Jornal dos Desportos

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Entrevistas

karpov aposta na dinamizao do Xadrez

Joo Francisco - 09 de Setembro, 2010

Anatoly Karpov, candidato presidncia da FIDE

Fotografia: Joo Francisco

O que o motiva a candidatar-se à presidência da Federação Internacional de Xadrez?
As motivações são várias.Em primeiro lugar, pelo facto de o meu adversário e actual presidente da FIDE, Kirsan Ilyumzhinov, demonstrar que não está à altura dos desafios do futuro, ao longo dos 16 anos à frente daquele organismo.

Porquê?
Nesse período, o xadrez perdeu muitos dos seus anteriores patrocinadores.Em segundo lugar, fazemos parte do futuro do xadrez mundial e, no passado, contribuímos para a afirmação do"jogo-ciência"como desporto.

Quais são as suas linhas de força?
Em princípio, vou seguir as linhas mestras do Grande Mestre holandês Max Euwe, que foi presidente da FIDE entre 1970 e 1978.Depois de ter sido campeão mundial de 1935–1937, ele defendia a estratégia de que todos os países do mundo deviam ter Grandes Mestres. Só poderemos conseguir isso, se tivermos cada vez mais crianças a praticar a modalidade.

Qual é o seu conceito da prática do xadrez?
Não devemos considerar o xadrez apenas como actividade desportiva, mas também como actividade social, na medida em que apresenta algumas vantagens sobre os outros desportos, particularmente, em relação ao empenho dos estudantes quando praticantes. Através do xadrez, desenvolvemos a nossa mente, a memória e criamos ideias sobre estratégia e a lógica das coisas.

É imperioso praticar o xadrez, nesse caso?
Em muitas partes do mundo, o xadrez é importante por não ser compatível com o uso de drogas.O "jogo-ciência"põe logo de parte esse mal que aflige as nossas sociedades, pois a pessoa não consegue consumir drogas e jogar.Outro aspecto singular é o facto de a modalidade  não ter problemas de idade, nem de raças. Ao praticarem o xadrez, as crianças podem facilmente comunicar com os adultos, sendo, por isso, um dos grandes factores relacionados com a educação social.

"Vamos aplicar 600 milhões de dólares em África"

O que a África ganha com a sua vitória?
A nossa equipa quer desenvolver o xadrez em África.Para começar, temos uma verba de 600 milhões de dólares nos primeiros quatro anos  do nosso mandato.Vamos, igualmente, organizar vários seminários para árbitros, treinadores, professores, a fim de organizar actividades para crianças do continente.

O que espera de Angola nesta campanha?
Esperamos que a Federação Angolana de Xadrez e os jogadores angolanos suportem a minha campanha e a  nossa candidatura no 81º Congresso da Federação Iinternacional de Xadrez, que vai decorrer de 29 de Setembro a 4 de Outubro, à margem da 39ª Olimpíada de Xadrez, a ser disputada em Khanty-Mansiysk (Rússia), a partir do próximo dia 19.

Acredita na vitória?
Acredito que tenho uma forte equipa para derrotar o meu adversário. Aproveito a oportunidade para agradecer ao Presidente da Federação Angolana de Xadrez, o doutor Aguinaldo Jaime, por estar connosco nesta grande batalha.Ele está na nossa lista e será o líder do desenvolvimento do xadrez em África, caso se consuma a nossa vitória. 

O que transmitiu aos lideres do xadrez africano, particularmente às autoridades desportivas angolanas, na conferência de Luanda?
Expliquei aos líderes do xadrez africano e ao senhor ministro da Juventude e Desportos de  Angola, as vantagens que trará a minha eleição ao cargo de presidente da FIDE. Pedi também o apoio do Governo de Angola para  interceder junto das outras federações para o meu programa sair vencedor. Em suma, expliquei o meu plano de desenvolvimento para a modalidade no continente.

Qual foi a contribuição dos angolanos?
Recebi boas contribuições, particularmente de Angola, para o enriquecimento da minha agenda para África, que corresponda aos anseios e objectivos do desenvolvimento do xadrez, em face da sábia experiência angolana e africana em processos do género.

Candidatos trocam acusações

Há alguma polémica em torno destas eleições?
Sim. Em relação ao outro candidato, Kirsan Ilyumzhinov, e a sua equipa. Nada mais posso adinatar,enquanto o caso não for resolvido no Tribunal Internacional de Lausane (Suíça).

Sabe que Kirsan Ilyumzhinov ameaçou recorrer aos tribunais por você o ter acusado de corrupção?
A constatação não é apenas minha.Isso veio a propósito de que,recentemente, algumas personalidades a ele ligadas, foram presas, incluindo o vice-primeiro-ministro da Kalmikya, república de que o meu adversário é presidente.Foram encontrados com armas, o que prova que a sua equipa é corrupta e está envolvida em actividades complicadas  (quer dizer ilícitas).O seu adversário também o acusa de estar a fazer "bluff" em relação aos fundos que diz conseguir, mas sem dizer a partir de onde…Ele (Kirsan Ilyumzhinov) também diz que faz mundos e fundos e não faz.Temos um grande obstáculo a ultrapassar, pois a imagem do xadrez mundial decaiu muito ao longo dos últimos 16 anos em que o actual presidente esteve à frente dos destinos da FIDE.

