Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Girabola vai ser complicado

Augusto Panzo - 13 de Janeiro, 2011

Victor Bondarenko promete equipa demolidora e antev competitividade

Fotografia: Jornal dos Desportos

Jornal dos Desportos - Voltou a Angola para reassumir o cargo de treinador principal do Kabuscorp. O que esteve na base do seu afastamento no início da época passada?
Viktor Bondarenko – Foi uma decisão unilateral provocada por factores subjectivos que já não interessam aqui enumerar. O mais importante nisso tudo é que gosto de Angola, do Kabuscorp e dos seus adeptos. Também sou uma pessoa que admira muito o senhor Bento Kangamba. É uma pessoa com projectos muito sérios.

Assinou um novo contrato para quanto tempo com a direcção do Kabuscorp?
Para apenas uma época com opção de renovação, dependendo de como andarem as coisas.

É um contrato aliciante?
Sim, um contrato muito bom. E reafirmo aqui a minha vontade de trabalhar com o senhor Bento Kangamba, porque é uma pessoa muito inteligente, que sabe muito sobre o futebol moderno. Por isso, é muito interessante trabalhar com ele.

O que o levou a aceitar este novo convite?
Deixa-me lhe dizer que gosto muito do Bento Kangamba, além de ter Angola como o país africano predilecto. Prometi um bom trabalho ao presidente Kangamba na época passada. Conforme vocês viram, tivemos uma primeira volta muito boa. Infelizmente, por razões que não interessam focar aqui, não deu para continuar à frente do grupo. 

Nesse seu regresso à frente da equipa, que novidades traz?
Vim para dar sequência ao trabalho iniciado no ano passado. Quero continuar a trabalhar nesta equipa, para fazer o que prometi o ano passado ao presidente Bento Kangamba.

Já que volta a Angola para fazer o que prometeu o ano passado, faça-nos uma antevisão do Girabola’2011?
Por aquilo que acompanhei, nestes últimos dias que passei em Luanda, tenho a impressão de que o Girabola’2011 vai ser muito interessante. No ano passado, o campeonato foi muito competitivo. O Kabuscorp jogou muito bem, mas acho esta época será ainda melhor que a de 2010, porque vi que as equipas se estão a reforçar muito. Acredito que teremos um Girabola complicado para todas as equipas.

Em função desse seu pensamento, que Kabuscorp teremos em 2011?
Por aquilo que constatei, o Kabuscorp está muito bem, tem um grupo de trabalho muito jovem. Para melhor aproveitar esse factor, vamos fazer um bom programa de preparação, que vai começar com uma semana de trabalho cá em Luanda, duas semanas em Benguela e um mês na África do Sul, local onde pensamos fazer o estágio pré-competitivo.

Quantos jogos de controlo pensa realizar na África do Sul e com que equipas?
Acho que faremos, no máximo, oito jogos de controlo. E, como os treinadores das equipas com as quais vamos jogar são meus amigos, já mantive os contactos com os mesmos, no sentido de fazerem os seus programas de trabalho contando com jogos connosco. Sobre as equipas a defrontar, cito aqui o Kaiser Chiefs, o Mamelody Sundown, Supersport United, Orlando Pirates. Vamos fazer oito jogos de controlo, que acho suficientes para nos proporcionar uma boa base, para quando chegarmos ao país, começarmos a atacar, atacar, atacar.

Vamos fazer um bom campeonato

Qual é a ambição do Kabuscorp no Girabola deste ano?
A ambição da equipa é fazer melhor do que se fez na época passada. Ainda não temos as metas definidas, mas suponho que tudo passa por aí. Vou agora à África do Sul em busca dos meus haveres, e quando regressar, terei um encontro com o presidente do clube, para lhe explicar os nossos objectivos. Mas, em princípio, é mesmo tentar superar a nossa prestação de 2010.

Em que lugar gostaria de terminar o próximo Girabola?
Ainda não estou interessado em definir posições, nem estabelecer metas precipitadas. Acho que o melhor é falar sobre qualidade. A minha primeira preocupação é aumentar os níveis de qualidade da equipa. No ano passado, demos um passo em frente, este ano, a nossa grande tarefa consiste em dar dois grandes passos, que significa melhorar a qualidade do jogo, a disciplina no seio da equipa, o ataque dentro do rectângulo de jogo.

O que quer dizer com isso?
Quero dizer que temos de procurar balancear as coisas, não sofrer muitos golos, mas, em contrapartida, marcar mais e melhorar outros aspectos. Esse é o meu objectivo.

Que estratégias o professor vai adoptar para a equipa?
As minhas estratégias para a equipa, em 2011, passam pela criação de um conjunto que tenha fogo nos olhos, com vontade. Essa é a primeira e também a tarefa fundamental para o sucesso. A seguir, impor uma disciplina dentro do grupo, em geral, com a implantação de um rigor táctico e técnico no campo. A terceira estratégia será a implementação de tácticas nos diversos sectores da equipa, na defesa, no meio-campo e no ataque. Vamos incidir muito o nosso trabalho nessa vertente. Se nós conseguirmos encaixar bem esses aspectos, acredito que vamos fazer um bom campeonato.

