Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Kwanza-Sul quer futebol no auge

Mário Eugénio e Avelino Umba, no Sumbe - 07 de Outubro, 2010

Hélio Machado Lafayette, presidente da Associação de Futebol do Kwanza-Sul

Fotografia: Casimiro José

Como está o futebol no Kwanza-Sul?
Este ano tivemos várias acções, destacando-se o Campeonato Provincial de Seniores, com a participação de 4 clubes, aqueles que se disponibilizaram a participar da competição. Consequentemente, por força dos regulamentos, as mesmas participaram no campeonato provincial de juniores. Quer dizer que, neste momento, a província tem 5 clubes, entre eles o Recreativo do Libolo (que está no Girabola), além de contar com equipas de juniores e juvenis nas competições nacionais. Voltando ao campeonato provincial, participaram a ARA da Gabela, o Desportivo e Recreativo do Chingo, o Sporting do Sumbe e o Recreativo do Seles.

Isto é prenúncio do crescimento do futebol local?
O futebol, comparativamente ao período de 2005 a 2010, conheceu um crescimento. Não é o que a associação provincial pretendia, mas o que foi possível realizar, tendo em conta as inúmeras dificuldades que a associação vive, também vividas pelos nossos associados. Contudo, estamos satisfeitos com o número de participantes. Prevemos chegar a doze equipas, o que quer dizer que os desafios e as dificuldades serão maiores, tendo em conta as condições que são dadas, designadamente no que toca a infra-estrutura onde funcionamos, materiais, técnicas, administrativas e financeiras dos clubes.

Sabemos que a associação, não obstante as dificuldades que enfrenta, coordena uma escola de futebol...
Apesar das dificuldades temos, modéstia a parte, conseguido levar a bom porto os nossos intentos. A escola de futebol é um valor acrescido ao nosso trabalho, tratando-se de uma parceria com os clubes. Chamamos escola ao projecto, mas, em termos de organização e condições, não a consideramos como tal. Chamámo-la assim porque congrega um número de crianças considerável (acima das 600), que aos poucos vamos ocupando o seu tempo com a formação, quer intelectual quer desportivo.

Fale mais do projecto…
A associação nada criou. Simplesmente congregou os esforços feitos por jovens e adultos de boa vontade, organizados por área de residência, que preocupados com a acção das crianças e dos jovens criaram as suas equipas. Unimo-nos a este esforço para dar o suporte institucional. Reforçamos internamente a associação provincial com um grupo de trabalho, com pessoas assalariadas, que dão a orientação técnica e são os supervisores do projecto, passando o seu conhecimento àqueles jovens que, por iniciativa própria, começaram a ensinar.

Recreativo do Libolo tornou-se
no orgulho da província


A reinauguração do Estádio Municipal do Sumbe vai ajudar o vosso projecto de formação...
Com a reinauguração do Estádio Municipal do Sumbe sentimo-nos reforçados, fundamentalmente no que toca ao nosso programa de formação de atletas. Aquela infra-estrutura possibilita a utilização a tempo inteiro, tendo em conta o tapete sintético que possui. Caso a administração permita, vamos ter maior poupança, rendimento e vontade dos jovens em aderirem à prática do futebol, pois se sentirão muito mais acomodados. Lá vão encontrar o material e o equipamento desportivo necessário e tomar banho. Tudo isto cria comodidade e maior adesão da garotada.   

A julgar pelo número de clubes, apenas 5, não acha que fica difícil expandir a modalidade na província?
Temos cinco clubes a competir a nível provincial e nacional. Apenas um deles está no Girabola, que é o Recreativo do Libolo. Este ano há um novo campeão provincial, a Associação Recreativa do Amboim, ou simplesmente ARA da Gabela. Perspectivamos, no campeonato provincial de juvenis, abrirmo-nos mais, possibilitando para além dos clubes filiados, a participação de equipas com iniciativa própria, através de empresas, bairros, associações organizadas, etc.

O Recreativo do Libolo é, nesta altura, o clube mais visível da província. Que avaliação faz do desempenho desta?
Em termos de organização, o clube está bem. Ficamos preocupados com alguns resultados, mas, como se diz, é competição e todos estamos preparados para os resultados possíveis: vitória, empate e derrota. Contudo, tendo em conta a modéstia da nossa província e do município, estamos satisfeitos com os resultados do Libolo.

