Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Languinha Simo clama por mais ateno

Jorge Neto - 21 de Janeiro, 2019

Tcnico enfrenta dificuldades financeiras e aguarda pela sensibilidade dos dirigentes da FAF

Fotografia: Jos Cola/ Edies Novembro

Oito meses depois de ser demitido pela Federação Angolana de Futebol (FAF), o ex-seleccionador nacional dos sub-17, Languinha Simão, continua aguardar pelo pagamento dos onze meses de ordenados em atraso.
O técnico lamenta o facto e espera que a solução seja ultrapassada o mais breve possível, não obstante reconhecer as dificuldades que o órgão reitor da modalidade enfrenta. \"Devo dizer que lamentavelmente a minha situação continua na mesma\", sublinhou.
\"A FAF continua a dever-me os 11 meses de salários. Fui eu que elaborei a convocatória dos jogadores que foram convocados e qualificaram Angola para o CAN da categoria. É preciso que as pessoas tenham atenção a isso\", recordou agastado com a situação que enfrenta .
Prosseguiu e disse \"eu fiz as convocatórias dos jogadores que foram para a Cosafa, as eliminatórias para o CAN e para os Jogos da CPLP. Fui demitido sem aviso prévio\", revelou, ao Jornal dos Desportos. Languinha Simão diz ter já escrito para o Ministério da Juventude e Desportos, de onde o processo não ata nem desata. \"Até hoje a minha situação continua parada. Sou um cidadão nacional, trabalhei para o país, em condições difíceis, sem auferir um salário e dei tudo pelo meu país\", acentuou confiante na sensibilidade dos dirigentes da FAF e não só.
\"Escrevi para a Ministra da Juventude e Desportos há mais de cinco ou seis meses. Volvidos trinta dias disseram-me que o documento estava no gabinete jurídico. Passados quatro meses não sou chamado para ser ouvido e nem sequer deram o tratamento devido ao assunto\", deplorou.
O técnico aguarda que o caso seja resolvido o mais breve possível, tal como acontece com os técnicos estrangeiros que trabalham na federação.  \"Assim como a FAF paga todos os salários aos treinadores actuais estrangeiros devia estender aos nacionais\", comentou.\"Não tenho nada contra as competências e o valor deles, mas acho que merecia um comportamento semelhante.
Tive muitos problemas, faltou pouco para os meus filhos serem expulsos da escola por não pagar as mensalidades é incompreensível\", comparou.
O ex-seleccionador dos palanquinhas considera que pelo feito histórico alcançado devia merecer um tratamento diferente ao actual da parte de quem dirige os destinos do futebol angolano. \"Falei com alguns treinadores de outros países como do Mali e do Níger disseram-me que não compreendem como é que Angola trata assim um seleccionador nacional, que trabalhou muito\", questionaram surpreendidos.
\"Acho que merecia ter um tratamento diferente, porque consegui feitos importantes e que vão ficar marcados na história do país. Dezassete anos depois qualifiquei Angola para o CAN e pela terceira vez. Acho que fui o primeiro treinador nacional a conseguir este feito\", defendeu.


SELECÇÃO SUB-17
\"Desconheço os motivos
da minha demissão\"

O antigo seleccionador nacional dos sub-17 afirmou que até a presente data desconhece os motivos que levaram a sua demissão pela direcção liderada por Artur de Almeida. 
\"Para ser sincero, até hoje desconheço as razões que levaram a federação a demitir-me. Até ao momento não recebi um documento que diz que a FAF prescindia dos meus serviços evocando as razões\", disse Lunguinha Simão.
O técnico realçou que recebeu o voto de confiança e a confirmação do vice-presidente, que iria permanecer no cargo, uma vez que já estava em final de contrato, mas a realidade foi diferente.
\"O mais grave é que dois meses antes de terminar o meu contrato, conversei com o vice-presidente, Adão Costa, porque sabia que o meu vinculo era não renovável e perguntei se havia condições ou não de continuar, mas ele garantiu-me que eu iria manter no comando da selecção\", contou.
O técnico que durante vários anos pertenceu aos quadros da FAF referiu que ainda prestou serviço àquela instituição depois do contrato ter vencido. \"Mesmo com o meu contrato vencido continuei a trabalhar, tanto é que eu fiz a convocatória e fizeram o uso dela\", recordou.
\"Na altura de fazer o anuncio da convocatória, anunciaram outro seleccionador sem avisarem-me. Até hoje não sei porque fui demitido e ninguém diz nada. Todos acham normal por se tratar de um treinador nacional\", concluiu.    


AVALIAÇÃO
\"Trabalhávamos em condições precárias\"

As condições que envolveram a preparação do combinado nacional de sub-17 tendo em vista a participação no CAN do Gabão foram precárias, de acordo com Languinha Simão.
\"Trabalhava em condições precárias. Treinávamos na Cidadela, onde muitas vezes não tínhamos um lanche em condições e por vezes não efectuávamos estágio.
Por exemplo, no passado eu pedi um estágio e não nos foi dado.
Admitiu que não obstante as limitações da FAF, o profissionalismo e o nacionalismo falou mais alto. \"Treinávamos apenas três dias por semana e sem as condições básicas criadas para podermos desenvolvermos o nosso trabalho. Ainda assim,  fomos ao CAN e sem receber nenhum tostão\",  revelou. A comitiva, recordou, passou por uma série de dificuldades com destaque alimentação. \"Chegámos no CAN e não recebemos sequer a ajudas de custos e não tivemos direito a nada. As condições foram muito difíceis. Comparando com as outras selecções fomos os que tínhamos as condições mais precárias\", lembrou visivelmente emocionado. As cenas caricatas também fizeram parte dos palanquinhas que foram os últimos a chegar ao palco da competição. \"Angola foi a última selecção a chegar ao Gabão, enquanto às outras selecções já lá estavam uma ou duas semanas. Chegámos ao torneio, três dias antes\", precisou.
\"Recordo que na altura, o Gabão convidou-nos para um jogo e Angola não aceitou porque queriam que pagássemos o resto dos dias\", disse o ex-seleccionador, acrescentando de seguida que \"fomos ao CAN com condições atípicas\", avaliou.
\"Acredito que desta vez vão dar todas as condições a selecção e depois vão querer comparar com aquilo que fizemos, o que não concordo, pois, está a dar-se um outro tratamento a esta selecção\", comparou.