Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Godinho pede maior unio pelo Andebol

Jlio Gaiano, na cidade do Lobito - 07 de Junho, 2010

Pedro Godinho,presidente da Federao Angolana de Andebol

Fotografia: Jornol dos Desportos

O presidente da Federação Angolana de Andebol, Pedro Godinho, esteve recentemente na cidade de Benguela em trabalho. O homem forte do andebol nacional contactou as autoridades do executivo local, tendo como o ponto mais alto o encontro com o governador Armando da Cruz Neto.Com o chefe do executivo,Pedro Godinho tratou assuntos ligados a modalidade ao nível local, recebendo garantias de que o governo provincial está aberto a prestar apoio incondicional a modalidade."Ao governador Armando da Cruz Neto, pedimos para reservar maior atenção a modalidade",explica Godinho. Esteve recentemente em Benguela.O que diz sobre a visita? Fui convidado, pelos dirigentes locais ligados ao andebol,para testemunhar e dignificar a tomada de posse da nova direcção da associação da modalidade.Benguela não tem tido a hegemonia que nos habituou, principalmente nos escalões de formação e fiz-me presente na referida cerimonia para encorajar a nova direcção para, em parceria com a direcção da federação de tutela, devolver à província o lugar que lhe merece.Não fazia sentido estar em Benguela sem visitar a cidade do Lobito, onde tomei contacto directo com alguns dirigentes desportivos locais,nomeadamente os do Eléctro Sport Clube. O que se tratou nos contactos com integrantes da nova direcção da associação?Muita coisa.Falamos na necessidade de unir a família do andebol que nos últimos tempos vai apresentando um relacionamento algo incaracterístico e aproveitamos para aclarar alguns mal-entendidos que se levantavam contra a direcção da federação. Em momento algum a federação de andebol esteve na base dos problemas internos vividos no andebol benguelense. Por isso, pedi a todos ligados directa ou indirectamente à modalidade, no sentido de diminuírem as diferenças que existiam entre Lobito e Benguela, pois só unidos nos tornaremos fortes, saindo assim a ganhar o andebol da província e do país. Acha que a nova direcção da associação oferece garantias para o desenvolvimento da modalidade na província?Fique claro que não cabe a federação tirar essas conclusões, muito menos indicar quem quer que seja para liderar uma associação provincial.Esta é a tarefa dos filiados (clubes, sobretudo).Para nós, o importante não é o peso económico ou social que os homens ostentam, mas sim a certeza de que os eleitos estarão capacitados para levar avante os programas elaborados e apresentados durante a campanha. Algo diz-me que há uma grande vontade de se ultrapassar as quezílias que dividiram a família do andebol em Benguela. O quê o leva a esta convicção?É simples...ao contrário de outros elencos directivos que tiveram fins que não interessa recordar, este foi consensual. Houve um cuidado de se seleccionar pessoas certas para os lugares certos. Logo, estão criadas as condições para se ter uma associação de Benguela una e forte. Com o reparo, acaba de confirmar o que se comentou nos bastidores, segundo os quais a sua vinda a Benguela é mais uma forma de manifestar publicamente que a direcção da federação acredita no sucesso da nova liderança...A federação de andebol não intervém directamente nos assuntos internos das associações provinciais. Fá-lo se a necessidade assim justificar, o que não é o caso de Benguela. A nossa presença aqui não foi senão o cumprimento de uma obrigação moral que temos com as associações provinciais.Escuso-me a responder aos comentários que em nada enobrece o bom andebol que sempre defendemos enquanto dirigentes desportivos. Voltando à anterior direcção da associação. Não acha incongruente o senhor falar de uma direcção consensual, quando se sabe que nela continuarem pessoas ligadas à crise que a modalidade atravessou? O pouco que sei sobre este assunto é pela imprensa, designadamente o Jornal dos Desportos e a Rádio Cinco.Na verdade, isto preocupa a todos nós, mas há que sermos honestos connosco mesmo.Depois de Luanda, a associação de Benguela é das mais privilegiadas do país e, por isso, deve sentir-se orgulhosa.Ouvi falar de uma peste e não pretendemos que a modalidade seja assim encarada na província.Quando falo de uma lista consensual, associo-me àquilo que deve ser o futuro do andebol na província e no país.É certo que fazem parte da nova direcção pessoas conotadas com o passado crítico do andebol local, mas acredito que tudo ficou para trás e a ninguém mais interessa lembrar. Matrindindi passa a ser gerido pela associação de andebol A sua presença em Benguela estendeu-se a contactos com as autoridades do governo provincial e de algumas localidades. O que diz sobre esta empreitada?Foram encontros bastante proveitosos, a julgar pelos resultados obtidos, muito mais com o senhor governador, que se mostrou receptivo a apoiar a modalidade.O nosso maior ganho no encontro com o chefe do executivo foi conseguir a gestão do Pavilhão Gimnodesportivo Matrindindi, acabando assim com as indefinições que pairavam à volta do mesmo.Como assim?Para agrado de todos, foi-nos garantido pelo director da ENE, Alcides Bravo da Rosa, que a referida infra-estrutura terá corrente eléctrica a partir da rede geral da Empresa Nacional de Electricidade, deixando de depender de fontes alternativas, um gerador eléctrico que, infelizmente, está avariado. O que mais pediram ao governador?Ao governador, Armando da Cruz Neto, pedimos para dar maior atenção à modalidade. Os clubes carecem de apoio financeiro e de material.Felizmente, fomos bem sucedidos, já que nos foi garantido apoio moral, institucional e de material pelo Governo de Benguela. Estender a prática da modalidade no interior da província consta dos planos da nova direcção da associação. Como o governador encara este assunto?