Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Hoje h mais organizao para crr no ttulo

Paulo Caculo - 28 de Agosto, 2009

Entrevista Paulo Alves (paulão) ex-internacional dos palancas negrasPaulo Alves “Paulão” é um dos futebolistas que teve passagem marcante ao serviço dos Palancas Negras. O ex-craque da Selecção Nacional, que se notabilizou no 1º de Maio de Benguela, recorda com entusiasmo as brilhantes épocas que efectuou ao serviço da “equipa de todo nós”, ao mesmo tempo que assegura ter sido “um grande privilégio” fazer parte das duas primeiras selecções que estiveram na Taça de África das Nações (CAN), disputados em 1996, na África do Sul, e em 1998, no Burkina Faso.O actual treinador dos escalões de formação do ASA lamenta o facto de não terem alcançado, na altura, grandes classificações na competição, mas confessa ter sido “prestigioso e gratificante” a presença de Angola na maior cimeira futebolística do continente.O antigo extremo-direito dos Palancas Negras fala feliz, pois acredita que muita coisa mudou na estrutura da Selecção, depois da estreia no CAN de 96.   Em 1996, na África do Sul, Angola marcou a sua estreia numa fase final do CAN. Que representa para si o facto de ter sido um dos jogadores que integrou a Selecção?Só o facto de ter sido a primeira participação de Angola no CAN, a nossa presença na África do Sul acabou por ser uma experiência muito agradável e gratificante para mim e para o grupo de jogadores que esteve na Selecção naquela altura. Como qualquer estreia, ficamos com um sentimento forte, de enorme satisfação, sobretudo pelo facto de termos marcado uma era nos Palancas. Mas a Selecção acabou por enfrentar sérias dificuldades logo no começo, tendo ficado pela disputa da primeira fase com o pecúlio de um empate e duas derrotas. Consegue encontrar explicação para este rendimento, na estreia?- Era a primeira vez que estávamos a participar num CAN e, como estreantes, tivemos naturalmente algumas dificuldades em contrariar o favoritismo dos adversários, muitos dos quais já vinham de experiências anteriores. Portanto, foi natural a forma como perdemos os jogos. Devo dizer, ainda assim, que não obstante isso, sempre nos empenhamos e procuramos vender cara a derrota. Existe algum jogo que o tenha ficado marcado na memória por alguma razão pessoal ou colectiva?- Devo dizer que o jogo que disputámos com a selecção dos Camarões teve incidências que não consigo esquecer. Estávamos a vencer por 3-0, mas depois acabámos por ceder o empate nos minutos finais do jogo. Foi uma partida muito difícil, carregada de emoções e em que chegamos a acreditar que poderíamos ter conquistado os três pontos. Mas o adversário estava muito forte. Volvidos vários anos, o que acha que mudou na Selecção?- Penso que a Selecção hoje ganhou muito em termos de organização. A organização hoje em torno dos Palancas é de outra dimensão, facto que tem ajudado a equipa a dar-se bem e melhor. Acredita, no entanto, residir aí o segredo da evolução do nível de rendimento dos Palancas?- Claro. Quando há organização as coisas correm perfeitamente e não pode haver razões para desacreditar. O nível organizativo que têm hoje os Palancas permite acreditar em patamares mais altos. Acha que existem condições anímicas e matérias para se acreditar na conquista do CAN 2010?- Acredito que sim, porque vamos jogar em casa, diante do nosso público e, como tal, não podemos pensar noutra coisa. Mas, o importante nisso tudo será deixar o seleccionador Manuel José trabalhar sem pressão, para que possa estar liberto de várias coisas, que possam inibir os jogadores. De que forma perspectiva o grau de dificuldade da nossa Selecção? Acha que continuaremos a enfrentar grandes vicissitudes, a jogar em casa, para ultrapassar adversários como Camarões ou Nigéria?- Espero que não, mas não devemos deixar de reconhecer que as selecções dos Camarões e da Nigéria continuam a ser potências no futebol africano. Como tal, representam sempre adversários muito complicados, ao nível dos tempos de hoje, como foram no passado. De que forma vê o nível e a qualidade de futebol dos Palancas, na esteira da preparação para o CAN de 2010?- Penso que temos estado a melhorar jogo após jogo. O treinador Manuel José está a fazer o seu trabalho, os jogadores têm estado a ganhar confiança e o grupo tem subido de nível. Somos todos obrigados a dar o nosso apoio moral à equipa nacional, de forma a permitir que possam aparecer no CAN de 2010 no seu melhor nível.