Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

Futebol em fase de renascimento no Bi

17 de Dezembro, 2009

Competio regressa em grande no Bi

Fotografia: Jornal dos Desportos

Que avaliação faz da época futebolística 2009?
A modalidade está numa fase avançada de recuperação, depois de atravessar um mau período. O nosso elenco, liderado pelo presidente Jacinto dos Santos, entrou a "matar", assumindo a difícil situação financeira e de total desorganização. Actualmente, a Associação está a reorganizar o futebol do Bié.

Que balanço faz desta época?
Muito positivo, sem dúvidas. Realizamos o Campeonato Provincial, depois de cinco anos. Há ainda a salientar que depois de 17 anos sem a participação de um clube do interior da província em provas realizadas pela Associação Provincial de Futebol, conseguimos, finalmente, incluir nove equipas, em representação de seis dos nove municípios da província.
Durante a presente época, realizámos um jogo de futebol entre as equipas do Estrela Fundação de Fátima e os Amigos de Akwá. Também realizamos um jogo entre as Velhas Guardas do Bié e do Lubango e acompanhamos e apoiamos alguns campeonatos municipais no quadro da massificação e recreação.
Podemos ainda destacar a realização, pela Federação Angolana de Futebol, da quarta reunião magna de futebol na nossa província. De forma geral, pensamos que a direcção da Associação cumpriu com algumas das muitas acções concebidas no seu programa, graças a alguns apoios que foi recebendo do Governo  Provincial e da FAF. Nesse sentido, o nosso agradecimento vai para o Governo Provincial, na pessoa da ex-governadora do Bié, Cândida Celeste da Silva, do director provincial da Juventude e Desportos e da FAF, bem como a todos os clubes que, lado a lado, trabalharam para que algo fosse feito em prol do desenvolvimento do futebol na província.

Não foi fácil realizar o campeonato unificado sénior/júnior…
Claro que não! Foi um trabalho difícil, mas, felizmente, houve compreensão dos clubes, árbitros e dirigentes desportivos. Todas as pessoas envolvidas na vida do futebol bieno perceberam que estamos a entrar num novo ciclo.

Como caracteriza a adesão dos amantes da modalidade durante o “Provincial"?
Foi fantástica! A prova decorreu bem, os populares acorreram aos estádios. Depois de duas décadas sem verem um jogo de futebol federado, tiveram essa grande oportunidade e foi uma grande festa. Gostaria de abrir um parêntesis para agradecer aos órgãos de comunicação social estatal, mormente a emissora provincial do Bié da RNA e o Jornal dos Desportos, que tiveram um papel preponderante no acompanhamento e na divulgação da competição.

Atingiram a meta preconizada para este ano?
A nossa meta era ressuscitar o futebol da região do Centro-Sul de Angola e o relançamento da modalidade nos escalões juvenis, juniores e seniores, em ambos os sexos, através da disputa de campeonatos provinciais. Outro aspecto tem a ver com a rigorosidade na organização interna das direcções das equipas, assim como a reestruturação dos clubes. Outro factor fundamental para a recuperação da imagem do Bié, no que ao futebol diz respeito. Penso que conseguimos cumprir com esses objectivos, apesar das grandes vicissitudes que a temporada viveu.

O Campeonato Provincial foi disputado por seis municípios dos noves existentes. Por que não teve a participação de todas as localidades?
Participaram apenas representantes do Andulo, Kuito, Katabola, Kamacupa, Kunhinga e Chinguar. Os representantes do Chitembo, Cuemba e Nharea não se fizeram presentes por questões de ordem administrativa. Penso que, na próxima época, vamos contar com os nove municípios da província.

Em termos de formação, quais foram as actividades que a associação realizou...
Em matéria de formação, pouco ou nada se fez tendo em conta os seus custos elevados. Assim sendo, fomos beneficiados com um curso de monitores de arbitragem, realizado em Luanda, em que participamos com dois elementos, o presidente e o secretário do conselho provincial de árbitros. Localmente, realizamos um seminário de capacitação aos árbitros do quadro provincial que participaram no campeonato local.

Associação enaltece
projecto do Sporting Clube

O Sporting Clube Petróleos do Bié está com um projecto bastante ambicioso de formação de futuros futebolistas. Um comentário…
É um projecto bastante louvável, na medida em que os futebolistas que estão a ser formados no clube vão ser uma mais-valia, não só para o futebol bieno, mas para o país inteiro. Sentimo-nos bastante orgulhosos. Acredito que se a dinâmica da direcção “leonina” continuar a mesma, teremos, futuramente, muitos futebolistas, antevendo uma representação condigna em competições nacionais e internacionais. O projecto de massificação visa tirar da monotonia e ocupar os tempos livres da juventude, assim como descobrir novos talentos.

