todas as épocas desportivas.

José Guedes lembra-se que no passado existiam muito mais atletas e provas dedicadas ao ciclismo. “Toda a gente vivia com dificuldades e o ciclismo era uma modalidade barata porque os preços estavam ao alcance de todos os interessados”, diz. Ele só começou a levar o trabalho da associação mais a sério, na veste de secretário-geral, passados seis anos. “Nos primeiros anos era mesmo um dirigente ruim. Depois lá acabei por ganhar alguma experiência com o tempo”, recorda. Mesmo sem muitos cursos, uma coisa é certa: José Guedes tem a paixão e a experiência de uma vida dedicada ao ciclismo. Não se considera um grande dirigente, mas dá alguns conselhos aos responsáveis das equipas, para obtenção de bons resultados.

Embora reconheça que as autoridades desportivas a nível da cidade de Luanda estão sempre disponíveis para ajudar a associação, José Guedes apelou também à classe empresarial a apoiar o ciclismo luandense para ajudar a ultrapassar algumas dificuldades. José Guedes, debruçando-se sobre as vantagens do ciclismo, assegura que a sua prática dá ao coração uma grande potência e por isso é considerado o desporto mais eficaz, reduzindo riscos de enfarte e outras doenças cardíacas. José Guedes acrescentou que o ciclismo é uma modalidade indicada para pessoas de qualquer idade sem se importar com o seu estado físico. “Esta é uma das actividades que apresentam menor sobrecarga nas articulações e está a ganhar cada vez mais praticantes”, disse.

Nesta primeira quinzena de Abril, a associação realiza o acto eleitoral. O secretário-geral, José Guedes, antevê uma vitória nas urnas do seu elenco directivo. O entrevistado afirmou que tem para o próximo mandato expectativas que passam por dar o seu contributo a duas questões que são neste momento essenciais. Uma é a pacificação do ciclismo nacional, com o estabelecimento de um calendário compatível. A outra é a evolução do seguro dos atletas. O entrevistado anunciou que não está ainda interessado, aos 55 anos, em pôr fim à sua carreira no ciclismo, que teve a duração de 12 anos. “Chegou o momento de iniciar uma nova etapa”, disse, adiantando que não sabe ainda o que fazer.

José Guedes deixa uma mensagem aos ciclistas: “Fiz tudo o que estava ao meu alcance. O que não foi possível, lamento. Sinto-me sem qualquer frustração porque tive momentos bonitos que jamais vou esquecer. Deixei ficar boas relações no ciclismo.”

Alguma verdades...

Há poucos praticantes novos no ciclismo


O actual secretário-geral da Associação está há 12 anos no cargo. É um elemento muito forte dentro da direcção. Ele faz um balanço linear destes anos todos. “Há poucos praticantes novos porque não há equipas. A associação está aberta a todos aqueles que querem iniciar a prática de ciclismo e não sabem onde fazê-lo. Não havendo clubes não pode haver ciclistas”, disse. Interrogado se a escassez de clubes tem a ver com os custos elevados do ciclismo face a outras modalidades, José Guedes assegurou que os altos preços dos materiais desportivos influenciaram o mercado, destruindo o trabalho feito pelas equipas. “Os preços inflacionaram o mercado para valores para os quais as equipas não estão preparadas”, disse.

Guedes
Responde


Como entrou no ciclismo?
Assisti a uma prova de ciclismo a convite de Luís Neves, ex- presidente da Associação Provincial de Luanda. Desde então, sempre sonhei ser um dirigente.

Também foi ciclista?
Não. Fui cronometrista.

O que significa para si ser dirigente da Associação?
Na verdade, significa tudo. Aprendi com Luís Neves, o melhor de todos os tempos.

Acha que tem estado a assumir o seu cargo?
Os associados confiaram-me a missão, mas se para muitos não terá corrido da melhor maneira, para outros a minha participação terá sido positiva.

Neste momento temos bons ciclistas?
Sim. Márcio Guevara, Igor Silva e Walter Silva são referências da modalidade, personificando uma geração de ciclistas que tem obtido importantes êxitos internacionais.

O nível competitivo dos ciclistas é satisfatório?
Aqui o nível é muito elevado, qualquer ciclista que alinha à partida de uma prova tem condições para a ganhar, e os percursos, bem, isso nem se fala.

Que balanço faz neste mandato?
Os problemas que havia mantêm-se. Apesar de tudo, o ciclismo é das modalidades com melhor nível de organização no país.

Tendo trabalhado com tantos corredores é possível dizer qual o melhor de todos?
Foram vários que nos marcaram e que marcaram a sua época. Houve dois corredores que marcaram mais do que todos os outros, pelo seu carisma e pelo êxito que tiveram: Márcio Guevara e Igor Silva.

Quais são as expectativas da Associação para o próximo mandato?
Temos expectativas muito altas. O próximo mandato será o maior e melhor de sempre, com algumas novidades previstas em termos de realização de provas internacionais.

Quem é quem...

Nome: José Filomeno
Napoleão Guedes
Data de nascimento: 21/2/57
Natural:  Luanda
Filhos: 4
Nacionalidade: Angolana
Peso: 120 Kg
Altura: 1,88 cm
Calçado: 46
Função: Secretário-geral da Associação Provincial de Ciclismo de Luanda
Prato preferido: Calulu
Fuma: Não
Bebida: Vinho
Filmes: Acção
Música: Kizomba
País: Angola
Cidade: Benguela
Casa própria: Sim
Carro: Não
Campo/Praia: Praia
Cor: Branca
Deputado/Ministro: Deputado