Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Impossível um lugar no pódio

Gaudêncio Hamelay, no Lubango - 24 de Dezembro, 2011

Augusto Diogo “Seco” diz que Angola não tem hipóteses de constar entre os cinco primeiros

Fotografia: Gaudêncio Hamelay

Como reagem os dois fundistas da selecção nacional no estágio em Addis Abeba, uma localidade situada a 3.300 metros de altitude?
Reagem bem à altitude aqui na Etiópia, pois os nossos fundistas são proveninetes do Centro e Sul de Angola e conseguem suportar o clima.

Para contrapor aos estrangeiros na corrida São Silvestre, a que trabalhos estão submetidos os atletas?
Estamos a aprimorar trabalhos que incidem mais em corridas de fartlek, isto é, correr com acelerações durante uma hora para possibilitar aos atletas ganharem um bom sprint na partida e aguentar com o mesmo ritmo até aos primeiros quatro ou cinco quilómetros de andamento.

Quanto tempo de preparação tem a selecção nacional?
Entrámos na terceira semana de trabalho intenso, contabilizando as duas desde que nos encontramos cá na Etiópia e uma em Angola. A nossa preparação teve início em Luanda no dia 5 de Dezembro, com vista à São Silvestre.

A adaptação ao clima tem sido fácil para os fundistas?
A adaptação dos nossos corredores tem sido fácil, porque se trata  de atletas de alta competicão, por um lado, e por outro, os fundistas  etíopes com quem treinamos são muito acolhedores e humildes. Fruto disso, têm ajudado no fortalecimento psico-moral dos nossos seleccionados.

O rendimento de Francisco Caluvi dá garantia de vir a constar entre os cinco primeiros classificados da São Silvestre?
Depois de estar cá, no mercado mundial de atletismo de meio-fundo e fundo, não vou desprezar os atletas nem o atletismo angolano, mas é uma realidade que quero dizer ao povo angolano: é  impossivel, pelo pouco tempo de preparação na Etiópia, conseguir um lugar no pódio. Mas não é proibido sonhar alcançar resultados positivos nesta corrida para dignificar as cores do país.

Que trabalhos foram realizados na semana que amanhã (hoje) termina?
No período da manhã, os treinos são feitos com o grupo de fundistas do consagrado técnico Haji Adilo e à tarde treinamos os aspectos de recuperação do esforço empreendido ao longo do períoiodo matinal.

As condições de estágio à disposição dos angolanos são favoráveis?
Sim. Estamos bem alojados no centro da cidade de Addis Abeba, com um meio de transporte disponível todo o dia.

A Selecção Nacional goza de boa saúde?
E com disposição de enfrentar a dureza da preparação na Etiópia.  Só para terem uma noção do que estamos a fazer, quero dizer-lhes que estamos a fazer sessões de treinamento bi-diárias com um grupo de 80 atletas masculinos e femininos, sob orientação do técnico nacional da Etiópia, coadjuvado por três técnicos-adjuntos. Também neste grupo está incluída a selecção da Holanda, composta por seis atletas, três masculinos  e três femininos. Os nossos dois atlteas têm merecido muitos elogios do técnico etíope e de outras entidades.

O que disse concretamente o técnico etíope?
Admira a forma como os nossos atletas se entregam nos treinos e interroga-me sempre por que é que Angola não tem atletas a competir no estrangeiro, uma vez que estes jovens apresentam força nas sessões de treinamento. No grupo de trabalho, no qual fazem parte os fundistas angolanos, estão sete atletas campeões do mundo, de meia-maratona do Dubai, meia-maratona de Xangai,  meia-maratona de Lisboa, maratona de Berlim, maratona de Nova Iorque e algumas provas de pista. Daí a admiração do técnico etíope, porque também os treinos aqui são realizados num ritmo muito forte e os nossos atletas têm acompanhado e aguentado do princípio ao fim de cada sessão. E no final de cada sessão, pergunta sempre aos nossos atletas se se sentem bem.

O trabalho do técnico etíope é feito nas estradas?
Nesta época do ano, aqui na Etiópia, não se treina em estrada. Apenas corta-mato e corrida na chana seca. Estão mais de 20 grupos em preparação para diferentes competições internacionais.

Os atletas estrangeiros de outros países com quem a selecção nacional está a trabalhar também vão participar na São Silvestre de Luanda?
No grupo de trabalho, onde estamos inseridos, vão para Luanda 20 atletas e os outros etíopes e holandeses vão competir na Europa e na Ásia.

Quantos testes fez a selecção angolana em três semanas de treino?
Chegámos à Etiópa no dia 9 deste mês às 20h00 locais (18h00 em Angola), em voo da Etiópia Airlines. Participámos num teste de 40 quilómetros para a classe masculina e 35 quilómetros para femininos. O fundista Francisco Caluvi correu apenas a distância de 20 quilómetros, com o tempo de 1h10min, e Felismina Cavela percorreu 15 quilómetros em 1h09min. Até ao término do estágio, outros testes estão agendados para melhorar as performances dos fundistas angolanos. Em remate de balanço do nosso trabalho na Etiópia, digo que a entrega dos atletas tem sido positiva.

Quando regressam ao país?
O regresso a Luanda está previsto para dia 30, às 12h00 de Angola, no mesmo voo que vai transportar o grosso de corredores estrangeiros que vão participar na corrida de fim de ano, a São Silvestre de Luanda.