Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Girabola está mais disputado

Augusto Panzo - 17 de Novembro, 2014

Técnico reconhece que plantel do Sagrada Esperança tem despertado interesse dos candidatos ao título

Fotografia: Mota Ambrósio

O  Girabola  2014, consagrou o Libolo como novo campeão nacional. Que balanço faz da prova?
O Girabola 2014 foi bem disputado, devido a própria dinâmica que se notou ao longo da prova. Vimos que no topo tinha uma disputa acérrima, em que o campeão foi encontrado quando restavam duas jornadas do fim, enquanto na linha de despromoção a luta levou até ao último minuto das equipas envolvidas.

O equilíbrio registado nos dois pólos, ou seja, no despique na luta pelo título e  fuga à despromoção, contribuíram para competitividade que se registou no campeonato nacional?
Sem sombra de dúvidas. O que acabámos de assistir neste Girabola de 2014,  demonstra que existiu uma grande competitividade no campeonato e ficou provado que ano após  ano, tem havido um empenho muito sério das direcções de todas as equipas participantes e das próprias estruturas do futebol angolano. Isso engrandece e cria maior interesse à competição.

Isso pode dizer-se que é prenúncio de alguma evolução do futebol angolano?
Penso que sim. Aliás, já se nota que o Girabola envolve treinadores muito mais capazes, jogadores muito mais disponíveis, com um conhecimento táctico muito acentuado e as equipas aparecem mais organizadas. Ficou notório de que as equipas que se posicionaram no último terço da tabela classificativa, fizeram quase sempre frente e criaram muitas dificuldades às que se encontravam no topo. Isso demonstra a qualidade e o desenvolvimento.

Em relação a equipa que dirigiu, o Sagrada Esperança conseguiu concretizar os  objectivos preconizados para a época?    
Os objectivos do Sagrada Esperança foram concretizados. Se reparar bem, apenas não tivemos o mesmo estilo e a mesma identidade do ano passado, mas conseguimos mais uma vez colocar jogadores na Selecção Nacional. Neste momento, os atletas do Sagrada Esperança são desejados pelos grandes clubes de Angola. Na mesma senda conseguimos colocar um jogador na lista dos melhores marcadores do Girabola 2014, repetindo a proeza da época passada.

Se a tendência é  melhorar, na temporada não conseguiram repetir ou superar o feito da época 2013...
Neste Girabola tivemos quatro pontos a menos em relação ao ano passado, numa altura em que poucos ou quase ninguém acredita em nós, e fomos considerados a grande surpresa, pois ninguém contava com um Sagrada Esperança a destilar um futebol com um estilo diferente e este ano foi a confirmação.

Falhado os objectivos desta temporada, podemos espera por um Sagrada mais competente, em 2015?
Evidentemente. Tenho a certeza absoluta de que o Sagrada Esperança vai tornar-se  uma equipa muito mais difícil, porque somos uma formação com uma imagem extremamente competitiva e isso, cria-nos mais dificuldades.

SAGRADA ESPERANÇA
Trabalho de casa envaidece grupo

Apesar do defeso em termos competitivo, a nível administrativo a máquina continua a funcionar. O que nos pode adiantar em termos de reforços para a próxima época, cogita-se que o Nataniel vai para o Libolo. O que tem a dizer?

Tudo isso, é a confirmação da qualidade de que a equipa promoveu os jogadores de qualidades, tal como já o disse antes. É o espelho da ambição e do nível da equipa que se apresentou.

Com o interesse de outras equipas pelos jogadores do Sagrada Esperança, fica uma mais vez provado o trabalho que está a ser feito no Estádio do Dundo?
AC: Sim. Não se trata apenas do Nataniel a despertar a atenção de outros clubes, pois, vários jogadores do Sagrada estão a ser assediados pelas grandes equipas de Angola.

Qual é o segredo para cobiça dos jogadores mais influentes da sua equipa? Isto não lhe preocupa?
É fruto de tudo aquilo que temos feito. É a qualidade do trabalho levado a cabo no Sagrada Esperança, que deu capacidade a esses jogadores, que agora despertam o interesse dos outros clubes. Com a possível saída do Nataniel, temos de procurar criar condições para que outros atletas como o Nataniel possam surgir. O Nataniel é um jogador que surgiu do nada no Sagrada Esperança e  fez-se  um atleta de alto nível.

