Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Juventude do MPLA comemora 15 aniversrio

08 de Julho, 2015

Juventude do MPLA comemora 15 aniversrio

Fotografia: Jornal dos Desportos

A Juventude do Movimento Popular de Libertação através do seu departamento desportivo e em estreita colaboração com a Direcção Geral da Juventude e Desportos reuniu para comemorar o 15º aniversário (no ano de 1979) do inicio da luta armada, isto a 4 de Fevereiro de 1961. A respectiva cerimónia com cunho desportivo,  levou para o efeito, com início marcado a 31 do mês de Janeiro e o seu termino em 4 de Fevereiro, a “Jornada de Solidariedade Anti - Imperialista” integrada nas comemorações do “4 de Fevereiro”.

Diversas províncias da ex - República Popular de Angola estavam representadas com equipas de Futebol, Basquetebol feminino e masculino e Atletismo em franca confraternização desportiva. Rapazes e raparigas de uma Nação que vai de Cabinda ao Cunene pelo desporto e através do desporto, provaram ao mundo que os heróis do “4 de Fevereiro”, uma página escrita com sangue e glória por alguns dos melhores filhos de Angola, em plena luta contra o invasor imperialista não morreram em vão, e que o significado de “Um Só Povo, Uma Só Nação” é uma realidade.

Serão desportistas servindo a Revolução. Será o Desporto unindo os homens, sem distinção de raças, cumprindo a missão libertadora da humanidade. Por isso mesmo, o desporto sempre foi posto ao serviço de um Povo que luta, sem tréguas, contra a exploração do homem pelo homem.A responsabilidade da Solidariedade Anti - Imperielista, fez com que os atletas envergassem as cores e o símbolo de uma Pátria que decididamente disse “Não”, um “Não” indestrutível ao Imperialismo Internacional.

Contudo, ficou acordado,  que os desportistas angolanos continuassem a  erguer o seu punho de ferro para que gritassem  aos povos oprimidos de todo o mundo que estão ao seu lado, que as suas lutas são comuns, levando assim, o  significado da “Jornada de Solidariedade Anti - Imperielista” e, em uníssono, gritando com os desportistas de Angola: Avante Camaradas! A Luta Continua! A Vitória é Certa!

A  ANTEVISÃO DA LINHA DURADOIRA
Juventude sadia no novo desporto


A orgânica desportiva apresentada durante a ex - República Popular de Angola , face aos desafios que o país atravessava no período pós independência, sempre foi a antevisão da linha duradoira e firme para com a juventude. Este esboço de planificação desportiva por parte da Direcção Geral da Juventude e Desportos serviu de antecâmara para se resolver os inúmeros problemas, relevantes a realidade dos atletas (na altura) de forma a que se mantenham em boas condições físico - tácticas.Pois, aquela instituição acreditava que só assim, se poderia evitar o que sucedeu durante o encontro com a selecção congolesa em jogo realizado na nossa capital.

Em que decorridos uns escassos 40 minutos, os nossos jogadores não podiam com as pernas.
Com base na realidade que os futebolistas nacionais estavam a atravessar nos primórdios da independência, apostou-se grandemente na preparação física como base desportiva e que esta só se consegue através dos treinos adequados ás nossas realidades, tanto climatéricas como psicológicas.

Além disso, ficou também acordado de que havia necessidade que os treinos sejam ministrados por pessoas competentes, pois não é admissível que se ponha qualquer "curioso" a dar sessões de preparação física. A Direcção Geral da Juventude e Desportos manifestou também o desejo de ter num futuro breve a juventude angolana "forte e sadia", capaz de cumprir todas as tarefas que o país precisa, quer no "desporto" como, essencialmente, nas necessidades "político-militares". A aposta contínua na formação de quadros, aproveitamento  e  experiencia que muitos camaradas praticantes possuem, tal como o desenvolvimento científico de vários técnicos existentes, mereceu uma atenção especial por parte da Direcção Geral da Juventude e Desportos.