A modalidade perdeu muito…
O xadrez perdeu quase todos os grandes patrocinadores.Neste mesmo período, o actual presidente provou não estar em condições de governar a FIDE.Apesar disso, temos um programa para recuperar esse tempo perdido e incorporar novamente os patrocinadores.

"Quarenta e cinco
países estão a meu favor"


Um dos problemas do passado foi a reconciliação entre a Associação dos Xadrezistas Profissionais (PCA) e a FIDE.Como vê essa questão?
Essa polémica já faz parte do passado.Não convinha à FIDE continuar a alimentá-la, porquanto os grandes mestres são uma classe muito forte, susceptível de influenciar a opinião no seio dos xadrezistas de todo o mundo. Hoje, todos os líderes do xadrez mundial convergem num único grupo e estão connosco.

Pode dar exemplos?
Mesmo o Grande Mestre Garry Karparov, que foi meu rival ao longo de 20 anos na luta para o topo do xadrez mundial, agora estamos juntos.Muitos jovens promissores também nos apoiam.Temos como exemplo Magnus Carlsen, que será provavelmente o próximo campeão mundial, pois demonstrou ser mais forte do que nós quando tínhamos a idade dele.

Quantos países definiram já o sentido de voto na lista que encabeça?
Isso só posso dizer no fim deste mês (risos).Há países, como Angola, que  tomaram já uma decisão final e dificilmente mudarão de posição.Quarenta e cinco países estão a meu favor.

E quanto ao seu adversário?
Segundo as nossas sondagens, Kirsan Ilyumzhinov tem garantido 25 países. Já disseram que vão votar para a sua continuidade. Informações não confirmadas, divulgadas no site do meu adversário, naturalmente de acordo com as sondagens deles, dão conta que tem 90 apoiantes.Acho que o meu adversário está a colocar o voto a seu favor na "boca" dos outros.

Explique-se melhor?
Temos a informação de que ele promete muito, mas faz pouco.

Etiópia garante promover
programa de xadrez nas escolas


Fez duas conferências internacionais com líderes do xadrez africanos.O que diz da realizada em Addis Abeba (Etiópia)?
Em Addis Abeba, a conferência foi positiva.Tive um encontro com o presidente da Federação de Xadrez da Etiópia e outros líderes de países da região.Um dos encontros mais importantes foi com o ministro da Educação da Etiópia, de quem recebi a garantia de implementação do meu programa de xadrez nas escolas daquele país.
 
O que mais conseguiu no que toca à promoção do seu programa naquele país?
Não menos importante, aliás a questão chave da minha presença em Addis Abeba, foi o encontro que tive com Jean Pierre Ezili,  o representante da Comissão Científica e Tecnológica  da União Europeia em África, órgão que se encontra sedeado naquele país. Ele ofereceu-se, na companhia do ministro etíope da Educação, para apresentar o dossier  sobre o  sistema do xadrez na educação numa conferência  internacional que provavelmente terá lugar em Fevereiro de 2011, na Etiópia. Haverá um encontro oficial com os chefes de estado africanos, em Julho de 2011, na Guiné Equatorial, onde serão discutidos os tópicos do desenvolvimento das mentes enquanto crianças, jovens e adultos.

Quais são as próximas etapas da sua campanha no continente?
Luanda foi a última etapa do continente, pois já não tenho tempo para visitar outros países.Quando me tornar presidente da FIDE, provavelmente visitarei todos os países de África.

Para onde vai quando deixar Luanda?
Terei um encontro em Londres (Inglaterra), para  balanço deste périplo.

"Quarenta e cinco
países estão a meu favor"


Um dos problemas do passado foi a reconciliação entre a Associação dos Xadrezistas Profissionais (PCA) e a FIDE.Como vê essa questão?
Essa polémica já faz parte do passado.Não convinha à FIDE continuar a alimentá-la, porquanto os grandes mestres são uma classe muito forte, susceptível de influenciar a opinião no seio dos xadrezistas de todo o mundo. Hoje, todos os líderes do xadrez mundial convergem num único grupo e estão connosco.

Pode dar exemplos?
Mesmo o Grande Mestre Garry Karparov, que foi meu rival ao longo de 20 anos na luta para o topo do xadrez mundial, agora estamos juntos. Muitos jovens promissores também nos apoiam.Temos como exemplo Magnus Carlsen, que será provavelmente o próximo campeão mundial, pois demonstrou ser mais forte do que nós quando tínhamos a idade dele.

Quantos países definiram já o sentido de voto na lista que encabeça?
Isso só posso dizer no fim deste mês (risos). Há países, como Angola, que  tomaram já uma decisão final e dificilmente mudarão de posição.Quarenta e cinco países estão a meu favor.

E quanto ao seu adversário?
Segundo as nossas sondagens,Kirsan Ilyumzhinov tem garantido 25 países. Já disseram que vão votar para a sua continuidade. Informações não confirmadas, divulgadas no site do meu adversário, naturalmente de acordo com as sondagens deles, dão conta que tem 90 apoiantes. Acho que o meu adversário está a colocar o voto a seu favor na"boca"dos outros.

Explique-se melhor?
Temos a informação de que ele promete muito, mas faz pouco.

>> Por dentro

Nome: Anatoli Yevgénevich Kárpov
Data de nascimento:23 de Maio de 1951(59 anos)
Nacionalidade: Russa
Ocupação: Xadrezista