Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Judoca da Escola do Maral fica triste quando perde finais

Joo Francisco - 01 de Janeiro, 2013

Dedaldino Vincler Antnio, 17 anos, campeo da SADC

Fotografia: Jornal dos Desportos

Quando este judoca angolano, um dos que dão maiores indicativos de projecção nos escalões de formação, começou a praticar esta arte marcial não imaginava que podia atingir tais patamares em tão pouco tempo de prática. “Entrei no mundo do judo em 2004, por influência dos meus irmãos e amigos no Bairro Operário.

Na altura não pensava praticar a modalidade a sério. Tanto é que cheguei a parar no mesmo ano, ao ter achado que não era algo de bom para mim, tendo retomado apenas em 2006, na Escola do Marçal, com o meu Mestre Edivaldo de Barros (Edi)”, contou.  A progressão rápida de Dedaldino António no dojo, segundo ele próprio, deveu-se ao facto de num dado momento notar que os treinos que efectuava no período da manhã com praticantes da sua idade, juvenis, não surtiam os efeitos que queria.

“Reparei que não estava a render nada ao longo das manhãs e, então, passei a treinar à noite, período que era reservado aos juniores ou àqueles que faziam dupla categoria, autorizados pelo Mestre Edi.” ”Mesmo sem autorização do meu mestre fui insistindo, insistindo por achar que era o treino ideal que eu queria. Até que um dia o mestre deixou-me treinar com os mais graúdos da escola do Marçal, Bernardino Pascoal (Dito), Inocêncio Vicente, Mauro Pascoal (Babado), Santos (ST) e Joaquim Junqueira, que na altura faziam dupla categoria e assim satisfiz o meu ego”, revelou.

Dedaldino António revelou de igual modo que depois da primeira semana com os mais graúdos participou no seu primeiro Campeonato Nacional de Juvenis, na Cidadela Desportiva, em Luanda, onde, apesar de perder todos os combates não desanimou. “Aquilo até parece que me incentivou mais: continuei a lutar mais a sério e do cinturão branco passei para o cinturão amarelo, quando voltei a competir na Taça organizada pelo Mestre Guda, na Terra Nova, onde todas as escolas de judo de Luanda levaram os seus melhores judocas e que foi um dos meus momentos mais felizes pelo facto da minha agremiação, a Escola do Marçal, ter vencido a prova”, confessou.

TRAJECTÓRIA
A partir do momento em que Dedaldino António provou o sabor de uma vitória, parece que começou também a trilhar os caminhos do estrelato, tendo sido campeão nacional juvenil em 2007, entrando na lista dos eleitos para as futuras selecções nacionais dos escalões de formação. Nos anos 2009/2010 e 2011 sagra-se vice-campeão nacional de juniores e em 2012 volta a ocupar a segunda posição na Taça Zé Dú, depois de ter perdido na final dos 60 kg com Armindo Pedro, seu colega de equipa.

A estes títulos juntam-se a medalha de prata no Campeonato Africano júnior de 2012, disputado em Gaberone (Botswana) e, por fim, a medalha de ouro nos Jogos da SADC, sagrando-se campeão zonal africano na prova disputada em Lusaka (Zâmbia), de 5 a 17 de Dezembro último. Para Dedaldino António, um dos melhores momentos da sua carreira aconteceu quando a sua equipa, a Escola do Marçal, localizada na Brigada, foi vencedora da Taça Guda. Grande momento foi também o da sua primeira medalha numa competição internacional, nos Jogos da SADC, onde se sagrou campeão zonal. O judoca considera os seus piores momentos quando perdeu a final dos 60 kg, na Taça Zé Dú de 2012, e a final da mesma categoria (60 kg) do Campeonato Africano de juniores, com um adversário da Líbia.


 A PALAVRA DOS PAIS
“Temos orgulho de ter um filho
campeão nacional e africano”

Os pais de Dedaldino António, Alexandre António e Joaquina António, residentes no Bairro Operário, na rua de São Tomé, casa nº 16, sentem-se orgulhosos por terem um filho campeão e o seu comportamento em família ser também exemplar. “O seu comportamento em casa é positivo. O seu temperamento, aparentemente lento, é muito reservado. É igualmente calmo, respeitoso, obediente. Nós, como encarregados de educação, sentimo-nos até vaidosos por nunca termos recebido nenhuma reclamação a seu respeito, inclusive no seio dos seus colegas de Artes Marciais.

“Cumpre com zelo e dedicação os seus deveres caseiros e está sempre disponível para qualquer tarefa.”A esta educação de Dedaldino António, segundo ainda os seus pais, podemos aliar a religião católica, pertencendo ao Agrupamento 15 dos Escuteiros da Igreja de S. Paulo, onde tem os sacramentos do baptismo e comunhão. “Em relação à sua presença nas competições de judo, nós como pais, no princípio temíamos pela sua tenra idade e também pelas suas características, muito humilde e calmo, e pensávamos que a prática de uma Arte Marcial pudesse trazer alguma revolta no seu comportamento, mas com o decorrer do tempo concluímos que valeu a pena”, frisaram.

Os pais de Dedaldino disseram: “Os pais não ditam regras, servem apenas de acompanhantes. Daí que constatámos que a sua presença é evolutiva no judo, valeu a pena, porque os resultados estão à vista, benéfico não só para a família como para a sociedade angolana em geral”. “Foi com muita satisfação que acompanhámos pela imprensa a primeira competição, quando arrecadou a medalha de prata no Africano de Judo, de 2 a 7 de Julho, no Botswana, e agora nos jogos da SADC, na Zâmbia de 4 a  17 de Dezembro de 2012”, concluiu.


Perguntas e respostas

Jornal dos Desportos - Como estudante da 11ª classe o que pensa ser quando terminar os estudos?
Dedaldino António - Engenheiro informático.

Em termos desportivos qual é a sua maior ambição?
Quero ser campeão olímpico. 

Quantas horas de treino faz por dia?
Duas horas. Na primeira hora faço aquecimento, a entrada das técnicas que vou executar com maior perfeição e as projecções; em seguida o randor, que é o próprio combate em si, entre dois judocas.
 
Quem mais admira no judo?
O meu Mestre, Edivaldo de Barros (Edi).

Qual é a mensagem que deixa para os dirigentes da Federação Angolana de Judo?

Que continuem a trabalhar com este mesmo grupo do qual faço parte, porque já temos o hábito de conquistar medalhas.

POR DENTRO
Nome completo - Dedaldino Vincler António
Filiação - Alexandre António e Joaquina Silvestre Cole Tenge
Naturalidade e data de nascimento - Luanda, 8 de Fevereiro de 1995
Estado civil - Solteiro
Quantos filhos quer ter - Dois
Altura - 1,68m
Peso - 60 kg
Calçado - 39/40
Filmes - Acção
Música - Romântica
Prato preferido - Feijoada com todos
Bebida - Sumo e gasosa
Tem namorada - Não
O que mais teme - A morte
Recorre à mentira - Não
O que mais detesta - Falsidade
Defeito - Deixo a critério de outros
Virtude - Acho que sou sincero
Sonho - Concluir os meus estudos e ser campeão olímpico de judo
Homossexualidade - Não tenho nada a dizer