Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

"Fomos a equipa mais regular"

Paulo Caculo - 20 de Novembro, 2014

Naturalmente, que este título tem outro sabor e dimensão, sobretudo por ser aquele que nos permitiu resgatar o troféu de campeão para o Libolo.

Fotografia: José Soares

Miller Gomes afirmou ontem, em entrevista ao Jornal dos Desportos, que o título de campeão do Girabola de 2014 assenta perfeitamente ao Recreativo do Libolo, pelo facto de ter sido em sua opinião, a equipa mais regular, mais sólida e estável do campeonato.

No balanço da época futebolística e antevisão da próxima  época, o treinador campeão nacional pelo 1º de Agosto em 2001, na condição de adjunto do holandês Jan Brouwer,  agora no comando do conjunto de Calulo, não teve receio de sublinhar que o Libolo foi a melhor formação do Girabola.
“É claro que o sentimento de conquista é diferente, porque somos os líderes e quando conquistei o título no 1º de Agosto, na altura, estava na condição de adjunto. Naturalmente, que este título tem outro sabor e dimensão, sobretudo por ser aquele que nos permitiu resgatar o troféu de campeão para o Libolo. Portanto, este título tem outro sabor”, esclareceu o responsável técnico dos campeões nacionais.

Confiante, acrescentou “provamos que fomos a equipa mais regular, mais sólida, estável e quanto a isso, penso que não pode haver dúvidas, porque sempre tivemos descansados e o importante é que atingimos o objectivo. E com toda a modéstia que se coloca,  não tenho dúvidas em dizer que merecemos”, comentou.

O treinador confessou que sempre depositou confiança na equipa que dirige e nos jogadores, razão pela qual revelou “em nenhum momento” chegou a ter receio de que fosse perder o troféu para o Kabuscorp, seu mais directo perseguidor na discussão pelo título do campeonato nacional de 2014.
“A única equipa que tinha condição de vencer o campeonato era o Libolo, embora o resultado mais marcante tivesse sido o empate com o Sporting de Cabinda. Mas de maneira nenhuma, nos colocou qualquer tipo de pressão. É óbvio, que um empate em casa nem sempre está nas previsões, mas também sabíamos que daquela jornada em diante, todos os jogos eram autênticas finais”, enfatizou.

Miller Gomes deixou claro, por outro lado, de que nada valeram as tentativas de pressão sobre a sua equipa, sobretudo depois da série de empates consecutivos consentidos na fase crucial da competição. Assegura, que estavam enganados aqueles que pensavam que o Libolo fosse “abanar” com isso, porque “havia a convicção,”  que tarde ou cedo iam ser campeões, ainda que fosse na última jornada.

“Não estávamos preocupados em ganhar o campeonato na 25ª, oitava ou sexta jornada. O que queríamos era que quando terminasse o campeonato, contas feitas, o Libolo seria o campeão, e não na perspectiva de vencermos a prova com antecedência, como foi o caso, por exemplo, de  termos ganho há duas jornadas do fim”.

ELOGIO
“A nossa regularidade
foi coroada com título”

O técnico do Libolo não poupa elogios aos seus jogadores e ao grupo de trabalho que ajudaram a dar corpo ao sonho do terceiro título. Miller Gomes garantiu que a regularidade espelhada pelo Libolo e a performance competitiva demonstradas, foram determinantes para o sucesso da equipa.
“Basta ver que num ápice passámos de quatro para nove pontos de diferença sobre o Kabuscorp. Penso que a conquista do título a duas jornadas do fim, prova que não há resultados antecipados”, precisou.

“Quando toda a gente pensava que realmente o Kabuscorp iria vender caro o título, passamos para uma diferença de nove pontos. Portanto, o futebol é mesmo isso, é regularidade e competição até o fim”, sublinhou.

Miller Gomes destacou a grandeza que teve a equipa de conservar a liderança desde as primeiras jornadas. E aponta o discurso reconfortante em relação ao plantel e recorre ao facto de todas as equipas terem começado a competição na mesma posição, “em igualdade de circunstâncias”. Esclareceu que o distanciamento ou o aproximar dos crónicos perseguidores faz parte da alta competição, o que é salutar pois valoriza a competição e quem vence.