Portanto, se forem cumpridos esses pressupostos, vamos ter um Kabuscorp demolidor?
Exactamente. Aliás, conforme já frisei prometi ao senhor Bento Kangamba um bom trabalho o ano passado. Nesta temporada, quero cumprir a promessa e fazer um pouco mais para além do prometido. Recebi dois convites de equipas de gabarito na África do Sul, como é o caso de Maloca Swalows e de uma outra, mas preferi abdicar deles, tendo em conta o compromisso feito perante Bento Kangamba.

"Preciso de reforçar a equipa"


Pensa em adquirir reforços?
Preciso de reforçar a equipa em todos os sectores. Por isso, já indiquei alguns jogadores que conheço, e que militam no Girabola, mas não interessa aqui avançar nomes. A direcção da equipa vai trabalhar agora sobre esse aspecto. A nossa direcção melhorou muito, porque me apercebi que recebemos um director para o futebol. Tem também melhorias na equipa técnica, o que vai ajudar muito na organização das coisas. Por isso, penso que este ano vai ser bom para o Kabuscorp.

Se indicou nomes, não é normal revelá-los?
Indiquei sim, mas não quero pronunciar-me sobre isso agora, porque ainda estão em negociações com a direcção.

Pensa ter os mesmos adjuntos que teve na época passada?
Sim, senhor. Penso continuar com Mbiyavanga e com Baba, porque humanamente são boas pessoas. Além disso, também são bons treinadores. Quero aprender algo com eles e, em contrapartida, transmitir-lhes a minha experiência, enfim, ensinar-lhes aquilo que sei fazer, porque o meu propósito no Kabuscorp passa também pela preparação de dois treinadores para o futuro da equipa.

Que vantagens encontra agora no Kabuscorp, após a edificação de uma sede própria?
É simplesmente fantástico e digo muito obrigado pelo êxito alcançado. Aliás, quero estender a minha felicitação ao senhor Bento Kangamba pelo esforço feito, que culminou com a construção de uma sede fantástica, moderna, e que vai nos permitir trabalhar sem sobressaltos. Falta-nos apenas uma coisa, um campo próprio. Mas, conhecendo Kangamba como conheço, tenho a certeza absoluta de que o campo também é uma questão de mais um tempinho só.

Em África há 25 anos

Há quanto tempo vive em África?
Estou em África há 25 anos. Já trabalhei como treinador de futebol durante nove anos em Moçambique. Estive na África do Sul durante sete anos, no Egipto, e, ultimamente, cá em Angola.

Gostaríamos que nos falasse um pouco sobre a sua folha de serviço.
Porque não? Como disse, fiquei oito anos em Moçambique, onde orientei os Mambas, como também é conhecida a selecção nacional daquele país, com a qual me qualifiquei à fase final do CAN de 1996, na África do Sul, onde estivemos no mesmo grupo que os Palancas Negras. Na África do Sul, treinei a equipa do Orlando Pirates, com a qual ganhei uma Supertaça de África, treinei também o Mamelody Sundowns, o Maroca Swalows, o Buscat. Ganhei muitos títulos nesse país da África Austral. Dali, rumei para o Egipto, para treinar o Ismailia, uma equipa muito forte e que, a nível do continente, já deu cartas. Em todas essas equipas, sempre fui treinador principal. Na Rússia, treinei o Dínamo de Moscovo, uma equipa militar de Rostov e também uma selecção militar local.

O que tem a dizer aos adeptos da equipa do Kabuscop?
Primeiro, agradeço aos adeptos por tudo quanto fizeram no Girabola do ano passado e pelo que têm feito ao longo deste tempo em que o campeonato se encontra parado. Segundo, dizer-lhes para que voltem a apoiar-nos este ano com o mesmo vigor e determinação que os caracteriza, porque isso é muito importante no futebol moderno.

Perfil

Nome: Viktor Ivanovich Bondarenko
Data de Nascimento: 13 de Junho de 1949
Naturalidade: Moscovo
Nacionalidade: Russa
Estado civil: Casado
Filhos: 2
Altura: 1,92 m
Peso: 85 Kg
Clube: Inter do Milão
Desporto ideal: Futebol
Tabaco: Não
Bebida: Água e sumo
Número de calçado: 42
Princesa encantada: Esposa
Música: Angolana
Prato preferido: Frutos do mar
Cor: Vermelho
Religião: Protestante
Calor ou cacimbo: Calor
Esplanada ou discoteca: Esplanada
Boleia ou volante: Volante
Droga: Contra
Poligamia: Contra
Filme: Policial
País: Angola
Província: Benguela
Formação Académica: Instituto dos Desportos e Alta Escola de treinadores.
Formação Profissional: Curso de treinadores Megalândia. Tive refrescamentos em Espanha, na Alemanha, na Inglaterra. Tenho licenciatura em treinamento desportivo, considerada a mais alta da Europa.