Aumentar a prática do futebol é a meta 


Quais são as linhas de força do vosso programa de acção?
Pretendemos fazer crescer o futebol a um patamar capaz de ombrear com as províncias consideradas potências em Angola. Para isso, estamos apostados na formação da nova geração e na reorganização dos clubes. É fruto deste trabalho que vimos reaparecer algumas agremiações no "provincial" deste ano, como são aos casos do Recreativo do Chingo, o Sporting do Sumbe, a ARA da Gabela e o Recreativo do Seles. Pretendemos, no próximo ano, fazer reaparecer o Benfica do Sumbe, o Naval Pescas do Porto Aboim, o Recreativo da Sela, o Recreativo da Quibala, o Futebol Clube da Sela, entre outras iniciativas que possam surgir, organizadas por municípios ou comunas, em função das suas pretensões, disponibilidade e voluntariedade.

Ante este rol de dificuldades, quer financeira quer de material, vividas pela associação e pelos clubes, julga possível levar adiante o projecto que visa desenvolver o futebol?
Internamente, a nível da associação provincial, temos primado pela acutilância e força de vontade para ultrapassar os obstáculos que aparecerem. Em relação aos nossos associados, primamos por um aconselhamento, dizendo que devemos iniciar de pequeno, em função das nossas posibilidades. Estamos em crer que, com toda esta massa associativa e experiência dos nossos dirigentes desportivos, com a injecção de novos jovens no dirigismo, vamos manter a acutilância para este trabalho, em função da necessidade da busca dos aportes para a sustentabilidade do projecto e, então, conseguirmos fazer aquilo que pretendemos.
Pensamos que se, com humildade, nos organizarmos e, fundamentalmente, a nível dos clubes, não vamos deixar os nossos créditos em mãos alheias.

Quais são as fontes de receita da associação?
Não me vou debruçar com profundidade sobre este processo, porquanto teria de apontar o dedo a alguém que poderia se sentir incomodado. Penso que, com curtas palavras, me faço entender. A associação vive fundamentalmente das quotas dos seus associados, através de taxas de participação. Para 2010, com quatro clubes e uma quota equivalente a 250 dólares, tivemos um encaixe financeiro equivalente a 1.000 dólares. Temos também as inscrições, as transferências, o que prevê mais ou menos um encaixe financeiro de 10 a 12 mil dólares por ano.

O que fazem com o valor?     
Fazemos a manutenção do local onde trabalhamos, compramos o material gastável e pagamos o salário aos trabalhadores. É evidente que são valores que não chegam. A título de exemplo, uma boa bola de futebol custa a volta dos 100 dólares.

A Federação Angolana de Futebol, a Direcção Provincial dos Desportos e o Governo Provincial não apoiam?
Temos tido alguma colaboração, mas não do ponto de vista financeiro. Trata-se de encorajamento e de material desportivo. Quanto ao material que recebemos para o projecto da escolinha de futebol como calções, camisolas e calçado, lamento o facto de o fundamental não ter sido dado, que são as bolas. Ainda assim, o que recebemos aligeirou sobremaneira aquilo que eram as despesas da associação e do projecto.

"Estádio Municipal
do Sumbe é mais-valia"


O que a reinauguração do Estádio Municipal do Sumbe representa para o futebol da província?
Acima de tudo, uma mais-valia para todos nós. Não só para a associação de futebol mas para toda a comunidade, a província e o país, pois aumentou o número de infra-estruturas. O estádio vai resolver alguns problemas ligados à modalidade. Estamos a falar de aproximadamente 3 mil lugares sentados, ou seja, aquilo que se pode vender; de lugares consideráveis na tribuna e nos camarotes, que dão alento à comercialização da nossa mercadoria que é o futebol.

Como a província está em infra-estruturas?
Tendo em conta a sua densidade populacional e aquilo que temos, concluímos que não está bem. Neste momento temos, em condições para a prática do futebol, o Estádio Municipal do Sumbe e o Estádio do Libolo. Possuímos ainda estádios e campos a serem reabilitados a baixo custo e que podem engrandecer a província e dar bons resultados ao futebol nacional.

Verificamos que a associação funciona numa infra-estrutura debilitada, o que contrasta com os projectos que têm para a modalidade. Comente…
O actual estado da sede da associação deve-se a um grande esforço dos seus membros e associados, pois já estivemos em situação pior. Houve altura em que este lugar que estamos, e que se paga renda, poderia fechar as portas, não fosse a disponibilidade e o esforço dos membros que sempre trabalharam para manter em funcionamento a instituição, mesmo durante o período estratégico em que paramos para a reorganização do nosso futebol.