“Qualquer uma das equipas emprestou o seu grau de dificuldades e não há uma em especial que nos tenha marcado. Houve jogos que vencemos no último minuto, mas também ganhámos no primeiro minuto. Penso que cada jogo e adversário teve a sua particularidade e grau de complexidade.
PC

Miller Gomes
quer título africano


O Recreativo do Libolo vai disputar a Liga dos Campeões Africanos de 2015, com objectivo de fazer diferente e tentar conquistar o título. O técnico confessou que este é o sonho de todos aqueles que ajudaram a conquistar o Girabola'2014.

Numa clara imagem de cumplicidade às declarações proferidas pelo presidente do clube, Rui Campos, o treinador fez questão de assegurar estar claramente de acordo com a meta traçada pela direcção do clube, mas admite que a materialização do sonho depende de muitos aspectos.
“Tudo se constrói. O presidente disse e eu reforço, porque também quero ser campeão africano. Agora, como iremos chegar a este título, como iremos fazer e o que deve ser construído, são os aspectos que estamos a analisar e a equacionar”, esclareceu Miller Gomes, para em seguida acrescentar que o propósito vai obrigar a conjugação de esforços.

“É o sonho de todos atingir o pódio africano e temos consciência de que é possível, mas vamos precisar de tempo para preparar a conquista. Estamos a dizer que queremos ser campeões em África e é nesta perspectiva, que estamos a trabalhar e a construir as base, para que no menor espaço de tempo, o Libolo possa chegar a esse título, que é um sonho individual, mas também colectivo”, confessou. Ainda assim, o técnico aborda a questão com alguma cautela, embora admita que a responsabilidade que se coloca hoje à equipa, permite encarar este desafio com enorme crença. Adverte, no entanto, que tudo só pode ser possível com trabalho e tempo.

“Espero contar com ajuda de todos que vão fazer parte do plantel, como foi a época passada, porque não há nenhum jogador do Libolo que não foi campeão. Todos eles contribuíram para o êxito”, garantiu.  Voltar a disputar a fase de grupos da liga dos campeões africanos, representa para Miller Gomes a obrigação de fazer diferente em relação às campanhas anteriores. O treinador concorda que a partir do momento em que o clube assumiu a conquista do título africano como objectivo, aumentam as responsabilidades do grupo em corresponder com as expectativas.

“Vamos competir com um melhor conhecimento da prova, porque já tivemos nas eliminatórias de 2013. Para nós, vai ser uma grata experiência ao nível da Liga dos Campeões Africanos. Apesar de não termos atingido a fase de grupos, mas o traquejo e experiência que deu aos meus jogadores e a mim em especial,  permite-nos encarar a próxima eliminatória de forma optimista”.

PRÓXIMA ÉPOCA
“Estamos a formar um plantel forte”

O plantel do Recreativo do Libolo com vista a época de 2015, deve ser reforçado em qualidade e quantidade. Miller Gomes assegurou estar a trabalhar para a próxima época desde a segunda volta do recém terminado Girabola.

A estratégia adoptada pelo treinador dos campeões nacionais, em antecipar-se na projecção da próxima temporada, visa acautelar que situações anómalas venham a colocar em risco a materialização dos objectivos previamente traçados pela direcção do clube. Foi assim antes do começo do Girabola 2014 e volta a sê-lo agora, a anteceder a época 2015. “Estamos a preparar a época seguinte já há algum tempo e temos as informações todas no nosso site, desde a contratação de jogadores e tudo aquilo que está a ser feito para a próxima época, entre os quais a melhoria das infra-estruturas. Tudo faz parte do pacote para a próxima época”, garantiu Miller Gomes.

“O plantel vai  de ser melhorado na vertente da qualidade e quantidade, tendo em atenção o grande desgaste que é competir ao nível de África e ao mesmo tempo o campeonato nacional, pois as viagens são muito longas, o tempo de repouso é muito curto”, comentou. “Temos de ter um plantel equilibrado e mais reforçado para encararmos as duas frentes com mais tranquilidade”, perspectivou o técnico que acaba de renovar o seu contrato por mais uma temporada, com outra de opção.
PC