Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Joo Machado crente na permanncia

Joaquim Suami - 05 de Outubro, 2010

Joo Machado, tcnico do Futebol Clube de Cabinda

Fotografia: Antnio Joaquim

Faltam três jogos para o fim do Girabola’2010 e a sua equipa está nos últimos lugares da classificação. O que o Futebol Clube de Cabinda faz para sair deste sufoco?
A equipa está a lutar e, como se diz na gíria, ainda não atirou a toalha ao tapete. A vitória sobre o Petro Atlético de Luanda foi moralizadora e, por isso, vamos procurar continuar nesta senda. Temos três jogos em casa, que são autênticas finais, porquanto dois deles serão com equipas também aflitas. Refiro-me ao Santos FC (a quem vencemos no domingo) e ao Clube Desportivo da Huíla. A jogar em casa, vamos procurar ganhar os três jogos para nos mantermos na Primeira Divisão. Sei que será difícil e que os jogadores vão ter de se entregar ao máximo, como aconteceu diante do Petro de Luanda e do Santos, para vencermos todos os desafios. As outras equipas que estão à nossa frente, virão aqui para procurar segurar pelo menos o empate. Por isso, o Cabinda deve arriscar, ir para frente e marcar golos.     

Fale do jogo de domingo, diante do Santos FC, equipa que também luta para não ser despromovida…
Trabalhamos bem para esse jogo. Conhecemos perfeitamente a formação do Santos, pois já a vimos jogar. Montamos uma estratégia para o vencer, pois não tínhamos hipóteses. No desafio com o Petro de Luanda, ao terminar o jogo, disse aos atletas para irem pra frente, pois tínhamos de ganhar a partida. O empate de nada nos servia. Entramos no campo para ganhar, na medida em que sabíamos que eles vinham com o mesmo objectivo. Aliás, não é por acaso que esta formação tem uma das melhores equipas do país e esta na posição que conhecemos. É um conjunto organizado.

Como disse, nesta fase, cada jogo é uma final. Que estratégia a equipa técnica monta para sobreviver na prova?
Não as posso dizer para não "entregarmos o ouro ao bandido". Se revelarmos, nada estaremos a fazer.

Que mensagem passa aos jogadores nos dias que correm?
A nossa mensagem tem sido moralizadora. Dizemos aos jogadores que o campeonato ainda não acabou; que ainda temos hipóteses, porquanto o calendário até é favorável. Teoricamente, temos chances de ficar na Primeira Divisão. Só depende dos atletas. O Campeonato Nacional está no fim e o treinador procura montar a estratégia e a forma desportiva dos atletas. O resto é com eles em campo. São eles que devem resolver tudo dentro das quatro linhas. É claro que o técnico vai fazendo substituições, mas neste momento, pouco faz. Quem não estiver fisicamente bem nos dias que correm, não estará até ao fim da competição. 

A vitória diante do Petro de Luanda motivou o grupo. Esta motivação vai continuar até ao fim da prova?
Esta motivação deve continuar. Não devemos parar, de maneira alguma. O campeonato está no fim, faltam três jogos e não vamos perder o ânimo, na medida em que estivemos em situações piores e não o perdemos. Agora que já acendeu uma luz no fundo do túnel, vamos ver se chegamos a ela.

Acha que a sua equipa depende de si mesma para se manter na Primeira Divisão?
Os "gorilas do Norte” não dependem de si mesmos. Ainda dependem dos outros, porquanto outras formações estão também aflitas. Todos temos jogos difíceis. Se ganharmos as três partidas que faltam vamos ter tranquilidade. Veja que jogamos no domingo com o Santos Futebol Clube, que tem 29 pontos. Ganhamos, fizemos 27, a dois pontos de diferença do nosso adversário. Temos outro jogo em casa e, ganhando, faremos 30. O Santos FC, o Clube Desportivo da Huíla e o próprio Sagrada Esperança, que está com 31 pontos, vão jogar com o Interclube. O Futebol Clube de Cabinda já jogou com os grandes. Perdemos pontos e o mesmo pode acontecer com as outras formações que estão nos últimos lugares.  