A massificação apenas se vê no Sporting. Em que pé estão os outros clubes?
A massificação do futebol no Bié consta do programa do nosso elenco associativo. Pretendemos massificar a modalidade em todos os municípios. A grande dificuldade prende-se com a falta de apoio financeiro para implementar o projecto, mas vamos continuar a lutar para cumprir com o nosso programa. O aumento do número de praticantes, na intenção de tornar competitivas as provas locais, está também entre as prioridades do nosso elenco.


Clubes devem
procurar patrocinadores

O que diz do facto dos clubes se queixarem da falta de dinheiro?
É uma situação vivida em todos os clubes do país. O desporto em Angola é suportado pelo Estado. Por isso, aconselhamos os clubes a procurarem apoios juntos de instituições estatais e privadas. Não está fácil, mas continuamos nessa batalha. Tenho fé que vamos atingir o objectivo, que passa por contribuir para a melhoria do nosso futebol. É verdade que os clubes sozinhos nada podem fazer, pois falta-lhes dinheiro para desenvolver o desporto de alto rendimento. Defendo que o Estado deve ajudar em questões de material e moral os clubes.

Apesar dos constrangimentos que citou, o futebol no Bié não pára…
Não. Não podemos parar. Vamos continuar a trabalhar. Parar é como que acabar com a parte que identifica a nossa cultura. A Associação Provincial quer resgatar a mística do futebol local.

Depois de 20 anos fora da arena nacional, o futebol jovem regressa em grande. Qual é a meta a atingir?
Pretendemos voltar em grande aos campeonatos nacionais de juvenis e de juniores, nos quais o Bié vai participar com o Sporting Clube. Durante as décadas de 1980 e 90, a província participou regularmente nas provas realizadas pela Federação Angolana de Futebol. Queremos voltar a fazer parte delas.

Actualmente, a província possui uma equipa na Primeira Divisão. Quando voltaremos a ver as formações daqui a competirem ao mais alto nível?
Trabalhamos com os clubes e notamos que vivem uma situação financeira nada boa. Apesar dessa contrariedade, os clubes locais estão a reorganizar-se para aparecer com os pés bem assentes no chão. Acredito que, na próxima época, vamos ter representantes no Torneio de Apuramento ao Girabola.

É o que perspectiva para o próximo ano?
Estamos a preparar um encontro com todos os clubes inscritos na Associação Provincial de Futebol. O encontro está agendado para o fim deste mês, no sentido de prepararmos a próxima época em termos de campeonatos provinciais. Em princípio, vamos começar o próximo ano com um refrescamento dos dirigentes desportivos, árbitros e técnicos.

Reorganização do futebol
jovem é prioridade

O vice-presidente da Associação Provincial de Futebol do Bié (APFB), João da Silva, apontou, igualmente, como linha de força para a próxima época desportiva, o relançamento da modalidade nos escalões de iniciados, juvenis e de juniores, em ambos os sexos, através da disputa de campeonatos provinciais. Silva considerou, também, a rigorosidade na organização interna das direcções das equipas, a reestruturação das respectivas sedes, como outros factores fundamentais para a recuperação da imagem da província, no que ao futebol diz respeito.
 
Quantas equipas estão filiadas na Associação Provincial de Futebol do Bié?
A nossa Associação tem nove equipas inscritas: Sporting Clube, Vitória Atlético Clube, Benfica do Kunje, Desportivo do Kunhinga, Clube Recreativo dói Chinguar, Desportivo Geodésico de Kamacupa, Sporting de Katabola, Benfica do Andulo e Desportivo de São Paulo do Kuito.

O número satisfaz?
Obviamente que não. Vamos continuar a trabalhar para aumentar o número de equipas e de praticantes.

Os Palancas Negras estão inseridos no Grupo (A) do CAN Orange-Angola’2010. O que espera da prestação da nossa Selecção?
Está num grupo difícil. Acho que as quatro selecções (Angola, Argélia Mali e Malawi) vão ter muitas dificuldades, mas acredito na passagem da nossa Selecção à fase seguinte. O seleccionador Manuel José é conhecedor do futebol africano e, por isso, creio que tem tudo preparado para enfrentar os adversários.