Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Gilberto Franco do ARA da Gabela quer jogar no Girabola

Manuel Neto - 26 de Janeiro, 2013

Defesa considera que tem qualidades para estar na primeira divisão

Fotografia: José Cola

O lateral Gilberto Franco, que na época passada representou o ARA da Gabela do Kwanza-Sul, procura uma oportunidade numa das equipas do Girabola para mostrar as potencialidades que reúne, declarou ontem ao Jornal dos Desportos. O atleta disse que chegou a altura de experimentar uma prova mais competitiva com realce para o Girabola, de forma a elevar bem alto a sua carreira desportiva. “Comecei muito cedo a jogar nas equipas das províncias, como o Desportivo da Huíla, Benfica do Huambo e Ara da Gabela. Sei que valeu pela experiência”, disse. O atleta recorda com tristeza o momento em que contraiu uma lesão que por pouco não o afastou dos relvados para toda a vida.

“Foi contra o Desportivo do Xingo, numa altura em que procurava desbobinar todo o meu futebol e na disputa de um lance, magoei-me com certa gravidade no tornozelo direito e levei quase três meses para me restabelecer, o que me levou a desistir da competição”, disse. O ex-jogador do Ara da Gabela considera o sucedido um acontecimento natural e afirma ter feito um grande esforço para a sua recuperação. Além disso, tudo se tornou mais fácil, pelo apoio que recebeu de algumas pessoas próximas, com particular destaque para o seu técnico. “Quase já não encontrava razões para continuar a jogar, mas a dada altura encontrei um grande apoio de pessoas que conhecem o meu valor e graças a Deus estou de volta com muita vontade de recuperar e demonstrar as potencialidades que tenho para o bem do futebol angolano”, disse.


KWANZA-SUL
Atleta vê como
um futuro “viveiro”


O jogador considerou que o Kwanza-Sul é uma região que dispõe de condições favoráveis para a prática do futebol mas é necessário que haja mais vontade das pessoas que superintendem a modalidade. “Existem muitos jovens e crianças interessadas na prática desportiva, por isso, com políticas concretas e sérias, acredito que pode ser um grande viveiro de jogadores e do desenvolvimento do futebol angolano”, disse. O jogador referiu que a sua passagem pela Segundona foi bastante valiosa porque pôde ganhar muita experiência e fazer amizades. “A Segundona, embora não seja competitiva como o Girabola, não deixa de ter um grande valor. Hoje, nesta prova, já se nota a existência de jogadores com alguma experiência, com uma técnica acima da média que em nada fica a dever aos jogadores do Girabola. Por isso, a minha passagem pela Segundona foi valiosa para a minha carreira e hoje digo, sem medo de errar, que estou em condições de jogar em qualquer equipa do Girabola”, disse o atleta.


 SEGUNDO O ATELETA

“Libolo engrandece o futebol angolano”


Gilberto disse que quando se faz uma abordagem sobre o Girabola é imperioso reflectir-se acerca da espectacular prestação do Recreativo do Libolo nesta prova. “Tenho verificado que ultimamente o Libolo está a ganhar espaço no nosso futebol e isso é muito bom porque, nos dias de hoje, já não são apenas o Petro, 1º de Agosto ou Interclube que surgem como papões do Girabola. O Libolo vem engrandecer cada vez mais a nossa competição interna”, disse. Para o atleta, os ganhos que o Libolo está a alcançar são fruto de uma grande organização interna, desde atletas, equipa técnica e direcção, aspecto que acha fundamental para qualquer equipa que se propõe ganhar as provas que disputa.

“Gostava que a maior parte das equipas copiassem o modelo de organização do Libolo, para benefício do futebol angolano. Nunca lá joguei, mas como um atleta que trabalhou muito na província é fácil depreender que lá todos trabalham muito e unidos pelas vitórias”, salientou. Em função deste bom trabalho que a turma de Calulo tem evidenciado, Gilberto acredita que a equipa vai fazer uma boa campanha nas competições africanas em que se encontra inserida. “Acredito que o Libolo vai ter uma melhor participação nas competições africanas em relação à que teve no ano passado. A equipa já foi mais cautelosa a fazer dispensas e, em função disso, tem um grupo coeso, pode reforçar-se apenas nalguns sectores. A experiência que adquiriu nestas andanças conferem-lhe um maior traquejo para encarar a competição com tranquilidade”, disse.


CARREIRA
Jogar na Selecção Nacional
e no 1º de Agosto é um sonho


Representar as melhores equipas do país, como o 1º de Agosto e o Petro de Luanda, e ainda vestir a camisola dos Palancas Negras, faz parte dos planos do ex-lateral da equipa do Ara da Gabela. “Qualquer atleta ambicioso quer o melhor para si e eu não fujo à regra. Tudo farei para alcançar os meus maiores objectivos em termos futebolísticos, que passam por jogar numa das ditas equipas grandes do país, com realce para o Petro de Luanda e 1º de Agosto. Sei que não é tarefa fácil, mas acredito que vou conseguir”, prometeu. Gilberto Franco apela a todos os jovens desportistas no sentido de enveredarem por uma vida regrada, de forma a salvaguardarem as suas carreiras para um contributo valioso neste desporto.“Um atleta regrado facilmente alcança os seus objectivos, embora deva dizer que em Angola é difícil encontrarem-se jogadores com uma vida regrada, o que tem sido um das principais causas do encurtamento das carreiras de muitos atletas”, disse.