Jornal dos Desportos

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Entrevistas

"Há investimentos em alguns clubes no Bié"

Sérgio V. Diase-Cuito - 27 de Maio, 2014

João Pintar acredita que o futebol pode crescer muito mais nos próximos anos

Fotografia: M. Machangomgo

A organização administrativa engendrada por dirigentes de alguns clubes no país e os membros da Federação Angolana de Futebol (FAF) têm contribuído para o desenvolvimento do desporto-rei no país. A constatação é do coordenador técnico da equipa de futebol do Sporting do Bié, João Pintar da Silva, que aponta igualmente para os investimentos sérios em realização hoje a nível da modalidade em todo o país.

Para o líder do processo de massificação do futebol da equipa leonina biena, a nível de clubes “faz-se hoje um grande investimento em termos de contratação de jogadores”, reconheceu com satisfação. O treinador esclareceu que o processo não acontece apenas nos que evoluem na diáspora, também a nível do mercado interno  regista-se  o mesmo procedimento. “Fruto desse investimento, registamos melhor qualidade de futebol angolano na actualidade, comparativamente aos tempos passados”, acrescentou João Pintar da Silva.

O técnico do Sporting do Bié destaca ainda, a aposta que se faz hoje em termos de formação de jogadores em clubes do país, casos do Petro de Luanda, Interclube, Atlético Sport Aviação (ASA), 1º de Agosto e outros. Em seu ponto de vista, houve nesses últimos anos uma evolução considerável do futebol nacional. “Com as contratações de vulto que surgem aqui e acolá, os resultados têm sido positivos.

Desde os investimentos em infra-estruturas à organização administrativa de muitos clubes do país, as coisas têm corrido muito bem", salientou.
Na óptica do interlocutor do Jornal dos Desportos, a par de Luanda,  em outras províncias do país também se faz sentir a evolução do futebol e até mesmo no campo da organização interna dos clubes.

 Essa é a razão por que “nos últimos anos o Girabola conheceu outros dois campeões nacionais fora da capital. “Refiro-me particularmente ao Sagrada Esperança que foi campeão em 2005, interrompeu um ciclo de três títulos consecutivos do ASA, e ao Libolo que chegou ao pódio sucessivamente em 2011 e 2012. Até 2001, só o 1º de Maio em duas ocasiões na década de 80, havia interrompido o ciclo vitorioso das equipas de Luanda, particularmente o 1º de Agosto e o Petro, que repartiam os louros nesses períodos”, recordou.

CONSTATAÇÃO
Técnico reconhece valor dos angolanos

O aspecto que salta à vista nos dias de hoje no futebol nacional, segundo João Silva, prende-se com o facto de os técnicos nacionais serem mais valorizados. O interlocutor do Jornal dos Desportos, sublinhou que sente-se muito orgulhoso por encontra-se nesta condição. Enalteceu o trabalho que Miller Gomes está a realizar no Recreativo do Libolo, depois de rescindir o contrato com o Petro de Luanda.

“Saiu nas condições em que saiu do comando técnico do Petro de Luanda, mas hoje está a dar cartas ao serviço da equipa do Recreativo do Libolo", realçou. Outro treinador que já conquistou o seu espaço no futebol nacional e que mereceu elogios do nosso entrevistado, é o técnico Zeca Amaral.
Depois de uma passagem pelos Palancas Negras, com um percurso de mais de 15 anos no Girabola conquistou dois títulos ao serviço do Libolo em 2011 e 2012.

“Esses e outros resultados, justificam a valorização que se dá hoje aos treinadores nacionais”, reiterou para de seguida acrescentar  que a nível das selecções nacionais, as maiores conquistas foram obtidas através de um angolano, no caso Oliveira Gonçalves. E mais não disse João Pintar da Silva, o homem que tem a responsabilidade de devolver a mística dos tempos idos e que a equipa do Sporting do Bié deixou para segundo plano.
SVD- CUITO

ÉPOCA 2014
Sporting Clube do Bié
aposta na massificação

O coordenador técnico do Sporting do Bié assegurou que a formação verde e branca da cidade do Planalto Central, vai continuar a apostar no processo de massificação. A equipa de reportagem do JD, apurou que apesar do projecto ambicioso traçado pela direcção, esta época vão competir apenas no campeonato provincial, daí a aposta feita a nível dos escalões de base do conjunto.

João Pintar da Silva assegurou que tem à  disposição três grupos de trabalhos, compreendidos nas faixas etárias dos 8-12 anos, 13-15 e 16-19, jogadores que têm dado muito boa conta. O técnico informou que muitos jogadores são originários dos municípios do Cunhinga, da comuna do Cunge, bem como de vários bairros da capital biena com destaque para o do Cantifla, Tchissindo, Piloto e outros dessa circunscrição.

O treinador disse ainda no contacto mantido com o nosso jornal, que a direcção do Sporting Clube Petróleos do Bié está a  tentar persuadir os responsáveis da Associação de futebol local a organizarem provas internas dos escalões de iniciados e infantis.

“Palanquinha Cuia”
Nos escalões de formação, o coordenador técnico da equipa de futebol do Sporting do Bié assegurou que o conjunto está a encetar a sua preparação para participar no torneio “Palanquinha Cuia”, cuja final está prevista para Outubro, em Luanda. “Geralmente, nesse torneio têm participado apenas equipas das províncias que militam na I Divisão,  que têm os seus escalões de formação, mas o Bié foi contemplado pelo facto de o Sporting estar a fazer um trabalho aturado na vertente da massificação”, esclareceu. João Pintar da Silva sublinhou, por outro lado, que o trabalho desenvolvido tem surtido os efeitos desejados e que a 1 de Junho, vai realizar-se um torneio de futebol infantil no Bié com equipas ainda por confirmar.
SVD

COMPETITIVIDADE
Despique no Girabola
é muito salutar

Num outro ângulo da entrevista concedida ao nosso jornal, João Pintar da Silva apontou a disputa “renhida e salutar” que se sente no Girabola. O coordenador técnico do Sporting do Bié justifica o facto com o surgimento nos últimos 12 anos de seis novos campeões, no caso o ASA com três títulos, Interclube com dois, Recreativo do Libolo igualmente com dois, Sagrada Esperança e Kabuscorp do Palanca com um cada.

“Isso, realça bem a disputa a que me refiro, porquanto de 1979, altura que se disputou a primeira edição do campeonato nacional até 2001, além do 1º de Maio que teve o mérito de 'roubar' em duas ocasiões o título à capital do país, apenas o 1º de Agosto e o Petro de Luanda repartiam os títulos nesses períodos”, recordou.

O treinador defende que pelo facto “de o futebol não ser uma ciência exacta”, as equipas não podem dormir à sombra dos resultados conquistados. “Antes pelo contrário, devem investir mais no  futebol, para eventualmente enriquecerem mais os seus palmarés”, completou.

O técnico diz ser por via desses investimentos que as  equipas outrora apontadas como de segundo plano, como o Benfica de Luanda, FC Bravos do Maquis, Recreativo do Libolo e outras, hoje aparecem a ombrear de igual com as “ditas grandes”, a disputa pelos lugares cimeiros da prova.
João Pintar aponta todos esses factores como o móbil que faz  que o campeonato nacional da I Divisão, seja cada vez mais competitivo.
 SVD- CUITO