Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Hotel Moçâmedes prepara-se para o CAN-2010

Manuel de Sousa Fotos Afonso Costa - 29 de Agosto, 2009

Situado no centro da cidade, o Hotel Moçâmedes é nesta altura o principal centro de hospedagem da província do Namibe. Possui vinte e quatro quartos (equipados à altura das exigências do mercado), um restaurante e bar e serviços de Rent-a-Car. Miguel da Silva, administrador do estabelecimento, garante que o seu estabelecimento está preparado para acolher condignamente os visitantes durante do CAN-2010. Para o efeito os trabalhadores irão beneficiar de uma formação, com vista a melhorar a qualidade de atendimento. A necessidade do governo apoiar o turismo através de créditos bancários para a construção de mais hotéis, já que os que existem não são suficientes para acudir a demanda na altura do CAN e em outros inventos, é aqui também aflorado por Miguel da Silva.

Fale-nos do funcionamento do Hotel Moçâmedes?

É normal, igual ao dos demais hotéis. Temos várias áreas a funcionar, como a de hospedagem, de serviço de restaurante e bar e a rent-a-car. São estes os serviços que fornecemos aos nossos clientes.

São apenas estes serviços que a instituição presta aos clientes?

Por enquanto temos estes que acabei de mencionar, mas está em perspectivas a sua ampliação.

Qual é a capacidade do hotel?

Em termos de quartos, estamos a fazer algumas obras. Como pode constatar, neste momento funcionamos com vinte e quatro quartos, mas temos a perspectivas de, até a primeira quinzena de Dezembro, teremos aproximadamente trinta quartos.
Apesar de estar situado no centro da cidade, o hotel Moçâmedes regista pouca aderência, principalmente no período da noite. Porquê?
Em toda a província em si não há muitos incentivos. O hotel é uma estrutura colonial, antiga, que foi dimensionada para aquela altura e que tem áreas limitadas. Se tivesse uma área externa para construir uma sala maior, uma piscina, para pôr uma sala de espectáculo seria outra coisa. Seria algo que movimentava a província, mas está no meio da cidade, rodeada de infra-estruturas. Não temos como alterar este quadro, pois é um edifício muito antigo, construído de pedra. Os engenheiros que trabalharem neste hotel deverão ter muito cuidado, pois há a possibilidade de o edifício desabar. Por isso é que não há área para fazer actividades culturais. Já fizemos algumas mudanças no restaurante, mas é um transtorno, movimentar mobílias, pois podem partir. Actualmente isto já não é negócio, pois ganhas com o aluguer, mas perdes com a mobília que parte. Equacionado, é um negócio pouco viável.

O que se deve fazer para que a província esteja à altura de acolher condignamente os visitantes?

Devemos construir mais áreas de laser, hotéis, para atrair as pessoas e para que a cidade cresça. As grandes cidades crescem com zonas que atraem as populações de outras áreas. Se aqui houver algo que atrai os visitantes do Lubango, eles virão para cá. Depois de uma semana de trabalho, as pessoas gostam de se divertir, ir à pesca, ao flamingo almoçar. É preciso haver apoios em capital. Sem isso, nada estamos a fazer.


“Muitos estrangeiros hospedam-se aqui”

Fale-nos daquilo que foi o hotel?

Há uma diferença. Ontem, o hotel estava a ser gerido pela proprietária, a falecida senhora Esperança, e tinha as suas dificuldades. Hoje, não há muitas dificuldades como antes. As coisas melhoraram bastante. O hotel mudou o seu visual e continua a fazer melhorias, com custos próprios. Pensamos que até à altura do CAN, tudo estará em condições.

Quantos trabalhadores controla?

São trinta e cinco trabalhadores a funcionar, divididos em áreas como a recepção, as arrumadeiras de quartos, restaurante e cozinha e bar.
O que dizer do número de estrangeiros que solicitam os vossos serviços?

