Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

J no h espao para jogadores que s querem fintar

Sardinha Teixeira - 03 de Setembro, 2011

Adirio Simes, treinador de iniciados do Interclube

Fotografia: Miqueias de Sousa

Que sensação tem um jovem de 28 anos a ensinar o que aprendeu a miúdos dos 10 aos 13 anos?
Sou uma pessoa da casa e, como tal, é um enorme orgulho representar este clube, além de ser também um desafio enorme ensinar algo a miúdos. É uma experiência riquíssima. Muito mais para um jovem de 28 anos que ainda tem muito a aprender. A sensação é óptima, ver os miúdos a aprender a jogar futebol e a gostar do clube é fantástico.

O que é que pretende imprimir nessa categoria?
Acima de tudo, o que é fundamental é que os miúdos possam ser brindados com formação de qualidade. Os conteúdos que se trabalham nestas idades são facilmente assimilados, como se os miúdos fossem autênticas esponjas: absorvem tudo. Assim sendo, tentarei proporcionar métodos de treino que fomentem o desenvolvimento dos nossos praticantes nos mais diversos factores do processo de treino: táctico, técnico, físico, social e psicológico.

Que objectivos para a presente época?
Defendo a ideia de que na formação, sobretudo, tratando-se de miúdos, o importante não é ganhar campeonatos, mas sim formar, educar os miúdos de como ser equipa, de como se devem comportar dentro e fora do terreno de jogo, mas, também, estando no clube que estamos, sabemos que à partida existe sempre aquela pressão de fazer um bom trabalho em termos classificativos. Agora, apenas prometo trabalho e que, da parte de toda a equipa de iniciados, tudo daremos para fazer o melhor por este clube. Temos noção da responsabilidade de vestir a camisola do Interclube e queremos dar muitas alegrias. Mas só será possível se tivermos humildade, disciplina, coesão e raça.

Sente-se orgulhoso quando alguns atletas são promovidos ao escalão seguinte? Quem se mantém na equipa e quem entra?
O meu principal objectivo e motivo de orgulho é ver os jogadores que saem de iniciados serem integrados nos juvenis. É, digamos, o reconhecimento também do trabalho realizado nos iniciados. Apesar de termos uma equipa ainda muito “verde” em relação àquilo que se pretende, temos noção de que estamos no caminho certo. As ilações retiradas são positivas e animadoras desde que os jogadores continuem, a trabalhar com afinco noutras categorias.

Acha que há muita gente sem preparação a dirigir jogadores infantis e que isso pode ser prejudicial para os próprios futebolistas?
Infelizmente, ainda continua a haver muita gente sem qualquer qualificação a trabalhar no futebol infantil. Trata-se de um cenário que tem vindo lentamente a mudar, fruto da formação de professores de educação física, no INEF, a quererem trabalhar no futebol, facto que vai permitindo aos pequenos e médios clubes ir paulatinamente substituindo os ‘carolas’, que punham os miúdos aos pontapés na bola, por gente que tem uma abordagem mais qualificada do treino. O nível de exigência e responsabilidade inerente ao trabalho com jovens em plena fase de crescimento psicomotor, é totalmente incompatível com qualquer forma de treino empírico, cujos conteúdos físicos, técnicos e tácticos não se adaptam minimamente a essa realidade.

Como se consegue combinar a quantidade de ensinamentos e treino específico sem minar o talento e a criatividade de cada um?
O que é importante é fazer compreender aos jogadores mais dotados tecnicamente que devem colocar as suas capacidades naturais ao serviço do colectivo. Hoje em dia, as exigências tácticas do futebol impõem que cada vez mais se valorize o rigor táctico em detrimento da mais-valia técnica individual. Em relação aos jogadores mais dotados nesse capítulo, devemos incentivá-los e criar rotinas para que usem essa sua mais-valia no tempo e no espaço próprio, no contexto organizacional do jogo. Se os habilitarmos a usar essa sua arma no momento e no sítio certos durante o jogo, instruindo-os a desempenhar outras tarefas importantes na dinâmica da equipa em qualquer das fases do jogo, estamos a contribuir para o tornar ainda melhor. Continua, pois, a haver espaço para a criatividade e talento, mas dirigidos a momentos específicos do jogo e no espaço certo do terreno de jogo. Hoje em dia, já não há espaço para aqueles jogadores que pegam na bola junto à sua baliza e tentam sistematicamente fintar todos os adversários que lhe aparecem pela frente, mantendo o resto da equipa na expectativa do sucesso ou do insucesso dessa acção.

Como se motiva miúdos que, chegando a clubes organizados e federados, deixam de jogar só pelo prazer de jogar e passam a ter de respeitar horários, calendários, estratégias e treinos colectivos, e que, eventualmente, são desviados para posições em campo que não são as que mais lhe agradam?
Hoje em dia, alguns clubes que têm escolas e departamentos de futebol infantil e juvenil são federados, pelo que estão adstritos à calendarização oficial das competições das respectivas associações ou federação, havendo já muitos que têm regulamentos internos que impõem algum rigor à prática desportiva em termos de cumprimento de horários, assiduidade aos treinos e disciplina.

Quem é quem...

Nome: Adírio Simões
Data de nascimento: 28/3/83
Filhos: 1
Natural: Luanda
Nacionalidade: Angolana
Estado civil: Solteiro
Peso: 70 kg
Altura: 1,80
Modalidade: Futebol
Função: Treinador de iniciados do Interclube
Fuma: Não
Bebida: Sumos naturais
Calçado: 44
Filmes: Comédia
Musica: Kizomba
Tempos livres: Leitura e filmes