Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Entrevistas

Lus Pinto de Andrade

Augusto Panzo - 28 de Abril, 2011

Luis Amaro Pinto de Andrade

Fotografia: Jos Soares

Jornal dos Desportos: O senhor é candidato ao cadeirão de uma das instituições desportivas mais importantes do país. Nessa corrida o senhor não teme os chamados “tubarões”?
Luís Amaro Pinto de Andrade: Não. Não tenho medo de enfrentar os outros concorrentes desde que tudo ocorra dentro dos parâmetros consignados pela lei, discutindo com estes de forma disciplinar. Por isso, asseguro que vou entrar nesta batalha para lutar de igual para igual com todos, sem medo de ninguém. Acho que o essencial é saber respeitar os adversários, porque o resto quem determina é a força de cada um, de acordo com o seu programa de acção.

JD: Fala com certa propriedade sobre um assunto candente na actualidade. Quem são os subscritores da sua candidatura?
LAPA: São vários, mas de momento não convém adiantar nomes, porque tenho uma conferência de imprensa marcada para a próxima sexta-feira, na qual todos os órgãos de comunicação social, e não só, poderão saber quem são os subscritores da minha candidatura. Mas, sem medo de errar, posso desde já garantir que tenho o apoio necessário para enfrentar esta tarefa de cabeça erguida.

JD: Sabe que uma candidatura para a FAF exige uma ampla franja de apoio das associações provinciais de futebol. Com quantas APF o candidato Luís Amaro conta para ganhar este pleito eleitoral?
LAPA: Exactamente, é necessário que cada um dos candidatos conte com algum suporte no que toca às APF e estou consciente disso. Estou já a contar com o garante de sete associações provinciais.

JD: É possível adiantar alguns nomes?
LAPA: Não, porque isso talvez fosse turvar a água e, consequentemente, facilitar a fuga ao bagre. Primo pelo segredo, que é a arma do negócio, tal como nos ensina uma velha máxima. Mas que tenho essas instituições a meu favor, isso não deve constituir dúvidas.

JD: Conta com alguns nomes pesados do futebol nacional para a sua candidatura?
LAPA: É lógico. Para mim, essa é uma das partes mais importantes para qualquer elemento que se proponha concorrer a qualquer cargo. Contudo, diria que do meu lado não se trata de nomes pesados, mas sim de antigos praticantes de futebol, como é o caso dos professores João Machado e Oliveira Gonçalves, e dos antigos jogadores Antoninho, Paulão, Mateus Lúcio e Tony Estraga, só para citar alguns.

JD: Fala-se na hipótese de trazer para Angola o Luís Filipe Scolari. Confirma?
LAPA: Efectivamente. Estamos em contacto permanente com o professor Luís Filipe Scolari. Se quiser, até posso fornecer-vos o número de telefone dele. Também conto com o apoio de dois grandes agentes FIFA. São angolanos que vivem na diáspora, nomeadamente o senhor Emmanuel Maketo, que vive no Brasil, e o senhor Sebastião Mukonda, que reside na Inglaterra. E se eu conseguir atingir o poleiro da FAF, trarei o professor Luís Filipe Scolari para Angola, para assumir o cargo de treinador dos Palancas Negras, isso sem sombra de dúvidas.

JD: Que projecto concreto o senhor tem para apresentar, caso seja eleito presidente da FAF?
LAPA: Iria começar pela remodelação dos actuais moldes de disputa do Girabola, transformando essa competição numa espécie de liga angolana de futebol, onde no fim de cada edição o campeão, o vice-campeão e o terceiro classificado seriam contemplados, pelo menos, com uma soma monetária, além do troféu, como até aqui tem acontecido. Criaria um “budget” de 500 mil dólares, por exemplo, para o primeiro classificado, 300 mil para o segundo, e 200 ou 150 mil para o terceiro. Isso pode permitir a cada uma dessas equipas entrarem na época seguinte com algum alívio nos seus orçamentos, podendo contratar outros jogadores ou colmatando algumas outras necessidades que possam existir nos seus programas de actividade.

JD: Mas isso seria suficiente para inverter o actual quadro que o futebol angolano vive?
LAPA: Nem pensar. Também consta do meu programa de acção a criação de selecções provinciais mais consistentes, com maior competitividade, a construção de estádios a nível de províncias como o Bengo, Kuanza-Norte, Kuanza-Sul, Lunda-Norte, Lunda-Sul, Malange, Bié e Moxico, onde o futebol quase não existe. Tenho ainda no meu programa de acção a criação de campeonatos provinciais fortes nos escalões de iniciados, juvenis e juniores, cujos frutos iriam então assegurar o bom funcionamento dos respectivos campeonatos provinciais.

JD: E os municípios, não estão contemplados nos vossos projectos?
LAPA: Conforme já referi atrás, para que os campeonatos provinciais sejam fortes, há a necessidade de se começar na base. E os municípios são essa base a que me refiro. Vamos começar com a realização de campeonatos escolares a nível das municipalidades, de maneira que os frutos que dali brotarem sejam os reforços dos campeonatos a nível das respectivas regiões.

JD: Existe capacidade financeira suficiente do vosso lado, para tornar esses projectos realidade?
LAPA: Claro que sim. Na construção dos Estádios, por exemplo, contamos com uma empresa de construção civil chinesa composta por 300 funcionários, entre engenheiros, pedreiros e outros elementos fundamentais para o bom funcionamento da mesma.

JD: Quem é o maior patrocinador da sua campanha?
LAPA: É a Termo Link e Associados, uma empresa ligada a uma agência de viagens, turismo, rent-a-car e prestação de serviços, além de se dedicar também à construção civil e outras áreas de serviço.

JD: Comenta-se muito sobre a sua idade, o que levanta algumas dúvidas quanto à capacidade do senhor conseguir mudar o actual quadro de futebol no país…
LAPA: É isso. Duvidam da capacidade dos miúdos, dizendo que eles vão estragar a FAF, mas os mais velhos que lá estiveram acabaram com a economia da instituição. Acho que as pessoas não podem limitar-se a ver as coisas desse jeito. Reparem, por exemplo, no que tinha acontecido com Sua Excelência o Senhor Presidente da República. Quando assumiu a Presidência da República, muitos mais velhos criticaram, dizendo que o país tomaria um rumo incerto, mas a realidade veio demonstrar outra coisa. Por isso, para que os meus detractores fiquem tranquilos, vou demonstrar que não sou aquilo que pensam, nem posso ser visto conforme eles imaginam.

JD: Na sua óptica, o que está por detrás do mau momento que o futebol angolano vive?

LAPA: Má política desportiva. Para mim, o futebol angolano de alta competição devia parar, pelo menos por dois anos, para começar tudo da base, como fez o Ghana, se nós quisermos repor o nosso nome na ribalta positiva da modalidade a nível de África e do Mundo. Até me parece que a nossa participação no Mundial de 2006, na Alemanha, nos trouxe ainda mais desgraça. Tudo decaiu totalmente. Assim sendo, só mesmo um projecto ambicioso a partir da base nos pode devolver a alegria.