Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Goleador que levou os Palancas Negras ao Mundial da Alemanh

Joo Francisco - 04 de Dezembro, 2012

O atleta teve uma passagem na poltica, como deputado pela bancada do partido angolano no poder, o MPLA, na legislatura que comeou em 2008 e terminou com as eleies de 2012.

Fotografia: Jornal dos Desportos

Fabrice Alcebiades Maieco, 35 anos, mais conhecido como Akwá, é um ex-futebolista angolano idolatrado por muitos fãs, até porque alguns dos maiores sucessos dos Palancas Negras estão ligados a ele. Entre as suas qualidades, destacam-se a forma hábil de driblar e grande capacidade na resolução do jogo. Em suma, um autêntico líder em campo. Akwá é a eterna camisola número 10 da selecção nacional de honras de futebol de Angola, um homem que enquanto jogador profissional, soube dignificar o País e a modalidade que o notabilizou.

 Akwá jogava habitualmente como atacante da Selecção, foi capitão e um dos principais responsáveis pela classificação histórica do país ao Campeonato do Mundo de 2006. O atleta foi o autor do golo que deu a vitória por 1 a 0 sobre o Ruanda, na última ronda das eliminatórias africanas para o Campeonato do Mundo de 2006. O jogador teve uma curta passagem por Portugal. Chegou a jogar no Sport Lisboa e Benfica. Mas na pouco sucedida passagem pela Europa, o atacante angolano foi transferido para o futebol asiático (foi para o Al-Wakra do Qatar). Terminou a carreira de futebolista no Petro de Luanda.

Akwá foi uma das pedras fundamentais do ataque dos Palancas Negras. Estreou-se a 8 de Janeiro de 1995, num amigável, frente aos “Mambas” de Moçambique. Para Akwá, Paulão, jogador que conheceu num jogo entre o 1º de Maio de Benguela e o Ferroviário da Huíla, onde o atleta jogava, é o melhor que viu na altura. Paulão foi colega de Akwá na selecção nacional, na Académica de Coimbra e no Sport Lisboa e Benfica, em que chegou a fazer dupla com ele. A nível internacional, Akwá admira Diego Armando Maradona, que considera “Deus do futebol”, Ronaldo, o fenómeno, Samuel Etó e George Weah.

Dos Caçulinhas ao contrato no Sport Lisboa e Benfica
Como jogador de futebol, Akwá teve uma base de aprendizagem bastante sólida, desde os Caçulinhas - a categoria que na ausência da prática oficial da modalidade substituiu os escalões de formação de futebol, depois da independência de Angola em 1975 - passando pelos juvenis, juniores, culminando em grande nos seniores. Nas selecções nacionais é um dos poucos jogadores que se podem gabar de ter representado o País nas selecções de sub-16, sub-20, sub-23 e selecção de honras.

Akwá começou a viver a sua primeira experiência profissional aos 17 anos de idade, quando assinou o contrato previsto para seis anos, com o Sport Lisboa e Benfica, dos quais cumpriu dois, tendo sido transferido para o Alverca, clube com o qual as “águias” de Portugal tinham acordos.
Após este começo “titubeante”, Akwá chegou a ser emprestado à Académica de Coimbra, antes de mudar de ares, rumando para o Médio Oriente, para o Shabab de Riad, na Arábia Saudita.

MOMENTOS
Misto de tristeza e felicidade


O nosso craque considera que viveu um dos momentos mais felizes quando jogou no Qatar. “Foram momentos felizes os que se sucederam, quando saí de Portugal para o mundo árabe. Não fui directamente para o Qatar, passei primeiro na Arábia Saudita.” “No princípio fiquei triste, porque queria ficar no Sport Lisboa e Benfica, onde já estava melhor enquadrado e maduro”, disse. Akwá contou que não foi fácil deixar o Sport Lisboa e Benfica, pois o treinador na altura contava com ele no plantel e era cobiçado para ir para o Beira-Mar com anuência do presidente do Benfica.

