Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Gostaria ser o melhor se pudesse

Sardinha Teixeira - 03 de Dezembro, 2011

Francisco José Paulino Weza vai sempre aos campos apoiar a sua equipa do Petro de Luanda

Fotografia: Eduardo Pedro

No início da sua carreira, em quem se inspirava?
Achava as jogadas bonitas e ia me inspirando nelas. Queria destacar-me, ser o melhor que pudesse. Sonhava mesmo em poder dar uma vida melhor à minha família, uma boa casa na cidade para meus pais e ajudar os meus irmãos. Não tinha um ídolo, tentava pegar no melhor de cada jogador que via em campo.

Como foi a sua passagem pela Paviterra?
Sem dúvidas, foi um grande momento. Nessa época, o campeonato provincial do Kwanza-Sul estava recheado de talentos, como Romeu Artur (guarda-redes), Manuel Paulino “Dois e Meio”, Nato e N’Dongue, todos do clube Naval do Porto Amboim.

Houve quem não acreditasse que pudesse ter sucesso?
Sim. Houve esse caso na minha vida e os protagonistas desse episódio foram os meus pais. Estive à beira de desistir, mas esse era o meu sonho. Porém, mal sabia jogar, era totalmente descoordenado. Com dedicação e disciplina, surpreendi a todos.

A sua família apoiou a decisão?
Nós somos uma família humilde. Eu sempre lutei pelo que queria, sempre fui batalhador e hoje os frutos estão à vista.

O que provocou a sua decisão de se dedicar em exclusivo ao futebol?
Procurei o que é melhor para mim. Gostava de jogar.

Que conselho daria a quem quer começar a praticar o futebol?
Que os jovens façam-no com boa vontade, disciplina, programação de tempo e sob a orientação de um profissional de Educação Física. Desejo que os jovens se dediquem, se empenhem e se destaquem nos desportos, nos seus afazeres e na vida, de um modo geral.

Na sua opinião, o que conta mais para um atleta: habilidade, o físico ou a mente?
 Tenho a certeza que são as três características que fazem um bom atleta. Podemos dizer que temos três tipos de atletas: os superdotados, os supertreinados e os génios. O campeão é o que mistura um pouco desses atributos.

Sente-se orgulhoso pelo contributo dado ao futebol?
Quero agradecer a Deus por ter me dado o dom de jogar e a oportunidade de ter tido esta alegria e de tê-la passado a essa família chamada Angola. Se nascesse de novo, queria participar no futebol.

De um modo geral, como está o apoio ao futebol?
O futebol angolano tem um potencial humano muito grande. Os atletas estão a evoluir e a chamar a atenção dos media. Agora, é preciso trazer mais patrocinadores e ter mais equipas e empresas a apoiar a modalidade.

Como é o seu dia-a-dia?
Ao acordar, tomo um bom banho. Então, vejo o que tenho que fazer, para me concentrar para o dia.

Qual o melhor jogador com quem já actuou?
Indiscutivelmente, o jogador Pinoche, defesa lateral e esquerdo. Era extremamente habilidoso e inteligente, foi revelado nos juniores do Naval e joguei com ele na Paviterra, nos seniores. 

Qual o melhor jogador que viu actuar?
Sem dúvidas “Dois e Meio”, do Naval, e Pinoche, do 4 de Fevereiro do Porto Amboim.

Qual o jogador mais parecido consigo, quando jogava?
O Santo António do Progresso do Sambizanga. Lógico que não tinho o talento dele, mas o temperamento de chamar a responsabilidade para si, a ousadia e a alegria eram idênticos.

O que faz hoje? Continua ligado no futebol?
Mesmo com 49 anos, continuo ligado ao futebol. O futebol corre nas minhas veias, jamais me conseguirei afastar. Vou sempre aos campos apoiar a minha equipa do Petro de Luanda.

Para encerrar, defina o futebol angolano hoje e na sua época em uma palavra?
Hoje, fama. Na minha época, paixão.

Quem é quem ...

Nome: Francisco José Paulino (Weza)
Data de nascimento: 9/8/62
Natural: Porto Amboim (Kwanza Sul)
Nacionalidade: Angolana
Filhos: 6
Estado civil: Casado
Alguma vez mentiu: Sim
Já foi enganado: Sim
Perfume: Lacoste
Deputado ou ministro, qual dos cargos escolheria: Nenhum
Alguma vez foi aliciado: Sim
É ciumento: Sou
Virtude?
- A humildade.
O seu maior defeito?
- Ser demasiado amigo das pessoas.
O melhor jogador de sempre?
- Diego Maradona.
Que desportos aprecia além do futebol?
- Basquetebol.
Automóvel ou marca preferida?
Toyota Corola 
Clube: Ex-jogador do Independente do Rangel
Posição: Defesa central
Profissão: Funcionário público
Peso: 78 kg
Altura: 1,74 cm
Calçado: 43
Prato preferido: Funje de milho e peixe seco
Fuma: Não
Bebida: Vinho tinto
Filmes: Acção
Música: Semba
Droga: Contra
Melhor país: Cuba
Melhor cidade: Huambo
Casa própria: Sim
Carro: Sim
Esplanada ou discoteca: Esplanada
Campo/Praia: Campo
Cor: Azul
Religião: Católica
Ídolo desportivo: Cristiano Ronaldo
Tempos livres: Leituras e ver TV