"Acredito naquilo que faço"
Quando chegou ao clube, ensaiava o sistema 4x4x2. Agora, notamos que a equipa joga em 4x5x1. É a melhor estratégia para aquilo que pretende?
As mudanças de sistemas dependem dos jogos e dos adversários. Tenho mudado de jogadores e isto depende das características dos atletas que o adversário possui. A título de exemplo, com o Petro de Luanda jogamos no 4x4x2 e não no 4x5x1. As formas e os sistemas de jogo variam de jogo para jogo.

Acredita na manutenção da equipa no Girabola?
Acredito naquilo que faço. Desde os 10 anos de idade que ando nesta senda. Se não acreditasse, não estaria aqui a orientar o Futebol Clube de Cabinda.

Caso a equipa permaneça na Primeira Divisão, o professor vai continuar à frente dela?
Vai depender da direcção do clube. Depois vamos ter de conversar, pois a minha vinda a Cabinda foi por intermédio de um convite de amigos para ver a possibilidade de manter a equipa na Primeira Divisão. Se o conjunto se mantiver, vamos sentar para ver o projecto que o clube tem. Se agradar, ficarei na província, até porque tenho laços familiares aqui. Para quem não sabe, estudei aqui, na infância. Tenho amigos aqui. Por isso, não tenho problemas em ficar em Cabinda.

A direcção do clube tem os compromissos honrados com os jogadores e com a equipa técnica?
Não vou falar sobre isso. Estou aqui para treinar a equipa de futebol e, tanto quanto sei, os jogadores de nada estão a se queixar. Por isso, não vamos desestabilizar o grupo, pôr "minhocas" na cabeça dos atletas. Nada sei! Como vê, todos estão a treinar com afinco. O resto resolve-se internamente, pois são questões administrativas.   

Que apelo deixa aos sócios, adeptos e à população cabindense?
Que nestas últimas jornadas apareçam, em massa, no campo para apoiar a equipa. Acho que a equipa deve ser apoiada vivamente por aquilo que os jogadores estão a fazer. Peço às autoridades da província para colocarem mais autocarros na hora dos jogos, a fim de transportar as pessoas ao Estádio Nacional do Chiazi. Apareçam em massa, pois o estádio não mais encheu depois da realização do CAN’2010. Que encha agora nestes três jogos que o Cabinda tem em casa, a fim de termos no próximo ano uma equipa na Primeira Divisão.

Atletas confiantes na manutenção

Depois de uma vitória suada frente ao Petro Atlético de Luanda, por uma bola a zero, que deu outra motivação ao grupo, e a última, de domingo, diante do Santos Futebol Clube, os futebolistas do Futebol Clube de Cabinda acreditam na manutenção da equipa na Primeira Divisão. Os jogadores estão moralizados e dispostos a enfrentar os últimos três jogos que restam para o término da competição, com o espírito ganhador. O médio-trinco Adalberto João ( Edi), diz que os atletas do Futebol Clube de Cabinda estão cada vez mais motivado a enfrentar os seus adversários, sem preconceitos e com atitude ganhadora.

Refere que, nesta fase final, a equipa trabalha, arduamente, para vencer todos os jogos que restam para, deste modo, permanecer na fina-flor do futebol angolano. Para Lucino, ponta de lança brasileiro, daqui em diante todos os jogos devem ser ganhos para a agremiação a que pertence continuar no convívio dos grandes. "Estaremos confiantes e crentes até ao fim do campeonato. Vamos fazer três jogos em casa com o pensamento na vitória. O técnico João Machado pede-nos para vencer os jogos que nos restam e devemos cumprir com o seu desejo. Estamos a trabalhar com seriedade", explica.

Realça que, nesta fase do Girabola, os trabalhos decorrem sem sobressaltos, baseando-se fundamentalmente nos aspectos físicos, técnicos, tácticos, psicológicos e, essencialmente, na finalização. Para ele, os atletas estão a receber mensagens satisfatórias da direcção e da equipa técnica, o que serve de alento, força e maior entrega dos mesmos. "Peço a todos os adeptos, sócios e população de Cabinda para acreditarem nos jogadores e deixarem de vaiar quando a equipa estiver a jogar mal. Puxem mais para o Cabinda permanecer no Girabola" exorta.

O Futebol Clube de Cabinda ocupa a décima quarta posição do Girabola, com 27 pontos, fruto de seis vitórias, nove empates e doze derrotas. A equipa marcou 21 golos e sofreram 35. O avançado brasileiro Luciano é o melhor artilheiro da equipa com 12 golos rubricados.