Jornal dos Desportos

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Entrevistas

Lito Vidigal estou a incutir nova mentalidade aos jogadores

Mário Eugénio, em Itu - 31 de Janeiro, 2011

Seleccionador nacional exalta vontade e a disposição dos jogadores

Fotografia: Jornal dos Desportos

JD - Que avaliação faz do estágio pré-competitivo desenvolvido e do seu primeiro contacto com o grupo de trabalho?
Lito Vidigal - Quero dizer que foram apenas 17 dias de trabalho, tempo demasiado curto para preparar uma competição concentrada e ainda por cima com jogos muito próximos, não dando muito tempo para trabalhar entre um e outro. Mas acima de tudo temos de valorizar a atitude e a entrega que os jogadores demonstraram ao longo do estágio. O mais relevante nesta fase foi a vontade com que os jogadores trabalharam.

JD - Os jogadores estão a corresponder à sua filosofia de trabalho?
LV - Se calhar era melhor perguntar-lhes a eles, mas de qualquer forma posso dizer que o tempo é muito pouco. Nós estamos a trabalhar muitos princípios, é tudo novo, é tudo diferente, e é normal que os jogadores levem algum tempo a perceber as coisas.

 JD – Como se processa o trabalho?
LV - Com muita informação. Porque estamos a trabalhar há pouco tempo é preciso dar muita informação, trabalhar, voltar a dar informação e trabalhar novamente. É claro que isso leva tempo mas não há outra forma de trabalhar e o que se pede aos jogadores é que eles assimilem toda a informação que nós passamos. Sabemos que é um processo difícil, que leva tempo a perceber. Temos passado por cima de algumas situações, aquelas menos importantes, entre aspas, porque tudo no futebol é importante, ganha-se e perde-se por pormenores mínimos, mas temos que ir queimando etapas, dando informações e trabalhando por cima dessas informações.

JD - O estado físico do grupo é bom?
LV- Os jogadores estavam de férias, o campeonato já tinha terminado, é uma situação difícil de resolver em pouco tempo.

JD - Tem já uma ideia geral de cada jogador?
LV - Claro que não há um conhecimento geral. Temos muito pouco tempo de trabalho. Se os grandes clubes e as grandes selecções levam anos e anos a trabalhar as mesmas situações para depois se tornarem equipas fortes, quanto mais nós que estamos a trabalhar apenas há algumas semanas. As melhores equipas do mundo são aquelas que trabalham cinco ou seis anos com os mesmos jogadores e vão mudando de ano para ano um jogador, numa posição em que estão mais fragilizadas. Contratam um jogador para equilibrar aquela posição. E estamos a falar das melhores equipas do mundo, Manchester, Barcelona e por aí fora. Passados cinco, seis, sete, dez anos estas equipas começam a dar frutos. Nós estamos a trabalhar há pouco tempo, vamos desenvolver o nosso trabalho da melhor forma e pensar sempre de forma positiva.

Nova mentalidade
dos jogadores


JD - A FAF definiu como meta chegar à final do CHAN. Acha que é possível alcançar este objectivo?
LV- Eu já disse que nós temos de ser realistas. Estou a trabalhar há 15dias  e tenho para o futebol angolano uma visão mais ampla do que ganhar um, dois jogos, ou uma competição. A nova mentalidade que estou a tentar trazer para o futebol angolano é que possamos crescer muito em termos profissionais e daqui algum tempo exportamos jogadores.
Neste momento o que acontece em Angola, ao contrário da maior parte dos países, é que nós estamos a importar jogadores. Isso é positivo se os jogadores que têm vindo aumentarem a qualidade e o nível de competitividade, os jogadores angolanos crescem com isso. Mas o meu objectivo é que Angola também consiga exportar jogadores.

JD- O CHAN está já praticamente à porta. Tem informações actualizadas dos três adversários?
LV- Estou aqui, a trabalhar há 15 dias, gostava de ter as informações, não as tenho neste momento. Tenho procurado obter informações e não consigo. Gostava de ter conhecimento mais actualizado dos adversários, vídeos de jogos, enfim. São essas coisas que também temos de melhorar, corrigir, para depois então podermos ambicionar outros objectivos

Temos muito trabalho
pela frente


JD - Que avaliação faz do comportamento que teve a equipa e os jogadores nos jogos de preparação?
LV - O mais importante nestes jogos foi ver os resultados de algumas coisas que vínhamos a trabalhar. Isso é o mais importante e é a avaliação que nós temos de momento.

JD - Acha que os jogadores estão a fazer aquilo que o professor pretende para a Selecção?
LV- Não, ainda não e nem podem. Isso era quase impossível pelo pouco tempo de trabalho que tivemos. Nos jogos ainda continuamos a cometer erros primários, em termos posicionais. Em determinados momentos do jogo ainda estamos muito desequilibrados e equipas fortes e de qualidade conseguem facilmente explorar essas situações. Contudo, há que valorizar a vontade, a atitude e a entrega que os atletas têm demonstrado, mas há que  continuar a dizer que temos ainda muito trabalho pela frente.

JD – Qual é o sector que mais o preocupa?
LV - Eu não disse que há sectores que estão a falhar, disse que nós ainda cometemos erros primários e porque ainda nos falta maior conhecimento táctico, ainda nos falta apreender muitas coisas, mas estamos no caminho para melhorar tudo isso. Se continuarmos a trabalhar de forma séria, profissional, daqui a algum tempo podemos ter equipas fortes em Angola e também uma selecção forte.

JD- Deu para tirar muitas ilações nos jogos de preparação?
LV - Claro, positivas e negativas. Nós trabalhamos, trabalhamos, damos informação, analisamos, trabalhamos e depois jogamos. Depois do jogo verificamos onde é que estivemos bem, onde é que erramos, voltamos a dar informação e a trabalhar. É desta forma que conduzimos o nosso trabalho.

JD - É com a equipa base dos jogos de preparação que vai disputar o CHAN no Sudão?
LV - A equipa base é constituída todos os dias por todos os jogadores. A forma como trabalham, a forma como eles têm  interpretado tudo aquilo que vamos fazendo, a atitude que eles vão demonstrando nos treinos, enfim, são eles que vão formando a equipa e eu depois estou aqui para escolher os melhores.