É um assunto já idealizado pela Federação Angolana de Andebol, há alguns anos.Com a tomada de posse da nova direcção da associação, o projecto pode vir a ser materializado nos próximos meses. Federação aposta na formação O que diz sobre o cumprimento de tarefas traçadas no programa apresentada ao longo da campanha eleitoral?Temos sabido cumprir à risca com o programa traçado para este mandato. Não tem sido tarefa fácil, a julgar pelas dificuldades financeiras que atravessamos, fruto da recessão económica resultante da queda do preço do barril de petróleo nos principais mercados do mundo.Ainda assim estamos no bom caminho, com a certeza de que, até ao fim do nosso mandato, sentirmo-nos felizes, pelo dever cumprido.  Em que área incidiu (ou ainda incide) a actuação na federação?Para se desenvolver qualquer actividade, seja desportiva, política, ou outra qualquer, deve-se ter em conta a vertente humana.É nesta ordem de pensamento que, para continuarmos a ser fortes a nível de África e respeitados no Mundo andebolístico, entendemos apostar na formação de técnicos, árbitros e outros quadros afectos à modalidade. Foi assim que, ao longo do nosso mandato, promovemos algumas sessões de formação e refrescamento para os árbitros, técnicos e monitores em algumas províncias, com destaques para Benguela, Bié e Luanda. Em vista, está mais uma sessão de formação a decorrer à margem dos campeonatos nacionais seniores masculinos e femininos, no Moxico, em que esperamos contar com a participação de pessoas das províncias do Moxico, Lunda-norte e Lunda-sul. Kwando Kubango entre as prioridades Mais uma vez, o Kwando-Kubango foi esquecido no que toca a acções formativas...Negativo.O Kwando-Kubango continua a merecer a atenção da federação. Está entre as privilegiadas do país.Estive lá, contactei o governador, Eusébio de Brito Teixeira, com quem falei da possibilidade de relançar a modalidade naquelas paragens. Quais foram as garantias do governador?Fomos bem sucedidos.Da parte do governador encontramos abertura, prometendo oferecer os seus préstimos no sentido de se materializar o plano da federação que passa por estender a modalidade à província, num curto espaço de tempo. Assim sendo, e por aquilo que nos foi dado como garantia, acredito que, pelo menos nos dois anos que nos restam de mandato, vamos tentar lançar as primeiras sementes do andebol lá. É possível lançar a modalidade sem quadros formados localmente?Esta é uma das preocupações que colocámos ao senhor governador.Inclusive, acordamos que, no curso ministrado na província do Bié, estariam presentes alguns candidatos da província, numa primeira fase.Infelizmente,ninguém apareceu e, como se não bastasse, não nos foi informado a razão que estiveram na base dito.Foi triste, mas tivemos de nos conformar com o facto. Por isso, não vamos descansar enquanto não atingirmos os nossos objectivos. Qual será a nova estratégia para convencer os homens do Kwando Kubango a participarem na acção formativa?Os contactos com as autoridades da província vão continuar, no sentido de termos alguns candidatos para fazerem parte no curso que vai acontecer na cidade do Lwena (Moxico), já que a formação de homens nas distintas áreas do andebol implicará a extensão da modalidade naquelas paragens.É um projecto que, inicialmente, pensamos executar antes do término do nosso mandato, a acontecer em 2012. Como são recebidos pelos governadores provinciais?    Os governadores têm sido receptivos para connosco e, por isso, estamos gratos. Temos a realçar a abertura dos governadores Isaac dos Anjos (Huíla), Ernesto dos Santos "Liberdade" (Moxico) e Cândida Celeste da Silva (na altura, no Bié), esperando que ela faça o mesmo no Namibe. "O Martinho continua a ser meu parceiro na modalidade" O que diz sobre as informações que apontam para uma relação menos amistosa com o professor Martinho Armando, que o acusa de se intrometer nos assuntos da associação de Benguela?Este é um assunto que decidi não resolver através dos órgãos de comunicação social. Fiquei triste quando me apercebi desta acusações atribuídas a mim.Foram momentos difíceis, mas não me abalaram, até porque continuo firme naquilo que é norma do dirigismo desportivo.É preciso saber ser, saber estar e saber fazer as coisas para não sermos mal-entendidos sobre o que pretendemos desenvolver em prol do colectivo. Em face das acusações pode-se dar como certo o rompimento da relação que tinham?Não devemos levar as coisas para esse campo.Não tenho como me apartar do professor Martinho Armando. Ele é o homem do andebol e merece toda a consideração e respeito. Temos as nossas diferenças, o que é normal, mas não nos dá o direito de ficar de costas voltadas.Antes pelo contrário,Martinho Armando continua a ser uma pessoa de que o andebol nacional precisa para se fortalecer.