Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Formamos bom grupo em 96 com o professor Carlos Alhinho

Paulo Caculo - 11 de Setembro, 2009

Guarda, certamente, grandes recordações do CAN que disputou na África do Sul, em 1996?

Claro. Tivemos o privilégio de formar, na altura, a primeira selecção para competir num campeonato africano e, como estreantes, a prova ajudou-nos a ganhar experiência em competições do género. Cruzámos com selecções muito fortes, sem esquecer, também, que tivemos o azar de calhar no mesmo grupo com a selecção da África do Sul, que organizava a prova.

A prova marcou, também, o seu reinado como capitão dos Palancas…
- Considero ter sido um período marcante da minha carreira como futebolista. Formámos, na altura, com o professor Carlos Alhinho, um bom grupo de trabalho. O espírito de grupo era forte e havia muita união, o que também ajudou a criar um bom ambiente de trabalho.

Como estreantes enfrentaram, naturalmente, muitas dificuldades…
- Sim, como disse, estávamos a disputar o passe para a fase seguinte com selecções muito fortes e que já vinham de experiências anteriores, ao contrário de nós, que éramos novatos na competição. Mas, não obstante isso, procuramos sempre fazer grandes jogos, dar o nosso máximo, mas os adversários apresentaram-se mais fortes.

Recorda de algum jogo ou momento vivido pela Selecção no CAN que o tenha marcado de forma particular?
- Os três jogos que fizemos marcaram-me muito. Foram jogos muito disputados, com selecções dotadas de grande qualidade. Começámos a prova a defrontar o Egipto, procuramos evitar uma derrota na estreia, mas os egípcios seguraram no jogo e venceram-nos por 2-1. No segundo jogo, apesar de termos conseguido melhorar, também não fomos capazes de vencer a selecção anfitriã, que viria a ganhar por 1-0. Diante dos Camarões, melhoramos ainda mais. Como prova disso, empatámos a três golos, num jogo cheio de emoção.

Acha que alguns factores de motivação influenciaram no comportamento da Selecção, nessa altura?
- Acredito que não, porque, embora não tivéssemos os prémios de jogos que são dados hoje, nunca misturamos as coisas. Mesmo faltando este ou aquele incentivo, sempre cumprimos com as nossas obrigações em campo. Podíamos estar descontentes com alguma coisa, mas tudo mudava quando entravámos em campo. Sempre demonstrámos força e atitude para contrariar os adversários.

Mas concorda que muita coisa mudou em termos de condições de trabalho nos Palancas?
- Hoje, os tempos são completamente diferentes, a realidade é também outra. Se antes, jogávamos mais por amor à camisola, hoje a coisa é bem diferente, os atletas já gozam de melhores salários e exigem, também, melhores condições de trabalho. Mas é normal, porque se tratam de épocas completamente diferentes.

Como antevê, hoje, o futuro dos Palancas?
- Penso que a Selecção tem um grande futuro, está a trabalhar muito bem e tem um bom treinador. O Manuel José está a implementar uma nova filosofia de trabalho, que tem surtido efeito. A equipa está a crescer de produtividade, jogo após jogos, e acredito que até à altura do CAN muita coisa ainda vai melhorar.

Acha que a jogar o CAN em casa e diante dos seus adeptos, a Selecção Nacional vai ter fortes possibilidades de superar a classificação do Ghana 2008?
- Qualquer selecção que organize uma competição, espera ganhar e, como tal, acreditamos que não fugiremos à regra. Mas precisamos, antes, de estar bem. Por isso, temos de dar toda a força ao seleccionador Manuel José, para que possa fazer o seu trabalho, moldar uma grande equipa forte, coesa e cuja exibição permita sonhar com os objectivos.