Jornal dos Desportos

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Entrevistas

"Fizemos uma prova acima da mdia"

GAUDNCIO HAMELAY | Lubango - 24 de Setembro, 2018

Treinador do Desportivo defende que podiam ter feito melhor esta poca

Fotografia: Aro Martins

O técnico doClube Desportivo da Huíla considerou satisfatória a sexta posição alcançada pela sua equipa no Girabola Zap 2018. Mário Soares, admitiu na entrevista de balanço, ao Jornal dos Desportos, que no decorrer de cada partida teve o sentimento de que poderiam ter feito mais e melhor.
Reconheceu que a sua equipa teve um campeonato atípico e acrescentou que se tivessem realizada uma prova mais equilibrada em casa, teriam melhor classificação.
 
Para quem lhe foi exigido a manutenção, a 6ª posição, acaba por ser a todos os níveis positiva. Que avaliação faz da prestação da equipa ao longo da época finda?
 
Em resposta daquilo que foi exigido pela direcção do clube, em nome do grupo, considero que foi um campeonato acima da média. Digo isso, porque a direcção pediu-nos apenas a permanência mas conseguimos estar no meio da tabela classificativa, num campeonato que iniciou com 16 equipas e terminou com 15. Considero a nossa classificação acima da média.
O que foi idealizado por nós equipa técnica, apesar da exigência da direcção, tínhamos que analisar aquilo que são as nossas capacidades.
Estou a falar do grupo de trabalho, a competência dos atletas e aquilo que poderíamos exigir da direcção do clube tendo em conta a nossa realidade, penso que ficamos com um défice.
 
Défice?
 Ficamos com um défice porque não olhamos para a classificação e nem para a pontuação, mas aquilo que foi conforme disse, idealizado por nós.  Sentimos que poderíamos fazer um pouco mais.
Digo que não era a obrigação, porque também temos os pés bem assentes no chão e conhecemos qual é a nossa realidade, mas no decorrer de cada partida ficamos com o sentimento que poderíamos ter feito um bocadinho mais e atingirmos uma classificação melhor. Resumindo, conforme disse, grosso modo, temos que nos sentir satisfeito pela época que fizemos.
 
No início do Girabola o CDH esteve quase sempre no topo da classificação, mas a dada altura decaiu um pouco. O que se passou de concreto?

 Quando pegamos o calendário do Girabola, sabíamos quão difícil seria esse campeonato e muito acelerado. Tínhamos consciência da realidade do nosso clube, já que somos um clube modesto com algumas dificuldades.
Não temos um recuperador e o nosso departamento médico tem alguma deficiência de equipamento. Sabíamos aquilo que são as nossas limitações e que isso poderia nos cobrar a uma dada altura do campeonato.

Mas pelos vistos conseguiram superar essas debilidades?
Planificamos como prioridade entrar bem no campeonato e fazermos uma boa prova em função daquilo que era a exigência da direcção ou melhor, atingirmos os pontos que poderiam garantir a permanência quanto antes, porque tínhamos a certeza daquilo que é o nosso conhecimento na ciência de treinamento.
 Sabíamos do declínio da equipa a uma determinada altura e creio que fomos felizes na nossa planificação. Então, dizer que na altura em que foi se exigindo mais os outros aspectos para que a equipa continuasses a manter a mesma marcha, falhou.

Ainda assim, conseguiram superar este adversário e no final conseguiram a tão almejada manutenção com alguma tranquilidade...
De forma consciente, fomos obrigados a fazer uma gestão do plantel e a dada altura passamos a rodar mais os atletas. A partir da 17ª até a 26ª jornada, não repetimos um onze. Foi na altura em que se acelerou mais o campeonato. As exigências eram maiores, as viagens e os treinos.
Quase não podíamos treinar, porque tínhamos de recuperar os atletas para jogar. Mas, não é por isso, que me queixo, é apenas para dizer que é o reflexo do plantel que um clube modesto pode ter. Não é tão equilibrado como parece. Nós é que tínhamos que potenciar os jogadores e há quem não conseguiu acompanhar a marcha dos outros.

Sabendo de antemão dessa dificuldade, não acha que deviam precaver-se para superarem estas debilidades?
É verdade que certos jogadores manifestaram essa dificuldade quando solicitados para fazerem parte em alguns jogos. Mas nada que nos surpreendesse, já que foi tudo feito de forma consciente e fruto da pré-época que tivemos.
Creio que dos anos todos que já passei pelo Desportivo da Huíla, quer na minha primeira passagem quer em 2018, esta foi das melhores que tivemos. Daí o reflexo do nosso início da competição ter sido  em condições de podermos amealhar os pontos que fizemos.

ARBITRAGEM

“O balanço do custo e benefícios é nulo”

Muito se falou das equipas de arbitragem, que avaliação faz sobre a actuação do trabalho dos árbitros ao longo do Girabola Zap 2018?
 Nós treinadores ficamos sempre revoltados e, eu particularmente, as vezes venho a imprensa desabafar, mas minutos depois de forma mais fria arrependo-me das críticas que fiz a arbitragem. Nessa experiência que tenho toda do Girabola, se fizermos o balanço final, nos custos e benefícios, o saldo é nulo.
Tenho aqui de reconhecer que em alguns jogos, os árbitros deixaram passar uma ou outra jogada ao nosso benefício, como naqueles que também nos prejudicaram. Então, o que tenho a dizer no final deste campeonato é de que o balanço sobre custos e benefícios, o saldo é nulo.
 