“A transferência só não se concretizou, porque não era o que eu queria e como tinha direito a opção, decidi ir para o mundo árabe, onde comecei a minha aventura feliz”, frisou. Akwá está ligado actualmente a uma fundação desportiva denominada “Kandengue habilidoso”, para fomentar o desenvolvimento do desporto, particularmente nos escalões de formação, com o objectivo de detectar talentos para reforçarem as futuras selecções nacionais em Angola.

O atleta teve uma passagem na política, como deputado pela bancada do partido angolano no poder, o MPLA, na legislatura que começou em 2008 e terminou com as eleições de 2012. Amigo pessoal do atacante da selecção dos Camarões, Samuel Etó, ele também detentor de uma fundação com o seu nome, a quem convidou no primeiro trimestre deste ano para uma actividade filantrópica, em prol do “Kandengue habilidoso”, e que doou uma significativa quantia monetária de apoio ao projecto.

PERGUNTAS E RESPOSTAS
Onde começou a sua carreira como futebolista?

Comecei no bairro dos Navegantes em Benguela. Mais tarde fui para a Ecomil, que era uma empresa de obras militares, ficava a uns quatro quilómetros do meu bairro e tinha uma equipa de caçulinhas da bola. Os atletas que se destacavam na Ecomil eram encaminhados para o Nacional de Benguela.

Como reagiu a família quando optou pelo futebol?
No princípio não tive apoio familiar. Na altura havia desavenças com o meu pai, porque ele queria que me dedicasse mais à escola, enquanto que eu tinha o sonho de ser um jogador famoso e apostava mais na bola. Mas, quando comecei a ser chamado para as selecções nacionais, a minha família começou a ver de forma diferente, começando a ter apoio do meu pai quando surgiu a possibilidade do contrato com o Sport Lisboa e Benfica.

Teve formação específica no futebol?
AK - Comecei a minha formação como futebolista nos caçulinhas e fui ascendendo nas várias etapas do futebol angolano e não só.

Quais foram os treinadores que estiveram envolvidos na formação futebolística?
AK - Ajudaram para o meu sucesso os meus ex-treinadores, mister Sesé, Chibi e Pinto Leite. Sem desprimor aos demais, que confiaram em mim nas equipas por onde passei e nas selecções nacionais.
 
JD - Em quem se inspirou nos momentos áureos da sua carreira? 
AK - Sempre disse que me inspirava no Beto Carmelino, do Nacional de Benguela, tanto é que quando o via jogar, dizia que queria ser como ele, pelas suas grandes qualidades, que são: bom controlo de bola, bom drible, bom remate e posicionamento em campo. Com ele aprendi várias coisas.

POR DENTRO
Nome completo: Fabrice Alcebiades Maieco
Data e local de nascimento: 30 de Maio de 1977,  no Bairro dos Navegantes (Benguela)
Altura: 1,81 m
Peso: 75 kg
Clubes por onde jogou: Nacional de Benguela, Petro de Luanda (Angola), Sport Lisboa e Benfica, Académica de Coimbra (Portugal), Shabab de Riad (Arábia Saudita), Aluarca, El Tirab e Qatar Clube (Qatar).
Camisola com que habitualmente jogava: De início nº 2. Também nº 16. E finalmente numero 10, desde os Caçulinhas da Bola, no Nacional de Benguela e na selecção nacional.
Clube: Nacional de Benguela

PALMARÉS
Melhor Marcador da Liga
do Qatar - Al-Wakra (1998-1999)
Coupe de l'Emir - Qatar SC (2002)
Coupe du Prince - Al-Ittihad (1999 e 2000) e Qatar SC (2002 e 2004)
Coupe Cheik Qassim - Al Wakra (1999)
Taça COSAFA - Selecção
Angolana (1999, 2001 e 2004)
Melhor Desportista Angolano (2006)
Melhor Desportista Angolano a jogar no estrangeiro - Al-Ittihad (1999), Qatar SC (2004) e Al Wakra (2005)