Temos nesta altura muitos estrangeiros no hotel. São a volta de doze, entre brasileiros, franceses, etc. Saem para passear, solicitam os serviços de rent-a-car e estão a conhecer a idade.

“Temos que apostar no turismo”

Há nesta altura reservas ligadas ao CAN?

Neste momento é um pouco prematuro dizermos que já temos algumas reservas para o CAN. Por acaso, temos um site na internet para o efeito, pelo que estamos a aguardar que os nossos clientes comessem a fazer as suas reservas.

A administração do hotel tem um projecto de formação para trabalhadores tendo em vista o certame?

Temos um projecto próprio que já demos entrada no Ministério da Hotelaria e Turismo. Enviamos uma cópia ao ministro, outra para o senhor governador da província, no qual mostramos a vontade de formar os nossos funcionários e não só. Queremos que nele participam ainda funcionários de outros organismos. Apenas nos falta uma sala para fazer formação teórica. Para além do Hotel Moçamedes a província conta apenas com o Mariner, que foi reaberto há pouco tempo, e algumas hospedarias.

Acha suficientes para a demanda?

Não são suficientes. Com o progresso que está a ter o nosso país, nada é suficiente. Tudo é uma gota no oceano. Precisamos de fazer mais e as pessoas têm que apostar no turismo interno. Creio que a hotelaria é o ramo que mais rendimento dá ao Estado, mas que está a ser menos apoiado. Dever-se-ia apoiar mais as unidades hoteleiras, ampliar, moderniza-las, dar créditos para que se aumente seus serviços, em fim. Estamos a herdar simplesmente algumas estruturas que vêm do tempo colonial. Queremos fazer coisas de raiz. Que haja uma política de incentivo para apoiar as que já existem, têm uma certa experiência e que as suas estruturas a funcionar.

Que significado tem a realização do CAN no nosso país?

Tem um grande significado. Acredito que muita gente diminui a dimensão que isto trás para o país, para as populações, mas é algo que trará benefícios a muita gente. Podemos partir para benefícios ao próprio país, ao Estado, empresários, comerciantes até ao simples vendedor de rua. Todos serão beneficiados com a organização do CAN. É um grande invento e deve ser bem aproveitado. Vamos ter muitas visitas e os ganhos serão para todos.

Aproveitar o clima do Namibe

A vizinha cidade do Lubango irá albergar uma das séries da competição e muitos turistas virão para o Namibe. O hotel está preparado para atender condignamente os visitantes?

Isto significa muito e é uma grande valia para a província do Namibe. Saber que o Namibe tem um dos melhores climas de Angola, o que é bom para o turismo. Vendo o deserto e o mar, já estamos a falar de turismo. Acredito que nos dias de repouso, os visitantes vão procurar visitar o Deserto do Namibe, a Welwtchia e fazer praia.

Como estão em qualidade de atendimento?
Estamos a melhor a qualidade de atendimento todos os dias. Começamos agora a exercer a actividade de turismo. Não somos especialistas no turismo, devido à condicionante que existiu no país, que é a guerra, mas neste momento já aparecem pessoas interessadas no ramo. Formar-se em hotelaria é coisa que antigamente as pessoas viam como serviço de um criado, mas, agora, já sabem que não é isto. Já se está a melhorar, apesar de que nos falta uma escola nacional de turismo.
A escola de turismo deve ser uma aposta…
É muito bom que o governo aposte numa escola do turismo, pois temos de prestar bom serviço para termos muitos turistas. Por exemplo, um bar que precise de um empregado de mesa, a escola forma. O turista que cá vêm, não vai ficar só nos hotéis.

Acredita no sucesso de Angola no capítulo desportivo?

Aprendi que a esperança é a ultima coisa a morrer. Então, temos de acreditar com aquilo que temos, nos meios que possuímos para fazer um bom serviço. Contratamos um treinador que está a demonstrar factores positivos na nossa selecção.