Como se sente, ao tomar conhecimento que jogadores forjados por si são uma cobiça no mercado?
Não sei para os outros, mas para mim, não pode ter outro sentimento senão o de satisfação. Sinto cada vez mais, que no Sagrada Esperança há mais diamantes a surgirem no mercado e esse trabalho, de voltar a criar atletas para o mais alto nível está a dar-nos um enorme prazer.

Há pouco disse que existem outros jogadores que interessam às outras equipas. Pode avançar-nos os seus nomes?
Infelizmente não, porque prefiro que eles fiquem comigo, de maneira que possa manter a minha equipa forte. Não quero desmantelar a nossa estrutura, por que gostava que o Sagrada Esperança pudesse manter o mesmo nível.

Caldas admite cobiça dos adversários

Para uma equipa que já foi campeã nacional, não acha que deve manter a ambição de tornar a vencer a prova e não se limita em a jogar para melhoria de classificação,  para tal deviam manter os melhores jogadores no plantel?
Logicamente. Só mantendo essa estrutura é que tínhamos a possibilidade de promover o futebol, os atletas, o clube, a região, enfim tudo isso, torna extremamente importante mantermos a mesma equipa competitiva. Naturalmente, somos um clube em que as outras equipas têm as atenções centradas.

O plantel do Sagrada Esperança está a ser  alvo de cobiça dos chamados grandes do futebol nacional ou as atenções estão centradas apenas em um ou dois atletas?
Todos manifestam interesse na qualidade dos nossos atletas, mas isso faz parte do futebol, faz parte da esfera desportiva. Aliás, o casting hoje está extremamente forte também aqui em Angola, mas temos procurado nos acautelar para não sermos surpreendidos.

É evidente a saída de alguns atletas, pensa recorrer aos escalões de formação para promover alguns juniores ou contratar outros jogadores para colmatar a vaga dos que eventualmente podem deixar o clube?
Não senhor. Nós temos uma política no clube. Já prevíamos que alguns atletas, pelo seu nível de exibição, o crescimento em termos físicos e técnicos pudessem vir a ser cobiçados, então devíamos ter de acautelar essa possível saída. Daí que, começámos a pensar em possíveis sucessores, mas todos do clube.

Pelos vistos, a direcção do clube e a equipa técnica estão prevenidos sobre eventuais saídas de atletas influentes no plantel?
Sim. Nestes últimos jogos do Girabola, por exemplo, o Nataniel esteve a cumprir um castigo federativo muito pesado e para não ser tão notória a ausência no plantel, tivemos de colocar na sua posição, atletas suplentes, com o fito de ganharem a rotina de jogo necessária. Vamos dar continuidade à política interna do clube, ou seja, enquanto uns jogadores saem, outros vão ter a sua oportunidade.

É vossa intenção,não quebrar esse ritmo?
Claro, nós não queremos deixar quebrar seja em que circunstâncias for, porque o desenvolvimento tem sido muito rápido, e as potências do futebol angolano estão atentas à isso.

REGRESSO
“Estou orgulhoso de trabalhar na Lunda”


Professor, sabe-se que na zona Leste do país os adeptos são muito mais exigentes, se comparados com os do litoral. O que tem sido para si, trabalhar naquela região onde existem apenas duas equipas na maior prova do futebol nacional e que o próximo vai contar com mais uma formação, desta feita da Lunda Sul?
Não tem sido fácil, porque nota-se um pouco quando nós saímos da província. Parecemos estrangeiros. Sentimentos maior orgulho dos adeptos das equipas da capital.

Sentem-se melhor em vossa casa ou fora dela?
Eu sinto-me bem em minha casa, onde temos adeptos fantásticos. Acho que a seguir ao Kabuscorp, temos a maior claque do país, mais barulhenta, que adoram a sua equipa e os seus atletas. Muitas das vezes foram eles que nos ajudaram a passar por situações menos boas e conseguimos dar a volta a certos resultados.

