Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Languinha considera positiva a participao

Val?dia Kambata - 23 de Dezembro, 2016

Languinha atento as seleces que os angolanos vo defrontar no Campeonato Africano das Naes do prximo ano

Fotografia: Jornal dos Desportos

A prestação da Selecção nacional de futebol na categoria de Sub-17 no torneio da modalidade dos VII Jogos da Região 5 da União Africana, em que conquistou a medalha de prata, serviu para o seleccionador Simão Coxe "Languinha" tirar "excelentes ilações" tendo em vista a preparação para o Campeonato Africano das Nações (CAN), em 2017, em Antananarivo (Madagáscar).

"A nossa participação foi positiva, muito aquém das nossas expectativas, isso olhando pelos adversários e pela constituição físicas dos atletas que são quatro anos mais velhos. Foi um torneio desgastante, foram os jogos mais  difíceis  que  já fizemos, pois defrontámos adversários muito superior  em termos de equipa , idade e  maturidade e criaram-nos muitos problemas. Ainda assim,  conseguimos  afastar a melhor equipa deste Torneio, que é a Zâmbia.  O facto de não perdemos com a Zâmbia deu outra visibilidade à selecção e recebemos muitos elogios e em relação a nossa participação no torneio", disse.

O torneio dos VII Jogos da Região 5 da União Africana é o "ponto de partida" para o trabalho que vai levar à selecção ao CAN do Madagáscar, em Abril do próximo ano, 17 anos depois. 

"Podemos  dizer que a nossa participação foi valiosa a todos os níveis e deu para tirar  ilações daquilo que é Campeonato Africano das Nações em futebol  em Sub-17, porque  se nós jogamos assim com estás equipas  (de Sub-20), no CAN2017  vai ser completamente diferente , pois vamos  jogar com atletas  da mesma faixa etária e a diferença  vai ser no jogo e não na condição de idade", referiu. 

Quanto  aos  objectivos traçados  para a competição da União Africana, que era dar maior rodagem competitiva aos atletas, Simão Coxe " Languinha" garante que foi cumprido.

" O nosso objectivo nos VI Jogos da Região 5 da União Africana era dar mais rodagem competitiva aos nossos atletas. Felizmente conseguimos jogar com muita intensidade,  com níveis de concentração alto. Outro aspecto que chamou atenção as outras selecções é o nosso comportamento defensivo, esse foi o nosso grande ganho neste torneio, pois  fomos a equipa que menos golos sofreu e muito sólidos a defender", sustentou.

Simão Coxe referiu que de outra forma não podia ser, pois "tínhamos poucas alternativas, era necessário  defender bem  e tentar atacar também bem, pois em função da altura  dos adversários tivemos  muitas dificuldades em atacar , como é  natural. Havia coisas programadas que não deram certo, porque os adversários não deixavam,  pois eram mais maduros, mas dado o objectivo da equipa, tiramos muitas boas ilações", sublinhou.


DEFESA E MEIO-CAMPO
Seleccionador
vai reforçar sectores


A Selecção Nacional de futebol de Sub-17, apesar  da boa prestação nos VII Jogos da Região 5 da União Africana, disputado em Luanda, em que foi finalista vencido, ainda tem muitos acertos por fazer em alguns sectores, segundo o seleccionador Simão Coxe "Languinha", em entrevista ao Jornal dos Desportos. 

"Temos que olhar em todos  os sectores da mesma maneira, de forma a termos um plantel compacto. Notámos que há necessidade de reforçarmos  mais em alguns sectores, por exemplo, necessitamos de laterais, tanto direito, como esquerdo,  necessitamos  de mais extremos e um avançado centro. Quanto ao meio campo, estamos  bem servidos, embora neste torneio (da União Africana) não contámos com aquele que é o nossos melhor meio-campista, o Fernando, que está lesionado", salientou .

Quanto aos reforços, o seleccionador vai aproveitar o Campeonato Nacional que se disputa em Janeiro próximo, em Benguela,  para pesquisar atletas que possam integrar a  selecção. Simão Coxe disse também que estão atentos aos atletas que actuam no estrangeiro.

"O Campeonato Nacional está às portas. Vamos acompanhar e ver alguns jogadores para ver se reforçam este grupo e, se calhar,  também  olhar para a diáspora, pois temos conhecimento de jogadores angolanos a evoluírem na Inglaterra, Portugal,  entre outros países. A selecção está aberto a todos  desde que sejam uma mais-valia", reforço.

Simão Coxe "Languinha" fez saber que como iriam defrontar selecções de Sub-20 nos VII Jogos da Região 5 da União Africana, a equipa técnica  apenas esperava fazer bons jogos, no entanto , em face das boas prestações a equipa chegou à final, deixado para atrás a melhor equipa do torneio, a Zâmbia.