FIGURA
Maria Luísa Martins “Milú”


A braçadeira de capitã, da antiga equipa sénior de andebol do Clube Ferroviário de Angola, no pós independência, ensinou desde muito cedo a “jovem atleta,” residente na altura na Vila Alice, a ser responsável e compreender melhor as pessoas.Maria Luísa Martins “Milú” aprendeu a viver os sabores e dissabores das colegas de equipa e de escola (antes Industrial Oliveira Salazar, hoje Liceu Técnico Bula Matadi) e por isso, sempre foi considerada a verdadeira amiga para compartilhar os segredos das pessoas mais próximas. Sorridente e de trato fácil, esta filha de Angola faz parte do primeiro grupo de jovens eleitas para  o ressurgimento da prática do andebol,  depois da proclamação da independência nacional, isto a 11 de Novembro de 1975. Amigos leitores “Milú”, é a nossa convidada para a edição do Angola 40 anos de hoje.

Já era desportista antes de 1975?

Antes da tão almejada e proclamada independência nacional, isto há 40 anos, recordo-me, que só fazia parte  um número de jovens desportistas “amadoras,”que tinham como  modalidade predilecta a ginástica e praticava no bairro onde cresci, a Vila Alice e também com as colegas da antiga Escola Industrial Oliveira Salazar, hoje Liceu Técnico Bula Matadi. Portanto, logo depois de 1975, comecei a praticar seriamente desporto, isto é, basquetebol e futebol por incentivo do José Cardoso e do Pina de Almeida.

Com a independência sentiu-se realizada enquanto desportista?

De acordo com a realidade que já estávamos a viver, uma vez que era o despertar de uma nova mentalidade, num país verdadeiramente livre da opressão colonial , levamos a pratica desportiva da escola para os clubes. Eu (Milú), a Cami, a Nina e também a Celeste começamos a praticar no Clube Ferroviário de Angola.Por isso mesmo, tenho a dizer que senti-me realizada enquanto desportista, tive a honra de ser a capitã da equipa sénior de andebol do Clube Ferroviário de Angola, tudo fizemos para resgatar a mística do andebol graças ao apoio total da família Almeida., 
 
Mas prevaleceu a paixão pelo desporto?
Sim! o desporto sempre teve um pendor importante na minha vida, em particular na minha carreira. Tenho ainda a dizer, que naquela altura pela escola industrial estava a fazer o curso de “química”, mas como o professor de educação física era o Mário Palma, incentivou-me  a afazer o curso no INEF. credito que sou bem vista no andebol, pois para além de fazer carreira enquanto atleta, também fiz formação de árbitra e cheguei a exerce-la, em campo. Com isto, motivei o Maninho Amaral, o Delfim e o Moreira e outros integrantes da minha família a gostarem e praticarem o andebol, tanto como atletas e como árbitros. Hoje, sinto-me feliz por saber que o Clube Ferroviário de Angola está a reaparecer com toda a sua força e nós, temos  experiência para ajudarmos o nosso clube a erguer o seu bom nome.

 O que mais a marcou ao longo destes anos de independência nacional?

Os largos e longos anos, que o país vive de independência, guardo na memória a primeira participação do Campeonato de Andebol que disputamos na cidade do Huambo. Lembro-me que a província parou, isto no ano de 1978, se a memória não me falha.  Nestes primórdios anos da independência, o desporto sobretudo o andebol era intensamente praticado em Luanda e  em Benguela, isto levou-nos a incentivar as demais províncias.

O andebol tem um momento especial na sua actividade?

O andebol ensinou-me a ser uma pessoa social, interactiva e a compreender melhor as pessoas. Hoje, devo também dizer, que a minha actividade laboral esteve associada ao desporto. Este mesmo desporto ajuda-nos a termos uma postura psico-social positiva, isto é, amar e compreender melhor as pessoas.
   *Hermínio Fontes