Isto significa que a equipa tem todo o carinho da massa associativa?
Significa que existe uma verdadeira simbiose no Dundo para com a equipa, que sem dúvidas é muito importante para todos nós.

A equipa quando joga em casa, sente a pressão dos  adeptos?
O Sagrada Esperança vai jogar a qualquer província ou a qualquer estádio, com uma filosofia de jogo igual àquela que utiliza quando joga em casa, movida pelo sentimento de vitória. Não temos medo de perder, queremos ser felizes e para que isso aconteça, é preciso que sejamos aventureiros e ir à procura da vitória. Então, encaramos sempre os jogos com o objectivo de olhos nos olhos, perante todos os adversários, para demonstrarmos que o Sagrada Esperança quer ser o protagonista deste ou daquele jogo.

Isto demonstra que a pressão dos adeptos ajuda o banco a adoptar a melhor estratégia para obter os resultados que todos almejam?
Hoje, quem quer estar no futebol ou na dinâmica da própria vida, tem de estar preparado às pressões, porque a nossa vida é uma pressão. Basta nós estarmos aqui na rua, para notar que há muita pressão. Agora, o essencial é que nós temos de estar preparados para viver isso.

Tem passado esta mensagem ao grupo de trabalho, com realce para os seus atletas?
Todo atleta tem de sentir que é com essa pressão, que tem de se conseguir ultrapassar muitas dificuldades. Por outro lado, é através da soma diária de treinos e a soma semanal de jogos que nos devemos preocupar com o seu futuro, pois, é dentro deste somatório que se consegue atingir o objectivo.

Em função desse reconhecimento, que apelo faz à massa associativa para a próxima temporada?
Que os nossos adeptos continuem a ter a alegria de serem adeptos do Sagrada Esperança, porque com a motivação que  nos transmitem, podemos dar cada vez mais alegrias e mantermos a chama de entusiasmo, que é a nossa maior pretensão.

PRÓXIMA ÉPOCA
“Pensamos
reforçar o plantel”

Para além da promoção de jogadores, o professor pensa fazer algumas novas propostas de aquisição?
Sim. Vamos tocar em muitos sectores, reforçar não apenas com jogadores jovens, mas também com alguns que têm certa maturidade e que se vão juntar aos novos, na tentativa de fazer um plantel equilibrado com aquilo que temos, para dar maior competitividade e rodagem à equipa, porque de ano para ano a exigência é maior. O Sagrada Esperança neste momento tem uma imagem que carece sempre de algumas cautelas em relação aos nossos adversários.

E quanto às dispensas, quantos atletas pensa tirar do actual plantel?
São reduzidas. Situam-se por aí na ordem de dois porcento, os atletas que vão ser dispensados, em relação ao que vou procurar. Pensamos manter o que temos.

JD: Pretende renovar ….
Exactamente. Quero renovar e ao mesmo tempo dar umas pinceladas em alguns sectores para tentarmos acautelar o futuro.

AMBIÇÃO
Treinador quer voltar

a perfumar os estádios

Depois da sétima posição na edição passada do Girabola, que Sagrada Esperança podemos esperar em 2015?
Tal como já me referi no início desta entrevista, perspectivo um Sagrada disponível para continuar a perfumar os relvados dos campos onde o Girabola se efectuar. Uma equipa pronta a discutir e proporcionar bons espectáculos, bons jogos, agressivos, no intuito de sempre procurarmos vencer.

Pela experiência que carrega em relação ao Girabola, onde já trabalha há mais de cinco anos, é a favor da criação de uma Liga de futebol no país?
Para que haja cada vez mais profissionalismo do nosso futebol, para haver maior rigor e maior responsabilidade, não há dúvidas que uma Liga de futebol é fundamental. Acho que é extremamente importante, porque os clubes e os dirigentes têm de ser cada vez mais profissionais. Por isso, sou a favor do surgimento da Liga.

 Angola é  um país com realidades diferentes em relação aos outros países, o que é que a Liga pode trazer realmente para o nosso futebol?
Acho que pode trazer maior rigor e mais disciplina, porque as pessoas passam a ter muito mais disponibilidade para estarem nas suas funções. Acho que não pode haver dúvidas, para isso ia acarretar maior profissionalismo.