"Ter chegado à final, para mim, foi impressionante. Olhei para a campanha que fizemos na primeira fase, olhei para os adversários, então foi muito bom ter chegado lá . O nosso principal objectivo era  dar mais jogos à nossa equipa, felizmente conseguimos chegar à final e quem lá chega tem o direito de sonhar , então acreditamos  que podíamos vencer o torneio mas não conseguimos", disse.    
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CONTRATO
“Ganho como treinador-adjunto
da Selecção Nacional feminina”


Os membros da equipa técnica da Selecção Nacional de Sub-17, à semelhança dos funcionários da Federação Angolana de Futebol (FAF), estão há 13 meses sem salários, o que tem deixado aborrecido o colectivo de seleccionadores, segundo Simão Coxe "Languinha, que assegura ter, ainda, contrato como ajunto da selecção feminina.

"Tal como os outros trabalhadores da Federação (FAF), tenho 13 meses de salários por receber, sem transporte  e para ver os jogos tenho que andar de táxi ou a é para fazer o meu trabalho de prospecção de atletas, pois como seleccionador, a minha missão é  andar de campo em campo para acompanhar a evolução dos jogadores, saber como treinam , falar com os treinadores,  ou seja, obter toda a informação que vai culminar  com a convocação  do atleta", disse.  

Simão Coxe referiu que as condições em que trabalham não é da melhores e que a nova direcção da FAF, saída das eleições realizadas no último sábado, vencidas pelo candidato Artur de Almeida e Silva, deve procurar resolver para o bem da equipa nacional e dos seleccionadores. 

"As condições de trabalha à disposição da equipa técnica não é boa. Espero muito que a nova  direcção da FAF possa dar-nos valor, pois se não nos derem condições é porque não necessitam do nosso trabalho e ai teremos que repensar se continuamos  a representar o País ou não", salientou
O bom trabalho à frente da Selecção Nacional de Sub-17 não tem passado despercebido. Simão Coxe disse tem recebido várias propostas, com destaque para clubes que competem no Girabola e de alguns países africano .

 "Recebi algumas propostas, não vou mentir,  isso fruto do trabalho feito na Selecção Nacional, mas devo dizer que tenho um vinculo de trabalho com a Federação Angolana de Futebol, que é de treinador-adjunto da selecção feminina e até hoje ainda ganho como tal, o que é triste. Como seleccionador de Sub-17 não tenho contrato firmado, porém, pretendo ir até ao fim, em Fevereiro do próximo ano", referiu. 

Embora ter recebido vários convites, Simão Coxe garante que por enquanto só está com os olhos virado para a fase final do CAN de Sub-17.

"Como deve saber, a minha prioridade é a selecção e por uma questão de ética pedi a estes clubes para que me dessem tempo para eu reflectir, porque  para sair temos que ver  primeiro as condições onde vamos. Estou à espera de uma conversa directa com o novo presidente da FAF e esperar pela proposta, tal como também tenho  as minhas. Espero que tudo se resolva bem , mas se não,  tenho que olhar pela minha vida", rematou.

PROGRAMA DE TRABALHO
Equipa técnica tem plano esboçado


A equipa técnica da Selecção Nacional de futebol de sub-17, já tem o plano de preparação visando o acerto da estratégia para a participação em grande no Campeonato Africano das Nações (CAN) da categoria, em 2017, em Antananarivo (Madagáscar), faltando apenas ser apresentado á direcção da FAF.

O seleccionador Simão Coxe "Languinha" disse que tão logo fazer chegar o programa ao presidente Artur de almeida e Silva, vai aguardar pela contribuição do mesmo, isso em  função das condições que vão ser criadas .

"Não adianta falar do programa de trabalho quando ainda temos situações por resolver.  Primeiro, preciso saber qual é a minha proposta de trabalho e depois saber se faz sentido  de minha parte continuar  e a ter visibilidade e a viver como estou agora, sem salário, nem transporte. Neste  momento estou a pensar na minha situação e dos meus colegas. Se as condições  satisfazerem  a mim e a equipa técnica, evidente que vamos continuar a lutar para dignificar o País e depois ver o que é melhor para nós", referiu.

Apesar de não ter a situação  contratual definida, Simão Coxe almeja orientar a selecção  no CAN 2017, em Madagáscar, e tentar a qualificação ao Mundial da categoria.

"Sinto que podemos e acreditamos nisso. Mas como deve compreender, sou ser humano, tenho família , a preparação do CAN 2017 exige muito tempo fora da família e para tal tenho que deixar alguma coisa em casa", desabafou .    

Em  véspera  de terminar o vínculo contratual, Simão  Coxe " Languinha" ainda não sabe se vai orientar  o combinado nacional de Sub-17 no CAN 2017,  a realizar-se  em Abril, em Antananarivo, embora sendo prioridade. 

" O meu contrato termina em Fevereiro (próximo ano) e ainda não sei se continuo, pois tudo vai depender da conversa  que vou ter com o novo presidente da Federação Angolana de Futebol. Sei que tem um projecto ambicioso  e dou os meus parabéns por isso, porém, como deve perceber, tenho as minhas  ambições e algumas  situações que  precisam ser resolvidas. Estou aqui e não sei o que vou dar à  minha família  no Natal", afirmou.
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