Tem em memória algum jogo em que a actuação da arbitragem teve influência, prejudicando o Desportivo da Huíla?
 Temos dois jogos em memória com uma actuação menos transparente, onde fomos prejudicados e que poderíamos vencer. Não sei se estaríamos melhor porque também poderiam ser jogos que talvez não teríamos vencido.
Um diante do Sporting de Cabinda, quando a bola entra e não é considerado pelo árbitro e o outro foi frente ao Domant, no Bengo. Dizer, que foram quatro pontos perdidos.
Agora tenho que buscar na memória qual dos jogos fui buscar três pontos porque o árbitro também deu uma ajuda. Mas preferimos não tocarmos nesses erros da arbitragem.

ÉPOCA 2013
      Técnico enaltece manutenção antecipada
Depois do feito alcançado, ao assegurar a manutenção antecipada, terá começado a perspectivar já ao longo do campeonato a próxima época?
 
Creio que sim, porque foi uma promessa que deixei na conferência de imprensa do lançamento da época. Queríamos quanto antes garantir a nossa permanência e colhermos depois os lucros. Tenho sentimento de culpa pelo facto de não obtermos maior lucro. Em termos de pontuação, esta época tivemos um défice de cinco pontos em relação a época passada apesar de termos melhorado na tabela classificativa.

O que esteve na base desses números?
O ano passado, com 41 pontos, ficamos em 8º lugar. E este ano, com 36, ficamos na sexta posição. Temos dito que é tudo fruto da desgastante época, porque se fosse uma época normal, creio que teríamos feito uma pontuação melhor. Digo isso, porque na altura em que saímos do stress da permanência poderíamos ter obtido outros resultados, mas não tínhamos o plantel com a sequência naquilo que foi o nosso onze apresentado de jogo após jogo.
 
A equipa do Desportivo baixa no ataque em números de golos em relação aos anos anteriores, apenas 17, quais são as razões ?
 Tenho de reconhecer que tivemos um défice. Terminamos o campeonato com 17 golos marcados e 18 sofridos. Um défice de menos um. Se tivéssemos um aproveitamento acima dos 30 por cento, de certeza absoluta que a nossa classificação não seria essa. E talvez poderíamos hoje estar a falar de um Desportivo da Huíla, com maior alegria, principalmente nos resultados em casa. Não é por qualidade técnica ou falta de concentração, mas os golos trabalham-se. Para se fazer golos é preciso trabalhar-se. E para se trabalhar é preciso ter a logística para isso. A nossa equipa fecha-se muito bem naquilo que são as suas dificuldades.

E o que falta para trabalharem estas componentes?
 Digo isso porque há muita boa vontade de trabalhar e conseguimos fazer uma equipa boa. E a nossa inteligência foi procurarmos fazer uma grupo muito coeso e tacticamente forte. E foi o que conseguimos trabalhar. Sabíamos que tínhamos dificuldades em trabalhar nos aspectos técnicos, mas aquilo que é a mentalidade dos jogadores e aquilo que são os aspectos tácticos, os terrenos de jogos a pisar, tivemos a preocupação durante a época finda de trabalhar.
Sem querer puxar a brasa a minha sardinha, tenho atletas aqui, que já deixaram de me chamar o pior mister Mário ou por Marito, como sou carinhosamente chamado por eles, para me chamarem mister táctica. Mas tinha que ser a nossa exigência para podermos continuar a ter o Girabola na província da Huíla.

AVALIAÇÃO
“Tivemos uma época desgastante

O campeonato terminou e o próximo está a espreita. Quando é que abrem as oficinas tendo em conta o pouco tempo entre uma e outra época?
 Estamos de férias e ainda não estou a pensar o que se pode prognosticar para a próxima época, porque no arranque da temporada 2018/2019, terei outros dados. Mas devo realçar que o Girabola deste ano foi bastante desgastante para a nossa equipa. 
 
Registamos que durante a época apostou muito nos jovens e como disse teve dificuldades em manter o mesmo onze permanente, é sinónimo que estava já a pensar na época que se avizinha?
 Durante a época tive sim um onze inicial. É só terem em conta a nossa primeira volta. Ao longo do campeonato fomos introduzindo um ou outro jogador por força maior, isto é, por lesão ou  castigo federativo. Mas, tínhamos um onze base formado por Kissi, Sidney, Chiwe, Jó, Zé, Elias, Manucho Dinis, Bruno de Jesus, Cristian, Bruno Langa e Lionel. Este foi o nosso onze base, mas com o decorrer do campeonato foram surgindo castigos federativos, lesões e fomos metendo outros jovens.

E qual foi a correspondência destes em função da expectativa criada?
Fomos substituindo com os mais jovens que aproveitavam as oportunidades, nomeadamente Nandinho, Cagodó, Malamba e Mendes. Estes são os jovens que tiveram mais oportunidades, sem descurar os outros que corresponderam bem as chamadas. Com a saída do Jó por força da reabertura do mercado, tivemos que buscar um central esquerdo.
Conseguimos o Quitemo sem ter que mexer no onze base, mesmo no reiniciou da segunda volta. Mas com o desgaste e o esforço daquilo que foi a intensidade do nosso campeonato, alguns jogadores foram perdendo qualidades físicas.
Fomos introduzindo alguns jovens porque não tínhamos outra alternativa, nomeadamente Emilson e Jojó que fez alguns jogos.

Está satisfeito com as apostas feitas?
Houve jogadores jovens que não conseguiram se impor e uns até desistiram. Tínhamos até esperança no Manu Cele, oriundo do futsal, atleta com uma técnica invejável mas não conseguiu adaptar-se aquilo que são as exigências da competição.