Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Igreja Católica tenciona mobilizar jovens

Muanamosi Matumona - 27 de Novembro, 2009

Com a Taça de África das Nações Orange’2010 à porta, são muitas as instituições que projectam a sua participação na prova, de modo a que esta tenha êxitos, que vão honrar não apenas o desporto angolano, mas, sim, toda a nação, que está ansiosa com este grande compromisso. De facto, para que o sucesso seja uma realidade na hora “H”, uma boa parte da gente deve reagir com muita vida, de modo que o entusiasmo em torno da competição corresponda às expectativas. Uma mínima falha pode deitar por terra tudo que está a ser projectado e os muitos investimentos que estão a ser injectados neste contexto. Neste plano, a Igreja Católica, consciente da sua missão na promoção da cultura e na evangelização, não quer ficar à margem das actividades, que contam também com a colaboração de um bom número de católicos. Para o efeito, pensa na mobilização da juventude que tem de aproveitar a ocasião para festejar e exibir valores que possam confirmar e dignificar o civismo do povo angolano. Neste sentido, D. Almeida Kanda, Bispo de Ndalatando, e Responsável pela Pastoral da Juventude da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), surge como uma “voz autorizada” para abordar tudo o que se relaciona com o CAN…

ENTREVISTA D. Almeida Kanda
Bispo de Ndalatando


O CAN está a ser uma ocasião para as igrejas demonstrarem o que valem. A hierarquia católica está indiferente em relação ao facto?
Longe disso! A Igreja Católica não pode ficar indiferente quanto a este evento que está a mobilizar os angolanos. Tendo em conta a sua missão de promover a cultura e evangelizá-la ao mesmo tempo, parece ser uma “obrigação” para a Igreja intervir neste campo que está na ordem do dia. Como sinal da atenção da hierarquia católica está a Nota Pastoral sobre o CAN 2010 que a CEAST divulgou na semana passada, no âmbito da II Assembleia Anual, que foi uma boa ocasião para os bispos católicos de Angola e de São Tomé reunirem-se para estabelecer uma retrospectiva do passado e traçar os planos para o próximo ano. Para nós, bispos, pronunciar-se sobre este grande evento que Angola vai acolher é uma forma de acompanhar os sinais dos tempos e evangelizar a cultura. Aliás, este é o nosso papel.
A Nota Pastoral em questão encaixa-se bem na realidade actual?
Certamente que sim! Nela, a CEAST convida o povo angolano a ter consciência daquilo que vai ser o CAN, do contributo que os católicos devem dar para servir de exemplo para outros povos. Esta vertente é importante porque o desporto é também um fenómeno que dignifica o homem. Assim, o CAN deve ser uma verdadeira celebração festiva, salutar, pacífica e promotora da defesa das cores nacionais, no respeito pelos adversários e pelas nações que representam. De facto, é muito importante que a competição venha a ser uma ocasião para potenciar o diálogo entre povos de diferentes culturas, suscitando a estima e o respeito mútuos, para construir uma amizade que vá além de todas as barreiras de raça, cultura, religião e política. Significa isto que os bispos católicos de Angola e São Tomé desejam que o certame não seja ocasião para degradar os valores morais, sobretudo entre a juventude, mas, antes, que ela contribua para os consolidar. Deve ser uma boa oportunidade para Angola afirmar a sua vocação de país hospitaleiro, aberto à colaboração com outras nações, um país que acolhe, que dialoga e partilha.
Mas há uma actividade concreta programada neste contexto, com o objectivo principal de mobilizar o público para o evento?
Há algo já pensado e que deve ser executado no momento próprio, não esquecendo que a nossa preocupação primordial é defender e conservar os princípios morais que devem ser observados para o bem do CAN e do prestígio do povo. Posso anunciar que em Janeiro próximo, no Kuito, teremos a Assembleia Nacional da Juventude, onde teremos, certamente, tempo e disposição para dar algumas orientações sobre o que os jovens vão realizar na linha do contributo que a Igreja Católica pode dar.
Que perspectiva acerca da campanha dos Palancas Negras?
Sinceramente, ainda é muito cedo para avançar com prognósticos, pois ainda faltam uns bons dias para a abertura. Presentemente, nota-se mesmo que a selecção ainda não está no seu auge. Está ainda numa fase de preparação. Mas é preciso trabalhar muito para que tenhamos uma equipa coesa e bem entrosada, capaz de proporcionar uma alegria ao povo angolano. O treinador está à frente da selecção para ajudar e todos nós vamos entender oportunamente a filosofia que vai incutir na equipa. Todavia, o mais importante é termos esperanças quanto à campanha da equipa de todos nós, que jogará em casa, diante do público, que somos nós…